Sim, o Santos estava perto de um recorde. Caso vencesse a Portuguesa, jogaria por mais um triunfo contra o Palmeiras para igualar a marca de 12 vitórias consecutivas, algo conseguido pela última vez em 1968, pelo time de Pelé.

Recordes têm a sua importância, claro, mas não significam nada perto de um título. E, pensando só no título paulista, o empate de 1 a 1 com a Portuguesa, neste domingo, no Canindé, foi ótimo. Deixou evidente que não basta ter o melhor time. É preciso estar concentrado o tempo todo. Sem esta qualidade, o Santos será mais uma dessas equipes que lideram o tempo todo uma competição, mas caem na reta final.

Quem leu meu comentário neste mesmo blog percebeu que usei basicamente duas palavras para prever o jogo de hoje. Nunca tive dúvidas de que a Portuguesa seria um adversário difícil, que se entregaria ao jogo de corpo e alma, com muita “garra”. Quanto ao Santos, ressaltei a necessidade de muita “atenção”.

Sim, porque um gol pode mudar totalmente o roteiro esperado para uma partida. E caso se aproveitasse de um cochilo da defesa santista e marcasse primeiro, obviamente a Lusa redobraria seus esforços para segurar a vantagem, ao mesmo tempo em que partiria com mais sede ainda nos contra-ataques.

Foi o que aconteceu. O gol de Heverton, aos 17 minutos do primeiro tempo, tornou um jogo que poderia ser até tranqüilo para o Santos, em um confronto dramático. E foi um daqueles gols bobos, em que a defesa parece dormir e assistir ao adversário. Para terminar, o chute saiu fraco, totalmente defensável, e Felipe caiu muito atrasado.

O gol da Portuguesa lembrou o primeiro do Uruguai contra o Brasil pela semifinal da Copa de 1970. Lá também a diferença de categoria era enorme, mas o Brasil começou como que preso ao gramado e numa bola lançada nas costas de Piazza, o gordinho atacante Luis Cubilla tentou cruzar e empurrou um chute fraco, cruzado, que o goleiro Félix deixou passar imaginando que sairia pela linha de fundo. Um frangaço, na verdade, que transformou a partida em uma epopéia, só definida no segundo tempo, com a vitória brasileira por 3 a 1.

O Santos não teve a felicidade de virar o jogo contra a Lusa, apesar de ter massacrado o adversário na segunda etapa. E mesmo o empate só veio no finzinho, quando a arte foi colocada de lado e o espírito de luta prevaleceu. Símbolo desse espírito, Zé Eduardo entrou e mais uma vez mostrou que pra ele não tem bola e nem jogo perdido.

Os santistas devem é agradecer à Portuguesa, que lhes ensinou, mais uma vez, que de nada adianta começar a jogar só depois que o adversário inaugura o marcador. Nem sempre dá para virar a partida e no fim fica o gosto amargo de se perder pontos em um jogo plenamente vencível.

O caminho até o final

Com as vitórias de Corinthians e São Paulo, ambos também integrantes do G4, começa a ficar delineada uma fase semifinal bastante equilibrada, na qual a vantagem anterior de pouco valerá. Para se checar ao título, o Santos ainda terá duras batalhas pela frente e a desatenção em alguns momentos da prtida, como aconteceu contra a Portuguesa, obviamente poderá ser fatal.

A tabela é bastante favorável à equipe de Vila Belmiro, que dos seis jogos que faltam, fará seis em casa, diante de sua torcida. Antes da fase mata-mata, teremos a oportunidade de ver o Santos em partidas nas quais terá tudo para brindar o público com belos espetáculos. Jogar bonito é bom e acho que o show santista deve continuar, mas precisa ser mais objetivo. É desgastante sair atrás e passar o tempo todo correndo atrás do resultado.

A próxima partida do Santos pelo Campeonato Paulista será contra o Palmeiras, domingo que vem, na Vila Belmiro. Estou certo de que a lição de hoje fará o time jogar melhor desde o começo. Em seguida, enfrentará o Ituano, no outro domingo, também na Vila. Depois, sairá para jogar contra o Botafogo. Voltará à Vila para receber o Monte Azul; sairá contra o São Caetano e por fim encerrará esta fase enfrentando o Sertãozinho, dia 7 de abril, quarta-feira, na Vila Belmiro.

Tudo indica que o Santos se manterá na liderança e assim poderá jogar as semifinais com a pequena vantagem dos “dois resultados iguais” e com o jogo de volta em seu campo. Porém, como o Palmeiras mostrou no ano passado, esta vantagem será inútil se o time não mostrar nos jogos decisivos a personalidade que se espera de um campeão.

Por mais que se valorize a arte e o talento, vejam que o jogador santista mais comemorado hoje nem é o mais habilidoso e nem ao menos jogou o tempo inteiro. Trata-se do batalhador Zé Eduardo, que entrou para evitar uma derrota já tida como certa.

E você, querido(a) leitor(a), acha que este empate veio na hora certa, ou você ficou triste com a perda da possibilidade do recorde de vitórias consecutivas? Que lições o Santos aprendeu no empate com a Portuguesa?