Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Neymar e Ganso devem ficar. E Diego pode vir…


Dá para imaginar esse trio jogando pelo Santos?

Em poucos momentos de sua história o Santos deu a seus torcedores tantos motivos para ser feliz. Ter um time vencedor, que ganhou quatro títulos em um ano e meio, e contar com os dois melhores jogadores brasileiros do momento, entre eles o ídolo do País, não é para qualquer um. Mas é um momento que também exige cuidados. Qualquer decisão pode levar o clube e o time a um patamar acima, como rebaixa-los. Minha opinião sobre algumas questões cruciais:

Vender Ganso seria um grande erro. Vender Neymar seria um erro colossal

Sei que não depende só do clube, mas, no que depender, deve fazer das tripas coração para manter os dois no elenco. Eles são a esperança de elevar o Santos ao mesmo nível dos grandes times do mundo e de quebrar um paradigma que poderá mudar a expectativa do futebol sul-americano. Onde está escrito que todo craque surgido no nosso continente tem de ir para a Europa para se consagrar? A consagração e a fortuna podem, sim, ser encontradas aqui mesmo no Brasil.

Clubes europeus já não estão tão ricos

Mesmo precisando muito de um jogador que dispute a coroa com Messi, o Real Madrid não tem como pagar mais do que 50 milhões de euros por Neymar, ou oferecer-lhe um salário tão maior aos rendimentos que terá no Brasil. É só analisar a economia espanhola e a brasileira para perceber que o dinheiro está saindo de lá e vindo pra cá.

Com a Copa, a visibilidade maior estará aqui

Com a Copa no Brasil, a visibilidade do futebol brasileiro voltará a estar em alta e, talvez continue depois de 2014. Hoje, Ganso e Neymar deixarem o Santos, que lhes dá títulos e lhes deram a titularidade da Seleção Brasileira, para se mudarem para a Europa, seria trocar o certo pelo duvidoso.

A maturidade de Neymar

Com classe e educação elogiáveis, Neymar tirou de letra quando quiseram saber, em sua primeira entrevista em Buenos Aires, o que achou da declaração de Maradona chamando-o de mal educado. Disse que era fã de Maradona e deu o assunto por encerrado. Vi na atitude de Neymar a influência positiva de Eduardo Musa, do marketing do Santos, que tem dado assessoria ao Menino de Ouro e evitado que ele se perca pela boca. Neymar é outro cara depois que Musa foi escalado para lhe fazer marcação homem a homem.

Obrigado e adeus Alan Patrick, Zé Eduardo…

Ouvi ou li em algum lugar que Zé Eduardo pediu para o presidente Luis Álvaro conseguir que ele fique no Santos até o final do ano e que o presidente ficou de tentar. Seria um erro enorme. O Santos foi campeão da Libertadores apesar de Zé Eduardo, que colocou em risco a conquista com sua extrema falta de habilidade. Que vá com Deus! Foi uma dádiva dos céus encontrar um clube que pagasse tanto por ele. Em menores proporções o conceito se aplica a Alan Patrick, um bom jogador, mas que nem é melhor do que Felipe Anderson, outro que poderá explodir nesse segundo semestre.

Bem-vindo Diego!

O Santos precisará de mais um ou dois jogadores de meio-campo e mais um atacante de bom nível. Estou certo de que o clube quer trazer Diego e Zé Roberto. Resta saber se eles também querem e se haverá parceiros interessados em dividir esse investimento. Outra questão é a tática: como Muricy prefere apenas um meia ofensivo, Diego só viria se Ganso ou mesmo Elano saíssem do time. Por isso, Zé Roberto se encaixaria melhor no time. Acho viável se fazer apostas baratas, como as de Roger e Richely, mas não se pode esperar que resolvam o problema.

É hora de depurar o elenco

Espero que Fernando Silva, Pedro Nunes da Conceição, enfim, a diretoria de futebol, se reúna com Muricy Ramalho, Tata, e analisem com calma quem deve continuar e quem deve sair do Santos. Há jogadores, como o simpático “sem medalha” Rodrigo Possebon, que não podem jogar em um clube de ponta, mas podem se dar bem em agremiações menores.

Desde 2002, média de um título por ano!

Só se passaram oito anos e meio desde que o Santos conquistou o título Brasileiro de 2002 e nesse período o clube já levantou oito taças importantes, em uma média admirável de uma por ano. Vejamos: 1 Libertadores, 2 Brasileiros, 1 Copa do Brasil e 4 Paulistas.

Logo mais, o grande jogo no futsal

Hoje, às 13h30m, Santos e Corinthians se enfrentarão pelo Campeonato Paulista de Futsal, com transmissão da ESPN Brasil. Vale a pena ver o clássico dos alvinegros. O Santos precisa da vitória para subir na tabela.

E você, o que pensa deste momento especial do Santos?


Santos conquista a América. Futebol-arte supera o jogo sujo


O técnico Muricy Ramalho e Neymar foram os grandes artífices dessa conquista. O primeiro assumiu o time em uma situação crítica, e logo de início – sem Neymar, Elano e Zé Eduardo – conseguiu a vitória mais importante desta campanha, em Assunção (2 a 1 sobre o Cerro Porteño), quando até o empate eliminaria o Santos. Depois dos dois, vem Paulo Henrique Ganso, que jogou pouco, mas comandou o time justamente na vitória essencial contra o Cerro. Outros destaques foram Rafael, Danilo, Adriano, Arouca, Léo, Durval, Edu Dracena e Jonathan. Dos reservas Pará, Alex Sandro, Alan Patrick, Keirrison e Maikon Leite, o último se sobressaiu também pela atuação contra o Cerro, enquanto os demais não comprometerem. As decepções fircaram por conta de Elano e Zé Eduardo. O primeiro jogou bem menos do que pode e do que o santista espera dele, e o segundo, infelizmente, correspondeu às expectativas (Fotos: Divulgação Santos FC)

Como se esperava, o Santos foi melhor do que o Peñarol o tempo todo. Único time que pôs a bola no chão e criou jogadas de ataque, o Alvinegro Praiano construiu inúmeras chances, principalmente no segundo tempo, e a vitória de 2 a 1 – com todos os gols na segunda etapa – acabou ficando barata para o time uruguaio, que no final foi provocado por penetras que invadiram o campo e partiu para uma briga que envolveu vários jogadores.

Neymar, o melhor jogador desta Libertadores, também foi o melhor em campo. Além do gol, deu passes, segurou a bola e agüentou as botinadas do adversário. É difícil acreditar que um jogador tão seguro do que faz, com tanto controle da bola e dos espaços do campo, tem apenas 19 anos.

Definido pelo presidente do Peñarol, Juan Pedro Damiani, como “um jogador de outra galáxia”, Neymar saiu deste jogo muito mais valorizado. Ele é a esperança da América de um dia ter o melhor jogador do mundo. Como foi Pelé, que para a festa ser completa, estava lá, abraçando os santistas e o técnico Muricy Ramalho – que calou a boca de quem dizia que ele não ganhava torneio mata-mata.

Ganso, com dificuldades de locomoção, não foi o mesmo, mas fez o suficiente para dar mais equilibro ao time, além do passe de calcanhar para que Arouca penetrasse e servisse a Neymar – que abriu o marcador justamente quando o Pacaembu, em uníssono, pedia “Vai pra cima dele Santos”!

Depois, veio o gol de Danilo, em bela jogada individual, driblando e batendo cruzado. Com 2 a 0 surgiram mais oportunidades, mas Zé Eduardo continuou brigando como nunca e não marcando gols como sempre. Obrigado Zé, mas você não fará falta. Se fosse o Borges, teria sido goleada.

A saída de Léo, cansado, fez o Peñarol atacar em cima de Alex Sandro – que bobeou no gol do time uruguaio (contra, de Durval). A partir daí, o Peñarol tentou alguma coisa, mas, como se esperava, só viveu de bolas altas na área, encontrões e pontapés. Enfim, um time limitado, que acha que ainda está no tempo em que o futebol poderia ser decidido pela violência e intimidação.

Santos poderia ter virado na frente

Uma bola que Arouca poderia ter matado no peito ao invés de cabecear, uma cabeça de Dorval para fora, um chute de Elano, um passe de Ganso que quase deixa Neymar na cara do gol… Enfim, em 10 minutos de jogo o Santos, com um pouco de sorte, já poderia ter aberto o marcador.

O Peñarol teve uma chance real aos 12 minutos, quando a defesa do Santos parou e dois jogadores do time uruguaio apareceram livres diante de Rafael, que no final defendeu bem. Mas foi uma chance esporádica.

O domínio santista prosseguiu até o final da primeira etapa. Entre cobranças de falta de Elano, escanteios e penetrações, o Santos procurou mais o gol. A melhor oportunidade ocorreu aos 43 minutos, quando Léo ganhou duas divididas, passou para Zé Eduardo, que arremeteu contra a defesa uruguaia. A bola sobrou para o pé direito de Léo, que quase na pequena área chutou para fora.

O árbitro, Sérgio Pezzota, no todo foi bem na primeira etapa. Não deixou passar em branco as faltas em Neymar, evitou que o jogo desandasse. Deu cartões amarelos para Gonzalez por falta em Neymar e para Neymar por falta em Gonzalez (o uruguaio saiu de campo depois da entrada no santista).

Mas poderia ter sido um pouco mais rigoroso. Ganso levou duas faltas que deveriam provocar um amarelo para o adversário. No final, veio o erro mais grave de Pezzota: como foi o time uruguaio que fez cera, o árbitro não deveria ter esperado que o Peñarol cobrasse a falta para a área santista antes de encerrar o primeiro tempo. Com isso, ele favoreceu o time que praticou o anti-jogo.

A primeira etapa deixou a impressão de que só o nervosismo poderia impedir que o Santos saísse do Pacaembu com o título da Libertadores. Na ida para o vestiário, Ganso quase foi agredido. Os uruguaios já mostravam do que seriam capazes se não vencessem.

Agora, meta é se preparar para um segundo semestre mundial

O grande campeonato do Santos, agora, é criar condições para manter Ganso e Neymar e estruturar uma equipe que possa se firmar, como nos anos 60, entre as melhores do mundo.

Não creio que isso deva ser uma meta só do Santos, mas sim do mercado brasileiro e sul-americano de futebol. Não está escrito em nenhum lugar que os astros da América do Sul são obrigados a se transferir para a Europa para serem reconhecidos. Neymar e Ganso são dois exemplos de que é possível atingir o status de super astro sem sair do Brasil.

Com a depuração do elenco – a saída de jogadores que, mesmo sendo campeões sul-americanos, não estão jogando bem – e a vinda de outros, mais competitivos, o Santos poderá fazer também um segundo semestre vitorioso. Não se pode esquecer que a partir de agora o mundo já estará antevendo um duelo entre Barcelona e Santos, entre Messi e Neymar.

Conmebol precisa reorganizar a Libertadores

Não é porque o Santos foi campeão que vamos fechar os olhos para os problemas desta Copa Libertadores. A impunidade contra a violência dentro e fora do campo gerou cenas grotescas, que envergonharam o continente sul-americano. A agressão aos jogadores do Fluminense na Argentina e aos torcedores do Santos em Assunção e Montevidéu não podem ser esquecidas, assim como não se pode esquecer a briga de ontem, ao final da partida.

No início imaginei que a confusão tivesse sido provocada por jogadores do Peñarol, inconformados com a derrota. Mas, depois de assistir a um filme sobre o começo do incidente, percebi que um rapaz que invadiu o campo é que provocou um jogador do Peñarol e começou a confusão.

Acho que, para dar o exemplo, o Santos deveria descobrir quem é este rapaz e, caso seja sócio, exclui-lo do quadro associativo. Ele estragou uma festa esperada há 48 anos e quase provoca uma tragédia.

Escrevi neste post que o Santos foi o responsável pelo número excessivo de pessoas sem função que estavam no gramado, pois, pelo regulamento da Conmebol, o clube mandante é o responsável. Mas hoje recebi um e-mail de Arnaldo Hase, coordenação de comunicação do Santos, que diz o seguinte:

Sobre o que você coloca no blog, sobre invasão do gramado a partir do vestiário do Santos, posso dizer que não procede. Eu estava no vestiário ao lado de vários integrantes da comissão técnica e de nossa TV, que havia conseguido liberação para registrar as imagens do gramado pós-jogo. Mas os policiais impediram a entrada de qualquer pessoa partindo do nosso vestiário desde os 35 do segundo tempo. Se puder corrigir no blog, seria interessante.

Agora, se filhos de diretores e conselheiros entraram, não foi por ali.
Outro detalhe que vale a pena saber, embora seja sabido da maioria: o gramado em dia de jogo não pertence ao time mandante, mas à Conmebol, que é a organizadora do evento. Nem os jornalistas credenciados o são a partir do Santos, mas via Aceesp e Federação Paulista. Se for para a Conmebol punir alguém, que seja a si mesma.

Bem, eu me baseei na informação de Paulo César Vasconcelos e de Maurício Noriega, comentaristas do Sportv. A tevê também mostrou muita gente saindo do vestiário do Santos logo após o apito final do árbitro. Segundo informações que obtive, esses torcedores que invadiram o campo são, em sua maioria, filhos de conselheiros e diretores do Santos, que se usam da posição dos pais para terem certos privilégios nos jogos do Santos.

De qualquer forma, assim como recriminamos a falta de segurança em outros estadios desta Libertadores, não podemos deixar passar em branco o que aconteceu no Pacaembu. Não tira o mérito da vitória santista, mas dá aos europeus argumentos para falarem mais uma vez da selvageria que predomina nos campos sul-americanos.

Festa da medalha

Outro fato insólito é o número de funcionários do Santos, além dos jogadores, que entram na fila para receber medalhas. É uma festa. Fiquei em dúvida se se não ficou faltando medalha para alguns jogadores. Acho que isso banaliza o mérito. Seria o mesmo que um cartola subir no pódio ao lado de um campeão olímpico. Seria ridículo. Já tinha visto a mesma coisa na Copa do Brasil, em Salvador.

Vamos combinar que quem merece medalha de campeão são os atletas. No máximo, também o técnico e o preparador físico. Tinha gente na fila que não tinha nada de estar ali. É o tipo da coisa que deve encher o saco do jogador, pois ele se mata em campo, ele é o artista, e no final aparece um monte de cartolas e agregados na fila da medalha.

Vi Danilo, um dos heróis do título, esperando a sua vez de receber o prêmio atrás de alguns funcionários do departamento de futebol. Depois vi o Vinicius Simon no fim da fila e fiquei com a impressão de que não havia mais medalha pra ele. No próximo título é bom organizar melhor isso.

Uma sugestão é de que se houver medalha sobrando, que na cerimônia após o jogo, ainda no campo, elas sejam entregues apenas aos jogadores, técnico, auxiliar e preparador físico, os que efetivamente participaram do espetáculo. Que as outras sejam deixadas com o presidente do clube para entregar depois. Ver os heróis do time recebendo seu prêmio depois dos funcionários chega a ser um acinte.

Reveja os gols históricos de Santos 2 x 1 Peñarol:

http://youtu.be/doNeAVv1RdI

Reveja agora a confusão, provocada pela invasão de campo a partir do vestiário do Santos:

E para você, qual o significado deste título do Santos?


0 a 0, do jeito que Muricy queria

Com quatro desfalques e no campo do adversário, o Santos até que conseguiu um bom resultado ao empatar sem gols com o Penãrol. Agora a decisão ficou para a próxima quarta-feira, no Pacaembu, e a verdade é que, apesar do discurso politicamente correto de Muricy Ramalho e dos jogadores, o Alvinegro Praiano passa a ser o favorito para conquistar sua terceira Copa Libertadores.

Sem Jonathan, Léo e Paulo Henrique Ganso, o Santos perde muito do seu toque de bola. Elano está se cansando fácil, Arouca parece não estar totalmente recuperado das últimas contusões, Adriano marca bem, mas não acerta um passe um pouco menos curto, e Danilo faz tudo mais ou menos.

Se acertasse algumas jogadas na entrada da área, o Santos voltaria com uma vitória de Montevidéu, mas não dá para pedir mais. Neymar era o único atacante que poderia fazer o gol. Zé Eduardo foi nulo até perder um gol e cabecear uma bola pra fora. Alex Sandro chegou bem á linha de fundo mas, invariavelmente, errou o cruzamento.

Alan Patrick não entrou bem. Molengão, perdeu todas as divididas. Bruno Aguiar, que substituiu Zé Eduardo, desta vez entrou mais firme e ajudou a segurar o empate nos últimos minutos.

Primeiro tempo limitado, como o segundo

A impressão deixada no primeiro tempo é que o Peñarol só faria um gol em uma falha santista, ou em um lance de grande fortuna de seus jogadores. O Santos poderia ter jogado bem melhor, mas não foi de todo ruim.

Pará me surpreendeu positivamente, Alex Sandro foi o mesmo bipolar de sempre (bom no ataque, ruim na defesa), o meio mais marcou do que apoiou, Neymar levou umas pancadas e tomou um cartão amarelo por simulação depois de levar um muro no estômago.

Zé Eduardo, como sempre, mais atrapalhou do que ajudou. Bruno Rodrigo substituiu muito bem a Edu Dracena. Durval também esteve bem. Rafael foi ótimo. Ainda bem que ainda não inventaram de convocá-lo para a Seleção. Quando for, não sai mais.

Tirando o nervoso de uma final da Libertadores, acho que o Peñarol, tecnicamente, é um Oeste de Itápolis da vida, com todo respeito ao Oeste de Itápolis. Claro que se você colocar o Oeste em uma final de Libertadores, com a chance de ganhar uma boa grana e ainda lhe oferecer um estádio cheio de torcedores, ele vai jogar muito. É isso.

Esperei o segundo tempo torcendo para que o Peñarol saísse um pouco mais e desse oportunidades para o contra-ataque santista. Com um pouco de sorte o Santos sairia do Centenário com um gol. E as chances até que surgiram, mas, para ser justo, o Peñarol acabou tendo oportunidades melhores e também não marcou.

No Pacaembu, acho que o Santos tem de abafar logo de cara e terminar o primeiro tempo com uma vantagem de dois ou três gols. Fora de casa o Peñarol já perdeu nesta Libertadores de 5 a 0 e 3 a 0. E os adversários não tinham Ganso ou Neymar. Repito: tirando o nervosismo e a tensão da final, este adversário é para o Santos, se jogar sério e de forma objetiva, ganhar com uma boa diferença de gols.

E você, ficou satisfeito com o Santos e com o resultado?


Muricy está certo. Santos precisa de reforços para o Brasileiro

O técnico Muricy Ramalho, que entende de Campeonato Brasileiro como poucos, já percebeu que, do jeito que a coisa vai, o Santos não será campeão nacional. Obrigado a jogar com reservas, em quatro rodadas o time já está a sete pontos do líder, o São Paulo, e a situação tende a piorar.

Neymar, Paulo Henrique Ganso e Elano passarão um mês disputando a Copa América; Zé Eduardo, Maikon Leite, Keirrison e Alan Patrick estão de saída para outros clubes; Danilo e Alex Sandro (e talvez Felipe Anderson e Tiago Alves) devem ser convocados para o Mundial Sub-20. Ou seja, o time pode perder de nove a 11 jogadores no mesmo período.

Como quase todos os desfalques serão de jogadores de ataque, o diretor Pedro Nunes Conceição me disse que é para este neste setor que o Santos procura reforços. Recentemente, Richely, Roger e Borges foram contratados. Porém, apenas Borges veio para ser titular absoluto. Os outros dois são as chamadas apostas, que têm menos de 50% de chances de dar certo.

Como contratar sem dinheiro

Que o time precisa de reforços, não há dúvida, mas não se pode esquecer que a situação financeira do clube não é um mar de rosas. Muitas dívidas foram simplesmente roladas e, se a receita aumentou com a nova gestão, as despesas cresceram mais ainda. E a prioridade, ao menos nessa janela de transferências, é tentar criar condições de se manter os astros Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Alguns leitores dão sugestões de como o clube poderia agir nesse momento para enxugar suas despesas e ao mesmo tempo conseguir alguma verba para contratações. Em primeiro lugar, dizem, o Santos poderia emprestar, vender, ou simplesmente dispensar boa parte de seus jogadores. E, com o dinheiro economizado, trazer poucos e bons.

Por mais que tenhamos ficado satisfeitos com o empate com o Cruzeiro, a verdade é que a maioria dos jogadores que vestiram a camisa do Santos, ontem, não merecem, ao menos no momento, serem sequer reservas do Alvinegro Praiano.

O futebol é dinâmico. Não dá para esperar eternamente que um jogador desencante. O torcedor já percebeu que muitos dos que atuaram ontem – como Rodrigo Posebon e Charles, por exemplo – são moitas de onde não sairão coelhos. É bobagem insistir. É desperdício continuar pagando salários para jogadores que nada acrescentam.

Não digo que sejam totalmente desqualificados. Talvez fossem titulares e importantes em agremiações de pretensões mais limitadas, como as da Série B e mesmo algumas da Série A do Brasileiro. Então, que sejam vendidos, trocados ou dados a estas equipes. Mas que não onerem mais o caixa do Santos.

Por que abrir mão do Campeonato Brasileiro?

O santista está empolgado com a possibilidade de conquista da Copa Libertadores. A chance, realmente, é no mínimo de 50%, apesar da força e da personalidade do adversário. Porém, não se pode esquecer que haverá, ainda, um semestre inteiro pela frente até o final do ano, período em que estará sendo disputado o campeonato mais importante do País.

Em 2003 o Santos também era considerado o melhor time do Brasil, pois tinha sido campeão brasileiro de 2002 e, um ano depois, seus jovens jogadores estavam mais amadurecidos. Porém, nenhum título foi conquistado naquela temporada: a Libertadores e o Brasileiro bateram na trave e, no Paulista, a equipe sequer chegou à final.

Neste 2011 o Santos tem grande possibilidade de repetir o ano perfeito e histórico de 1962, mas para isso é preciso planejamento, ousadia, agilidade e firmeza. Muricy deve ter percebido as indecisões da diretoria e por isso reclamou, ontem, com toda a razão.

No ano passado, depois de um primeiro semestre brilhante, o clube abriu mão do segundo, ao deixar o time sob o comando do técnico interino Marcelo Martelotte durante o Campeonato Brasileiro, e não contratar um substituto à altura de Paulo Henrique Ganso, que se machucou seriamente. A torcida teme que isso se repita este ano.

Mesmo sem muitos recursos, estou certo de que dá para garantir um time competitivo em julho, apesar dos desfalques já previstos devido à Copa América e ao Mundial Sub-20. Para isso, porém, é preciso que a diretoria deixe a decisão da Libertadores para os jogadores e a comissão técnica e trabalhe rápida e intensamente para impedir que o Santos passe outro segundo semestre a ver navios.

E você, o que sugere para que o Santos reforce o time, mesmo sem muito dinheiro em caixa? Porpor a troca de jogadores seria uma boa?


Borges estreia e Santos quer primeira vitória no Brasileiro

Nem sempre a estreia de um jogador justifica sua fama. Mas algo diz ao santista que Borges, que faz sua primeira partida pelo Santos hoje, às 18h30m, na Vila Belmiro, contra o Avaí, poderá ser a solução para a falta de gols da equipe e fazer história no clube.

Desde Kléber Pereira o Santos não tem um centroavante centroavante, desses com a chamada presença de área – que chamam a bola, se enfiam entre os zagueiros e dão um jeito de bota-la pra dentro do gol.

Hoje Borges não terá Neymar, Elano e Paulo Henrque Ganso ao seu lado, para lhe servir, o que provavelmente reduzirá suas chances de gol, mas ele é também aquele tido de atacante que cava as próprias oportunidades.

Mesmo sem os titulares Jonathan, Léo, Elano e Neymar, além de Ganso, o Santos é o favorito contra o exaurido Avaí do técnico Silas e dos ex-santistas Marcinho Guerreiro e Marquinhos.

Digo exaurido porque, depois de ficar perto do sonho de vencer a Copa do Brasil e se classificar para sua primeira Copa Libertadores, o time catarinense tem de voltar ao Brasileiro com a única expectativa de não ser rebaixado.

Em dois jogos, o Avaí não marcou nenhum ponto e ocupa a última posição. O Santos não está muito melhor. Tem apenas um pontinho, aquele do empate no jogo inaugural, contra o Inter.

Mas naquela partida o Santos usou só reservas e não perder já foi um bom negócio. Hoje, a torcida que for à Vila Belmiro (e me surpreenderei se mais de sete mil pessoas fizerem isso), quer os três pontos.

Times prováveis e meu feeling

Santos: Rafael; Pará, Durval, Edu Dracena e Alex Sandro; Adriano, Arouca, Danilo e Alan Patrick; Borges e Zé Eduardo.

Avaí: Aleksander; Cássio, Bruno, Gustavo Bastos, Juninho, George Lucas; Marcinho Guerreiro, Estrada, Fabiano; Marquinhos Gabriel e Willian.

Arbitragem: José de Caldas Souza, auxiliado por César Augusto de Oliveira Vaz e Carlos Emanuel Vanzolillo.

Se você quer minha opinião, mas quer mesmo, eu direi que mesmo sabendo que a vitória é importante para que o Santos não fique muito atrasado com relação aos ponteiros, acho que o jogo será muito amarrado e a lógica é dar empate.

Só Alan Patrick criando no meio para Borges concluir, é pouco. A esperança é de que Borges e Zé Eduardo se entendam bem, o que não dá para prever.

E você, o que acha que acontecerá entre Santos e Avaí?

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As (más) explicações de Mano Menezes para não liberar Neymar e Elano

Quando quiseram saber por que liberou quatro jogadores e não fez o mesmo com Neymar e Elano, que estão na final da Copa Libertadores, Mano Menezes respondeu:

“Não podemos criar fantasmas. Sei da importância da Libertadores, mas não podemos subverter a ordem das coisas”.

Pera aí. Quer dizer que um amistoso caça-níquel da Seleção é mais importante do que a final da Libertadores para o time brasileiro que mais fez por esta mesma Seleção? Até por reconhecimento ao Santos e por respeito à sua história, a CBF e Mano Menezes deveriam colaborar com o Alvinegro Praiano na busca deste título histórico.

Duvido que ele falasse isso se ainda fosse técnico do Corinthians e estivesse sendo pressionado pelo presidente Andres Sanches e pelo departamento de marketing comandando por José Paulo Rosemberg, que apostaram todas as fichas do centenário do clube na conquista da Libertadores.

“Por que eu preservaria Neymar e Elano? Risco de contusão? A gente tem contusão até treinando”.

Que papinho. Enfrentar os vigorosos zagueiros da Romênia, que querem mostrar serviço, é o mesmo que fazer um bate bola? E por que correr riscos em amistosos inúteis? Só se for para manter o seu emprego como técnico da Seleção, Mano.

Ao falar sobre Neymar, disparou:

“Não vejo outra maneira de fazê-lo amadurecer do que colocá-lo para jogar com a camisa da Seleção. Ele já teve alguns problemas de experiência, o que é normal para um garoto. Mas não é a primeira vez que nasce um grande jogador no futebol brasileiro. Todos os outros confirmaram uma condição. Não será diferente com o Neymar”.

Quer dizer que um jogador só se torna maduro se veste a camisa da Seleção? Então, a maioria dos jogadores brasileiros são imaturos. Ora, Mano, inventa outra. Neymar amadureceu jogando no Santos. Seus três títulos conquistados com apenas 19 anos provam isso. Ele está sendo obrigado a jogar pela Seleção só para tentar segurar o seu emprego – injusto, por sinal, já que Muricy Ramalho, Luis Felipe Scolari e mesmo Vanderley Luxemburgo são melhores técnicos do que você. Bem melhores…

Você entendeu por que Mano Menezes não liberou Neymar e Elano?


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