Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Pelé marcando o último gol pela Seleção Brasileira aos 70 anos e contra a Argentina (e por que não pelo Santos, no ano do Centenário?!)

Olha só que lindo! Belíssimo filme da Vivo produzido pelo genial santista e diretor de cinema Fernando Meirelles mostrando Pelé marcando o último gol de sua incomparável carreira, aos 70 anos! Este foi pela Seleção, mas bem que poderia ser pelo Santos. Era um dos objetivos das festividades do Centenário do Santos. Colocar o Pelé em campo para fazer o seu último gol oficial, nem que fosse cobrando um pênalti. Espero que este tema continue em pauta. Delicie-se com este filme (sugestão do amigo José Carlos Peres, do G4 Paulista).


Episódio “segundo jogo” pode mostrar a subserviência da CBF e a falta de desportividade do Grêmio

A história se repete. Veja a bela reportagem sobre o então garoto Robinho do Globo Esporte em 2002, quando o Santos, na semifinal do Brasileiro, goleou o Grêmio na Vila Belmiro, com show de bola dos Meninos, e caminhou para o título.

Veja aqui os três gols da goleada e o show de 2002 em cima do Grêmio na Vila mais famosa do mundo

A CBF já tinha dado respaldo ao Santos e o clube, por sua vez, já tinha um acordo com o Grêmio: na segunda partida das semifinais da Copa do Brasil, próxima quarta-feira, na Vila Belmiro, os dois times usariam mesmo jogadores que porventura tivessem sido convocados para a Copa do Mundo. Era bastante provável que o Santos tivesse ao menos Robinho na lista, enquanto os gremistas davam como certa a presença do goleiro Victor. Como se sabe, só santistas foram chamados por Dunga (Robinho entre os 23, Paulo Henrique Ganso entre os 30), e agora o Grêmio ameaça entrar na justiça para anular a segunda partida caso o Santos utilize os dois.

No Regulamento da Copa do Mundo, publicado no site da Fifa, está lá no artigo 26: O período obrigatório de descanso para os jogadores inscritos na lista de liberação vai de 17 a 23 de maio de 2010 (exceto para os jogadores que participarão da final da Liga dos Campeões da Uefa, em 22 de maio).

Dá pra entender por que a Fifa está tão preocupada com “descanso obrigatório” para os jogadores? E dá para entender por que os jogadores que atuam na Europa podem jogar a final da Liga dos Campeões, dia 22 de maio, e os que atuam na América do Sul não poderiam atuar em um jogo da Copa Libertadores da América (e da Copa do Brasil), três dias antes? Perceberam a discriminação do regulamento aprovado pelas subservientes Confederação Sul-americana e Confederação Brasileira de Futebol?

Se há um ranking que o Regulamento da Copa do Mundo deve levar em conta é o da própria competição, que mostra uma igualdade absoluta entre o futebol sul-americano e o europeu: nove títulos para cada lado. O equilíbrio também existe na disputa do Mundial de Clubes, realizado desde 1960. A Copa Libertadores é a versão sul-americana para a Liga dos Campeões e tem o mesmo peso da competição européia. Então, por que os jogadores que participam de uma podem ser liberados do “descanso obrigatório” e os sul-americanos não?

Esse regulamento mostra uma discriminação odiosa da Fifa com relação aos sul-americanos e a inoperância, ou subserviência das entidades esportivas da América do Sul, mais preocupadas com interesses particulares de seus líderes do que em defender os interesses de seus clubes e seleções.

A Fifa já partiu do pressuposto de que as seleções sul-americanas seriam formadas basicamente por jogadores que participam da competição européia e não levou em conta os que atuam na América do Sul. Lamentável! E o pior é que nenhum desses cartolas que vivem por aí com sorrisos e mesuras para buscar mais dinheiro, tenham ao menos discutido esse regulamento.

Uma mina de ouro chamada CBF

Por falar em dinheiro, hoje a gorda e ambiciosa CBF, entidade particular que se utiliza do maior espetáculo da Terra – a Seleção Brasileira de Futebol – em benefício próprio, em uma ação que não exige investimentos e dá uma lucratividade absurda, anuncia mais um patrocinador: a Nestlé.

Com este, a CBF – em uma época em que os clubes brasileiros lutam para atrair investidores e pagar suas eternas dívidas – completa o rol de nove anunciantes. Os outros são: Gillette, TAM, Nike, Itaú, Vivo, Guaraná Antártica, Volkswagen e Seara.

Sempre que lhe perguntam sobre essa discrepância, Ricardo Teixeira, que assumiu o cargo por ser genro de João Havelange, responde que não tem culpa que os clubes brasileiros sejam mal administrados, enquanto ele administra muito bem a CBF. Ora, ora, ora, até eu! Você não tem salários para pagar, parque social e estádios para manter, não precisa contratar grandes jogadores e só convoca os melhores para formar um time que todo mundo quer ver… Quem não enriqueceria tocando um “negócio” desses?

O problema é que nós, jornalistas e torcedores, ainda esperamos que a CBF haja como uma representante do futebol brasileiro, papel que não exerce desde 1987, quando abriu mão de realizar o Campeonato Brasileiro e passou o mico para o Clube dos Treze. Aliás, “clube” é uma palavra que Ricardo Teixeira odeia. Se for brasileiro, então, pior.

Formar a Seleção só com jogadores em atividade no exterior é a melhor alternativa para esta CBF, que assim não tem dor de cabeça com os clubes brasileiros, não precisa ouvir lamúrias ou pedidos disso e daquilo. Envergonho-me de ver o verdadeiro futebol brasileiro – que é o dos clubes deste País, não o da Seleção – tão desprestigiado, mas não me admiro, pois esta é a forma como ele é olhado pela Confederação que deveria lhe proteger e comandar.

A posição ambígua do Grêmio

Antes da convocação de Dunga, como a presença do goleiro Victor era tida como certa pela imprensa gaúcha e pelos gremistas, Santos e Grêmio já tinham um acordo de usar os jogadores convocados na segunda partida da semifinal da Copa do Brasil, na Vila Belmiro. Agora, que só há santistas na lista de Dunga, o Grêmio parece já estar estudando maneiras de usar o regulamento da Fifa em seu benefício:

“O Santos escala quem ele quiser, mas depois da partida vamos ver a consequência disso”, disse Jorge Petersen, advogado do time do Sul, deixando claro que se perder o jogo e for eliminado, o acordo será quebrado.

Seria lamentável que o Grêmio agisse assim. Demonstraria uma pequenez extrema. Perder no campo, limpamente, e depois apelar para os tribunais é, das atitudes antidesportivas, talvez a pior. Não creio que o tradicional time de Porto Alegre, que se auto-proclama imortal, tenha uma atitude tão perecível.

Quanto ao Santos, conhecendo bem o caráter do presidente Luís Álvaro, tenho certeza de que colocará sua força máxima em campo na quarta-feira, para o bem do futebol e deleite do torcedor brasileiro – que é o que realmente interessa nesta diversão que alguns só enxergam como negócio.

Robinho e Ganso estarão em campo a tempo de, se necessário, viajarem no dia seguinte para a Europa e chegarem lá dois dias antes da final da Liga dos Campeões, data estipulada pela Fifa para o fim do período de descanso dos jogadores.

Se o imortal Grêmio quer ir à final da Copa do Brasil, que tente não sucumbir na Vila Belmiro, pois não vai dar para passar pelo Santos só com a atuação de seus advogados. Será preciso jogar um futebol melhor do que o dos Meninos. Se conseguir, parabéns. Se não, que se recolha aos seus pagos e reconheça a derrota como o bom perdedor que sempre foi.


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