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Os muitos equívocos dessa negociação entre Santos e Gabriel

Parabéns Palmeiras! Cem anos de muita história!

Este é um blog de santistas, mas não poderia deixar passar em branco a data de hoje, em que o Palmeiras, um gigante do futebol, completa 100 anos de vida. Os jogos entre Santos e Palmeiras sempre se revestiram de respeito mútuo. Para lembrar esse grande duelo da era de ouro do futebol brasileiro, trago um jogo histórico, em que, na verdade, não houve vencedores. Isso prova que quando o espetáculo é realmente grandioso, nenhum time sai com a sensação de ter sido vencido, mas sim com a certeza de que entrou na história. Vejo o Palmeiras como o grande parceiro do Santos na capital. Tem sido um adversário leal e merece o nosso respeito.

Os muitos equívocos dessa negociação entre Santos e Gabriel

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O Santos adotou Gabriel desde os oito anos de idade. Amparou, treinou e preparou o menino para se tornar um profissional de futebol. Agora que vai fazer 18 anos no sábado, Gabriel, que já recebe 70 mil por mês, quer aumento para renovar contrato. As negociações serão entre o Santos e Wagner Ribeiro, empresário de Gabriel que também já foi o de Robinho e Neymar.

Bem, a proposta de transformar a Timemania em uma pesquisa científica está aí, para quem quiser. É fácil e não requer prática, nem perfeição. Divulguem o texto entre os amigos estudantes de estatística ou apenas interessados em fazer um trabalho relevante para o futebol. Nem precisa sair de sua cidade. Mas agora vou falar de outro assunto que tem me incomodado: essa negociação do Santos com o garoto Gabriel, que neste sábado faz 18 anos e, instigado por seu empresário, Wagner Ribeiro, já está querendo aumento e ameaçando ir pra Europa. Há muitas questões nebulosas nessa história. Vamos às mais importantes:

Por que o Santos não é dono de 100% do passe de Gabriel?

O primeiro equívoco é a presença do empresário Wagner Ribeiro nas negociações. Por que o clube que pegou o garoto ainda criança e o formou, é obrigado a dividir seu passe com um empresário? É difícil engolir que este mesmo senhor que deu tantas dores de cabeça ao clube nos casos de Robinho e Neymar, esteja de novo à mesa com os dirigentes do Santos pedindo aumento para um de seus contratados e ameaçando com a história de que há clubes europeus interessados.

Quando se lê a história de Gabriel, constata-se que esse garoto, nascido em São Bernardo do Campo, jogava futsal aos oito anos quando foi descoberto por Zito, o eterno ídolo santista. Gabriel está no Santos desde então. Eu pergunto: em que momento Wagner Ribeiro entrou na história?

Se o clube treina, alimenta, fortalece, orienta, divulga e depois lança o jogador em sua equipe profissional, por que depois perde o direito a 100% do passe do jogador e têm de negociar sua carreira com um paraquedista que pegou o bonde andando e se apoderou de uma gorda fatia do passe do menino?

Por que o Santos permitiu que isso acontecesse, se desde pequeno já se sabia que Gabriel seria um dos destaques em todas as categorias em que jogasse? Quem apresentou Gabriel a Wagner Ribeiro? Quem permitiu que o empresário metesse a mão em mais um Menino da Vila?

Além de comprar parte de seu passe, o que Wagner Ribeiro ensinou a Gabriel como jogador? Algum fundamento? Será que lhe ensinou que tirar a camisa depois de comemorar gol é cartão amarelo na certa? Enfim, o clube faz tudo por um garoto, e quando ele começa a aparecer, já aparece com um empresário a tiracolo para discutir renovação de contrato etc.

Gabriel ainda não vale mais do que ganha

O segundo equívoco é a valorização excessiva de Gabriel, que ainda tem muito a melhorar até poder ser considerado um bom jogador. Além da velocidade, o rapaz não tem se destacado em nenhum fundamento. Drible, passe, chute, cabeçada, tudo está para ser melhorado.

Até mesmo sua condição psicológica requer profundos reparos. O que fez domingo, marcando um gol de pênalti e tirando a camisa para comemorar – o que lhe deu o terceiro cartão amarelo e o suspendeu automaticamente do jogo contra o Botafogo –, foi de uma infantilidade ímpar.

Tenho informações de que em fevereiro Gabriel ganhava 18 mil reais por mês e que em abril, somando-se salários, direitos de imagem e patrocinadores pessoais, já chegava a 70 mil. Para o nível de futebol que ele joga, está ótimo. Chego a dizer que já está ganhando mais do que merece.

Na verdade, todos nós, santistas, ajudamos a fazer a fama de jogadores vindos da base do clube. Ainda mais quando são atacantes e fazem um golzinho de vez em quando. Fama que, na maioria das vezes, eles não merecem. Ocorre que gostaríamos que fossem novos Pitas, Juarys, Diegos, Robinhos, Neymares e Gansos, mas, obviamente, não são. Porém, quando se descobre a verdade, a fama, a expectativa já está construída e seus empresários lucram com isso.

Gabriel ainda tem muito o que mostrar antes de pedir aumento. No nível que joga, ainda não se pode dizer se será um grande jogador, se ao menos conseguirá ser titular em um time grande do Brasil. Para a Europa, então, está muito verde. Se for pra lá, quebrará a cara.

As mentiras que Wagner Ribeiro conta

Este empresário já chamou Thiago Luis de “o Messi Brasileiro” e já disse que Gabriel seria melhor do que Neymar. O homem chuta para qualquer lado a fim de emplacar seus exageros e vender seu peixe. Não vou dizer que “está na dele”, pois a verdade deveria ser a norma para todas as atividades, mesmo para os vendedores.

De Gabriel, Ribeiro diz: “Ele cheira a gol, está em evidência, no radar de times da Europa. Mas ele quer ficar no Santos.”

É claro que se dependesse de Ribeiro, Gabriel já estaria aceitando a primeira proposta polpuda de um time europeu. Quem tem mais juízo e quer que o garoto fique mais tempo do Santos e no Brasil, até para ver se vai virar craque mesmo, é o pai do atacante santista.

Nesse momento da carreira, em que precisa ganhar maturidade e ao mesmo tempo desenvolver seu futebol, Gabriel estaria queimando perigosamente algumas etapas se saísse do Santos. Ele está em um clube que ampara e apoia os jovens vindos da base. O Santos é mais tolerante com garotos, mas que ele não espere a mesma tolerância em um clube que o contratar por uma fortuna.

Dependendo dos milhões de euros, eu venderia

Se o Santos estivesse em outra situação financeira, seria possível estudar manter Gabriel no clube. Porém, abaixo da linha da sustentabilidade, com mais despesas do que receitas, penando para pagar o investimento idiota em Leandro Damião, o clube tem mais é de fazer caixa, e se há mesmo uma proposta de 10, 13 milhões de euros por Gabriel, como assegura o boquirroto do Wagner Ribeiro, então que se feche o negócio.

Mas o racional seria, antes de vender Gabriel, se desfazer de Leandro Damião, Thiago Ribeiro, Cicinho e Mena, jogadores caros que não têm correspondido. Está na hora de planejar o futebol do Santos, e com esses quatro ganhando tanto e produzindo pouco, fica difícil.

Veja agora as jogadas de Gabriel, certas e erradas,contra o Corinthians, em uma de suas melhores atuações no ano:

E você, daria aumento ao Gabriel ou venderia o seu passe?


Contrato do Santos com Gabibol é digno do Febeapá

Amigos, nossa pátria teve um jornalista inteligente e sagaz que criou uma maneira irônica e corajosa de criticar as bobagens que se vê por aqui: o Febeapá, ou Festival de Besteiras que Assola o País, título de livros que publicou em 1966, 67 e 68, em plena ditadura militar. Pois bem, estivesse vivo, o saudoso Sergio Porto, que assinava Stanislaw Ponte Preta, teria material para enciclopédias inteiras só com as bobagens que se vê no futebol. No momento, poderia se deliciar com a discussão entre o Santos e os representantes do garoto Gabriel Barbosa, o “Gabigol”, para a assinatura de seu contrato profissional.

O menino foi descoberto aos oito anos por mestre Zito, que o viu atuar pelo São Paulo contra o Santos em uma partida de futsal e o levou, com família e tudo, para a Baixada Santista. Desde então o Alvinegro adotou os Barbosa.

Em campo, o rapaz tem correspondido. Meia-atacante goleador, há dois anos tem sido chamado regularmente para as seleções de base do Brasil. No momento tem patrocínio da Nike e já recebe salário equivalente ao de um profissional. Até agora, porém, sua fama se deve ao fato de ser um Menino da Vila e de estar sendo amparado e valorizado pelo mesmo clube que já revelou Pelé, Pepe, Coutinho, Robinho, Neymar, Ganso e tantos outros…

Ou seja, tudo o que Gabriel é hoje deve ao Santos. Em que outro clube um menino de 16 anos já teria tanto prestígio e geraria tanta expectativa? Pois bem. Só que apesar de tudo o que já fez pelo jovem e sua família, o Santos está tendo dificuldades para negociar esse primeiro contrato profissional de Gabriel e, se não tomar cuidado, corre até o risco de perde-lo. Por quê?

Porque no chamado “contrato de formação”, assinado na gestão do presidente Marcelo Teixeira, Gabriel recebeu 40% do próprio passe, e agora seu pai, Valdemir Silva Almeida, e seu empresário, Wagner Ribeiro (o mesmo de Neymar e Lucas), não querem abrir mão dessa porcentagem, que o Santos, representado por Fernando Faro, quer reduzir para 30%.

Parece brincadeira, mas o seu Valdemir Almeida e Wagner Ribeiro não estão satisfeitos com a proposta do Santos. Para Valdemir faltam acertar “detalhes” e para Ribeiro “existem divergências”.

Quer dizer que o time que formou o rapaz, que lhe deu guarida e apoio, pode ficar sem ele mesmo antes que ele se torne profissional? E quer dizer que esse vínculo, esses anos todos de estrutura e dinheiro no bolso não é levado em conta pelo pai do jogador? Ora, com todo o respeito ao seu Valdemir, mas que exemplo ele quer dar ao filho? O mesmo que o pai do Chera? Ou do Alemão? – outros jogadores que acreditaram demais no canto de sereia de seus empresários Luiz Taveira e Wagner Ribeiro e hoje estão comendo o pão que o diabo amassou? Ingratidão é algo que aqui se faz, aqui se paga.

E olhe que o Santos, que cuida do Gabriel há oito anos, não tem o direito de acertar com ele um contrato superior a três anos! Portanto, quando o rapaz tiver 19, o clube viverá esse drama novamente. Que tipo de legislação esportiva é esta que não protege o clube dos pais e empresários ambiciosos, mal-agradecidos e anti-éticos? O que ela contribui para a formação de jogadores, para a manutenção da imagem do Brasil como um formador de craques?

Enfim, Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, criador do famoso Febeapá, um jornalista carioca que trabalhava 15 horas por dia escrevendo para todas as mídias da época – e provavelmente por isso morreu de infarto, aos 45 anos –, hoje poderia se fartar de besteiras oriundas do nosso pobre, explorado e mal administrado futebol.

Quer saber mais sobre Sérgio Porto? Veja:

http://www.releituras.com/spontepreta_festival.asp

E você, o que acha dessas negociações do Santos com Gabigol?


Crise na Espanha: veja só a roubada em que queriam meter o Neymar

Há pouco era possível ouvir os conselhos de Wagner Ribeiro, Ronaldo Macário e um coro de “jornalistas” brasileiros sugerindo a Neymar que fosse jogar na Espanha. Ora, ou estavam mal informados ou mal intencionados. É impossível que não soubessem da crise que abala as estruturas do futebol espanhol e que explode agora com a ameaça de greve dos jogadores por falta de pagamento de salários.

O movimento da AFE (Associação de Futebolistas Espanhóis), que tem tido o apoio de jogadores de todos os clubes, até mesmo dos decantados Real Madrid e Barcelona, hoje recebeu também a solidariedade da importante ANEF (Asssociação Nacional de Entrenadores (Treinadores, Técnicos) de Futebol). Em carta assinada por seu presidente, Xavier Juliá, a ANEF diz que “a medida é justa, razoável e de uma necessidade imperiosa”.

Na carta, a Associação Nacional de Técnicos destaca que “é cada vez mais natural que futebolistas, técnicos e preparadores físicos deixem de receber seus salários ao fim da temporada”. E diz que a greve é uma atitude justificada “para que cessem os contínuos descumprimentos por parte de alguns clubes na hora de pagar os salários”.

Por fora bela viola, por dentro pão bolorento…

Este movimento escancara uma realidade que já era conhecida por muitos – e que foi alertada aqui, neste blog. A estrutura do futebol espanhol, que se baseia em privilegiar Real Madrid e Barcelona, gerou uma situação desigual e deficitária. Os outros estão definhando há algum tempo, e agora a crise bateu na porta também dos dois poderosos.

Sem competitividade, já que o único clássico do Campeonato Espanhol reúne os queridinhos, até mesmo estes dois estão sofrendo com a queda das arrecadações e dos ganhos com a tevê. O resultado é que tanto Real como Barcelona estão endividados – principalmente o primeiro – e se vêm em uma situação de ter de investir mais e mais para manter o status, ou cair na vala comum dos demais.

Enfim, apesar dos lindos estádios, dos gramados impecáveis e das deslumbrantes transmissões de tevê, o futebol espanhol tem menos atrativos e competitividade do que o brasileiro, por exemplo, em que há muito mais clubes de tradição disputando os títulos.

Por isso o desespero de Real Madrid e Barcelona para levar Neymar para lá (em suaves prestações). Precisam manter as aparências, precisam que o mundo continue acreditando que são os melhores e mais ricos do planeta.

“Eles pagam mais. Só que não pagam”

Em 1995 perguntei ao presidente do Santos, Samir Abdul Hack, por que o Alvinegro pagava bem menos do que alguns clubes, como o Flamengo, por exemplo. Ele me olhou bem e respondeu: “Eles pagam mais. Só que não pagam”.

A frase, sábia, de Samir, ainda continua servindo para o mesmo Flamengo – que mesmo com uma dívida de mais de um bilhão de reais, continua contratando Deus e todo mundo, prometendo pagamentos que nem sempre cumpre – e, certamente, se encaixa como uma luva nos clubes da Espanha.

Que jogador pode acreditar que ao assinar contato com um grande clube espanhol, ficará sem receber? E quando isso acontece, com quem reclamar? Como agir para reaver o pagamento ajustado?

No caso de um jogador estrangeiro, as dificuldades são imensas. Como cobrar a dívida? Quanto deve ser pago a um advogado e quanto tempo será preciso esperar para que o caso se resolva? Uma pendenga judicial com um clube espanhol não pode fechar a porta do futebol europeu?

E ainda há a questão dos impostos sobre a renda, lá muito maiores do que aqui. Por fim, para não dar o braço a torcer, muitos jogadores engolem o prejuízo e seguem sua vida.

Neymar não precisa passar por isso

O paraíso europeu pintado aqui por “jornalistas” – que, para serem coerentes, deveriam defender o futebol brasileiro – na verdade nunca existiu. Para a maioria dos jovens estrangeiros que vão tentar a sorte por lá, as histórias de tristeza, decepção e penúria são muito mais freqüentes do que as de sucesso.

E ainda há as questões sociais e o crônico preconceito racial. A Europa, cuja economia perde a concorrência para o mercado asiático, vive um período de baixos salários e desemprego crescente. Isso tem gerado, principalmente nos jovens, uma perigosa aversão aos imigrantes, que é mais acentuada quando se trata de estrangeiros que não pertencem à “raça branca”.

Por que Neymar seria obrigado a sofrer demonstrações de racismo, ou correr o risco de não receber pelo seu trabalho, se aqui ele é o Príncipe do Futebol Brasileiro, e, como tal, vive cercado de carinho, compreensão e amor?

Isso de que o jogador precisa ir para a Europa para provar alguma coisa é uma das maiores babaquices que já ouvi na vida. Além de demonstrar um complexo de inferioridade tremendo do brasileiro que diz algo assim, mostra uma total ignorância da história do futebol. A grandeza não é ir para a Europa. Mas dizer “NÃO!” à Europa. E isso, pouquíssimos, como Neymar, podem.

É claro que aqui, como lá, há também “jornalistas” esportivos chatos e mal intencionados, mas são uma minoria e ninguém os leva muito a sério. São os cães sarnentos que ladram, enquanto a alva e lustrosa caravana passa.

O que você acha dessa crise no futebol espanhol? Será que alguns “conselheiros” de Neymar já não a conheciam e ficaram quietos?


Para dirigir o Santos é preciso sonhar

Athié Jorge Cury (de terno preto), o grande sonhador que presidiu o Santos

O agente Wagner Ribeiro, inconformado com a recusa do Santos de vender Neymar, disse que o presidente do clube, Luís Álvaro, é um sonhador. Wagner quis ironizar, mas acabou revelando a característica essencial de um dirigente do Santos: nunca perder a capacidade de sonhar.

O Santos já é o resultado das aspirações mais loucas e improváveis de um time de futebol. De uma cidade média para pequena conquistou o mundo, estabeleceu-se em São Paulo, a maior capital do país, passeou de carro aberto por Paris e Nova York, desbravou a África e a Oceania, enfim, não há limites para o Alvinegro Praiano.

Athié Jorge Cury, logo que assumiu a presidência do clube, nos anos 40, época em que as viagens distantes ainda eram feitas por navio, levou o time para uma excursão de três meses para o Norte e Nordeste do país, uma verdadeira aventura. Lá o Santos enfrentou os grandes clubes de cada Estado e voltou invicto, num claro sinal de que era uma equipe predestinada a vôos ainda mais altos.

Foi Athié quem decidiu que, a partir de meados dos anos 50, o Santos não venderia mais nenhum jogador importante, a menos que já tivesse um substituto à altura. Esta filosofia, que certamente foi vista como um sonho por muitos, é que fez do time o melhor do planeta por mais de uma década e permitiu que Pelé, Pepe, Zito, Clodoaldo e tantos outros jamais saíssem da Vila Belmiro.

Quando assumiu a presidência do clube, no início do novo século, o jovem presidente Marcelo Teixeira colocou uma fortuna do próprio bolso para reforçar a equipe. Os críticos o chamaram de lelé da cuca. Quantos, a não ser os sonhadores, fariam isso? Mas sua confiança refletiu na equipe e no destino. O Santos voltou a ser um vencedor com ele.

Agora temos Luis Álvaro Ribeiro lutando contra a “lógica” do desmanche que cismam em impingir aos grandes clubes brasileiros. Como se jogador fosse gado que tem de ser engordado aqui e depois vendido para o abatedouro da Europa, todos – até parte da imprensa esportiva – pressionavam o Santos para que fizesse o inevitável e se submetesse ao estupro anunciado.

Dizer não aos milhões de euros do Chelsea foi considerado uma loucura por muitos. A imprensa britânica chegou a definir Neymar como “crazy boy”. Bem, para quem vê o mundo e a vida através dos cifrões, talvez seja mesmo uma loucura, mas o Santos é um clube diferente, onde a lógica dos outros não sobrevive.

Por que, repito, um time de uma cidade pequena seria o melhor de todos os tempos, teria o único Rei do futebol, faria mais gols do que todos os outros e conquistaria 15 vezes mais torcedores do que o total de habitantes de sua cidade?

Porque no Santos todas as aspirações, mesmo as mais improváveis, podem se concretizar. Porque no Santos a realidade é apenas um estado de coisas que sempre pode ser modificado, como numa mágica.

Por isso é que o presidente do Santos tem de ser alguém que não censure suas metas, por mais ousadas que sejam. O presidente do Santos tem de ser alguém que acredite na beleza, na arte e na regeneração do futebol.

No Santos o passado pode voltar e o futuro pode ser, sempre, melhor que o presente. Porque – e que o senhor Wagner Ribeiro e outros que pensam como ele não se esqueçam – o Santos não é apenas mais uma grande equipe baseada nos números frios da chamada realidade. O Santos é o Time dos Sonhos.

E para você, quais os próximos sonhos que o Santos deve realizar? Vamos, não se censure. Tudo é permitido a um santista.


Luís Álvaro está certo de dizer não ao Chelsea sem ouvir Neymar

Qualquer outro clube brasileiro já teria vendido Neymar, e por menos do que o Chelsea está oferecendo. Mas o Santos – e o presidente Luís Álvaro Ribeiro sabe muito bem disso – não tem como prioridade acumular dinheiro. Seu CT já é um dos mais, se não o mais moderno do País, o estádio é suficiente para a maioria dos jogos (o time ainda tem a opção do Pacaembu) e a dívida é completamente administrável. Assim, o que interessa, mesmo, é ter um timaço capaz de fazer muitos gols, ganhar jogos e títulos. Para isso, só mesmo com craques.

O Chelsea, como todo grande time europeu, deve estar estranhando a resistência do Santos. Seria muito mais fácil se fosse outro clube. Acontece que o Santos já foi, por muito tempo, o melhor do mundo; já teve os melhores jogadores do planeta e, para o santista, é mais sofrido desfazer-se de seus craques. É um retrocesso. Mesmo que por 35 milhões de euros.

Luís Álvaro tem dito que não aceita nenhum centavo abaixo da multa rescisória e ainda promete lutar para segurar o Menino de Ouro mesmo depois que o clube inglês aceitar pagar a dita cuja.

O presidente do Santos tem dito, também, que nem ouvirá Neymar sobre o caso, no que eu concordo plenamente. Está na hora de o garoto perceber o que o Santos fez por ele.

Se Neymar fosse de qualquer outro clube brasileiro que não valoriza tanto os jovens, que não tem o dom e o carisma do Santos para revelar jogadores, provavelmente estaria amargando a reserva, se tanto. Tudo, mas tudo mesmo no Santos contribuiu para a explosão de Neymar. Vejamos:

1 – A filosofia do clube de apoiar e promover jogadores vindos da base; 2 – A opção pelo estilo de jogo ofensivo, que privilegia a escalação de três atacantes, abrindo mais vagas para os garotos; 3 – A paciência do torcedor santista com os novatos, já que jogadores jovens têm sido a alma do Santos através da história e o clube viveu e invariavelmente vive seus melhores momentos com os Meninos da Vila; 4 – A oportunidade de jogar ao lado de outros craques, de outros jogadores habilidosos, que proporcionam mais jogadas e muitas oportunidades de gol a cada jogo; 5 – O privilégio de atuar no time que mais gols fez na história do futebol e que honra essa tradição jogando sempre pra frente; 6 – A glória de jogar na equipe que contou com a lenda viva, o deus dos estádios, o melhor de todos os tempos, Pelé.

Tente descobrir outros jogadores que atuaram ao lado de Neymar na Seleção Brasileira sub alguma coisa, e veja se algum deles tem hoje a décima parte do prestígio do santista. Será que só o talento de Neymar explica tudo? Será que os demais não têm talento? A explicação está no Santos, no carinho, na estrutura e na filosofia que faz o clube tratar seus Meninos como pequenos príncipes desde o momento em que a genialidade se revela.

Dá para esperar no mínimo mais um ano, sim…

Sei que hoje o pai de Neymar, a mãe de Neymar, o agente de Neymar, um monte de gente vive em função do talento e do carisma do Menino de Ouro, e querem viver cada vez melhor – ou ao menos querem usufruir de mais e mais dinheiro vindo de Neymar. Porque viver bem é uma coisa e ter muito dinheiro, outra.

Ora, o que o garoto já tem e recebe mensalmente no Santos é mais do que suficiente para viver confortavelmente e dar uma boa vida a todos os chupins que o rodeiam. E agora que está na Seleção e pode ter a rara felicidade de ser um ídolo do futebol brasileiro e em atividade no Brasil, Neymar será o centro das atenções da mídia e dos patrocinadores.

Não duvido que, com profissionais competentes para dirigir sua carreira, ele possa ganhar tanto ou mais no Brasil do que ganharia na fria e sem graça Inglaterra. Aqui ele já é um ídolo, lá correrá o risco de seguir a trilha obscura de Robinho, que virou reserva do mediano Manchester City.

Wagner Ribeiro também encheu a cabeça de Robinho de promessas, mas a única cumprida foi a de que ficaria rico. Grande coisa! Pois aqui Robinho também se enriqueceria, com a diferença de que seu futebol tenderia a evoluir e, talvez, hoje se tornasse realmente o melhor do mundo, como era o seu sonho e, pelo que vemos, nunca será realizado.

E Neymar só tem 18 anos! Hello! Terá tempo para se aprimorar em outras línguas e adquirir maturidade para morar no exterior por conta própria, e não com mamãe e papai a tiracolo, em hora mais oportuna.

Esse papo do Wagner Ribeiro de que o cavalo está passando selado não vale para Neymar. O garoto só vai continuar se valorizando, ainda mais agora que será nome permanente na Seleção Brasileira.

Sua imagem é positiva para o esporte: um rapaz simpático, alegre, que transforma o futebol em arte e a cada dia seduz mais fãs. Quantas empresas brasileiras não quererão ter Neymar vendendo seus produtos, caso ele fique?

Por tudo isso, e sem nenhuma demagogia, lanço a óbvia campanha aqui e no twitter para que Neymar fique. Amanhã, quando for mais adulto e entender melhor a vida, ele nos agradecerá pelo movimento.

#FicaNeymar

E você, acha que o Menino de Ouro deve ir, ou ficar? Acha que Luís Álvaro está certo em dizer não ao Chelsea sem ao menos ouvir Neymar?


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