Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta

Hoje à tarde a volta de Robinho e a grande rivalidade entre Santos e Corinthians darão o maior ibope deste Campeonato Brasileiro.

Veja como os Meninos do Santos foram campeões na África do Sul:

Santos vence Benfica por 2 a 0 e é campeão em Durban

João Igor, o herói do título

A equipe Sub-19 do Santos, orientada por Pepinho, filho do grande Pepe, venceu o Benfica por 2 a 0, com dois gols de João Igor, que entrou no segundo tempo, e se tornou campeã do Torneio de Durban, África do Sul. Mais do que a vitória e o título internacional, os meninos do Santos espalharam alegria na África do Sul e sentiram um pouco do carinho que o grande Santos sentiu quando jogava pelos cinco continentes. Este é o destino do Santos – ser um time do mundo e cativar torcedores de todo o planeta. Isso foi esquecido ou abandonado, mas precisa voltar. Veja e se emocione com uma visita dos Meninos da Vila a uma escola de Durban:

Confira aqui a cobertura no site Supersports, da África do Sul

A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta


Quem não gosta de Robinho e de Neymar provavelmente não teria gostado de Garrincha

Quando voltou ao Santos, em 2010, Robinho, como todos sabem, estreou fazendo, de letra, o gol da vitória diante do São Paulo. Na saída, um repórter ouvia pequenos fãs que esperavam pelo autógrafo do ídolo. Entre os meninos, havia um com a camisa do São Paulo. O repórter lhe perguntou: “Mas você não é são-paulino? Por que quer o autógrafo do Robinho?”. Ao que o garoto, demonstrando uma espontaneidade e uma sabedoria que geralmente escapam das mesas redondas das tevês, respondeu, com um sorriso: “Ué, Robinho é Robinho, né?”.

É difícil encontrar essa mesma sensibilidade em um jornalista, mas há muito tempo conversei com um que a tinha. Não me lembro exatamente quem foi, mas me recordo em detalhes a sua expressão sincera e arrebatada ao falar da dificuldade de ser um jogador de futebol: “Pô, os caras analisam como se jogar futebol fosse fácil. Eu acho que uma das coisas mais difíceis do mundo é ser jogador de futebol. Já pensou entrar naquela estádio lotado, os caras querendo te arrebentar, e você ter de dominar a bola, correr, fazer jogadas, gols… Pô!… (ele sorria, sarcástico, como se interiormente completasse: “Esses caras não sabem de nada!”).

Veja o desafio a que Robinho se impôs: o de ser um artista, um criador de jogadas, um criativo em meio a um bando de burocratas militarizados com a faca dos dentes. Sim, pois hoje o futebol é isso. Trocentos zagueiros, trocentos volantes, todo mundo ajudando na marcação, todos com ordem de matar o contra-ataque adversário, nem que seja na porrada e só um ou outro para fazer o que o torcedor realmente quer, que é o drible, o gol, a irreverência. Robinho, meus amigos, é um sobrevivente.

É importante que haja jornalistas esportivos especializados em números e estatísticas. Também é interessante que existam outros essencialmente críticos, como se estivessem sempre mal-humorados. Das críticas sempre se tira algo proveitoso. Porém, se todos forem assim, as pré-históricas mesas-redondas da tevê virarão uma chatice. Foi o que ocorreu sexta-feira na ESPN.

Não me pergunte o nome do programa. Estava zapeando entre o clássico “O Encouraçado Potemkin”, um documentário sobre Luis Carlos Prestes e o jogo entre Roger Federer e David Ferrer, quando me deparei com o programa comandado pelo José Trajano. Falavam de Robinho. Fiquei pra ver. E percebi o que muitos leitores do blog também perceberam: a má vontade, a indiferença, a quase falta de respeito com um ídolo popular do nosso combalido futebol.

Clubismo? Falta de respeito com um ídolo do Santos? Não chegarei a tal ponto. Mas posso afirmar que se meus colegas de ESPN julgassem todos os jogadores brasileiros com a mesma severidade com que julgaram Robinho, sobraria muito pouca gente para contar a história.

Um jogador que está há nove anos na Europa – jogou três anos no Real Madrid, dois no Manchester City e está desde 2010 no Milan – e recebe um salário equivalente a um milhão de reais por mês, está muito longe de ser um fracassado. Não foi o número um do mundo, como queria, e como todos nós queríamos, mas daí a dizer que passou em branco pelo continente que tem os mais poderosos clubes do planeta, vai uma grande diferença.

Se usarmos o mesmo rigor para analisar a passagem de outros brasileiros pela Europa, como faríamos para definir o estágio de Sócrates, que jogou apenas um ano pela Fiorentina, em 1984/85 e em 25 jogos dez apenas seis gols (um a menos do que marcou pelo Santos em 1988/89)? Ou Junior, que entre 1984 e 1989 defendeu os pequenos Torino e Pescara e voltou para o Flamengo sem nenhum título, nem mesmo em torneios regionais? Ou Roberto Dinamite, que ficou apenas uma temporada no Barcelona (1979/78), fez 8 gols em 17 jogos e voltou correndo para o seu Vasco? Ou mesmo Zico, que defendeu apenas o humilde Udinese por dois anos e, por não receber proposta de nenhum grande europeu, voltou para o seu eterno Flamengo?

Está certo que nos quatro anos em que defendeu o Santos, Robinho fez mais gols (94) do que nos nove de Europa (81), mas mesmo assim seu desempenho no futebol europeu não pode ser desprezado. Foi seis vezes campeão, três pelo Real Madrid e três pelo Milan.

Sem contar sua participação na Seleção Brasileira, pela qual fez 102 jogos (8 pela Sub-23) e marcou 32 gols (3 pela Sub-23). Em 2007 foi artilheiro (6 gols) e considerado o melhor jogador da Copa América, vencida pelo Brasil. Também foi bicampeão da Copa das Confederações, em 2005 e 2009.

E Robinho é o tipo de jogador que não pode ser analisado apenas pelo currículo. Ele pertence a uma classe especial e em extinção, que é aquela que reúne os artistas, os palhaços, aqueles que fazem rir com arte. Ele, como Neymar, é da mesma estirpe de Garrincha, capaz de alegrar o povo sem fazer gol. É isso o que faz tão querido pelo torcedor comum, mesmo pelo adversário.

E veja que, ao contrário de Garrincha, Robinho levou o seu time, o Santos, a dois títulos brasileiros e a uma final da Libertadores, enquanto o título mais importante que o grande Mané ganhou com o seu Botafogo foram três estaduais. Por aí se vê que os números, o currículo, nem sempre definem a relevância da carreira de um jogador.

Na verdade, todos esses jogadores que citei foram grandes, enormes mesmo, para o futebol brasileiro, e é isso que mais deveria interessar aos jornalistas esportivos nesse momento de penúria, e não o desempenho que tiveram na Europa. Quem está com o pires na mão, quem não tem ídolos e nem jogadores carismáticos, quem vê seus times mais populares caindo pela tabela, o público se afastando dos estádios e da tevê, é o pobre futebol que já se considerou o melhor do mundo.

A volta de Robinho ao Brasil deveria ser saudada ao menos como um sinal de esperança, pois, ao contrário de outros que, como o salmão, sobem o rio e voltam às origens para terminar sua história, Robinho ainda tem físico e habilidade para mostrar um futebol que não se vê mais por aqui. E se Alex, aos 36 anos, pode ser uma das últimas reservas de categoria e inteligência que ainda se vê em nossos campos, Robinho ainda tem alguns anos de boa lenha para queimar.

Será que o Robinho está em forma?

E pra você, como a imprensa tem tratado a volta de Robinho?


Santos fará sua final de Copa do Mundo domingo, no Morumbi

Espanholização só pode dar Real ou Barça

Até minha mãe, dona Olímpia, torceu para o Atlético de Madrid. Por dois minutos e meio não deu. O Real Madrid é o melhor que o dinheiro pode comprar. Cristiano Ronaldo, Bale, Marcelo… Agora, quem sabe, só daqui a 40 anos. O Atlético está condenado a ser um eterno coadjuvante. Queremos isso para os outros clubes grandes do Brasil? Pense.

#naovaiterolimpiada – Minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro de Santos

a href=”http://www.metrojornal.com.br/nacional/colunistas/nao-vai-ter-olimpiada-93735

Antes que façam mais uma burrada, fiquem sabendo que os santistas não querem o caro e grosso Julio Batista. Não joguem mais dinheiro fora! Não façam dívidas que vocês não vão pagar!

http://youtu.be/RleW1WouGqE

Morreu Joel Camargo

odir e joel
Um dia feliz pra mim: quando pude entrevistar Joel Camargo para o Museu Pelé. Prefiro ficar com essa imagem do grande zagueiro (Foto: Aline Ribas/ Museu Pelé).

O amigo Vanderlei Lima, do UOL, acaba de me ligar para avisar que Joel Camargo, que estava internado na Santa Casa de Santos, morreu na manhã desta sexta-feira, aos 67 anos. Um dos mais clássicos zagueiros que o Santos teve, foi uma das “Feras do Saldanha” e participou de todos os seis jogos do Brasil nas Eliminatórias para a Copa de 70. Com a substituição de Saldanha por Zagallo, Piazza foi recuado para a quarta-zaga e Joel saiu do time. Não se considerava campeão do mundo, pois achava que “campeões são os que jogaram”. Mas Eliminatórias também fazem parte da Copa. Recentemente, ao entrevistá-lo para o Museu Pelé, lembrei-lhe que participou do jogo de maior público, oficial, do Maracanã: a vitória de 1 a 0 sobre o Paraguai que levou o Brasil para a Copa do México – 183.341 pagantes, em 31/08/1969. Chamado de “Açucareiro”, por carregar a bola com os braços abertos, Joel jogou no Santos de 1963 a 1971, fez 309 jogos pelo Alvinegro Praiano e marcou cinco gols. Nasceu em 18 de setembro de 1946 e começou no futebol aos 17 anos, na Portuguesa Santista. Depois do Santos defendeu o Paris Saint-Germain e o Saad. Ao pendurar as chuteiras trabalhou 20 anos como estivador do Porto de Santos e também deu aula de futebol em escolinhas. Morava com a filha e a netinha bem em frente ao Sesc de Santos. Seu velório está sendo realizado na Santa Casa de Santos. O enterro será nesta sexta-feira, às 16 horas, no Cemitério da Filosofia, no Saboó, em Santos.

Santos fará sua final de Copa do Mundo domingo, no Morumbi

Meus amigos e amigas, o futebol tem jogos que são verdadeiros divisores de águas. E domingo, às 16 horas, no Morumbi, Santos e Flamengo farão um desses. A vitória significará esperança, otimismo, enquanto a derrota trará crise e desespero. O time que estava indo bem, mas deixou escapar no mínimo um ponto contra o Atlético Mineiro e mais dois contra o Goiás, poderá se redimir em grande estilo em um Morumbi de tantas tradições santistas. Basta ter fé, força e futebol. É nessas horas que os jogadores de verdade aparecem e os enganadores borram los pantalones.

Como bem disseram alguns sábios comentaristas deste blog, eu poderia usar o mesmo título do jogo contra o Atlético Mineiro para a partida diante do Goiás. Mais uma vez o Santos estava indo bem, com a vitória nas mãos, mais uma vez a defesa foi pega desprevenida e mais uma vez dois jogadores abandonaram o campo por contusões musculares: Gabriel, o melhor atacante santista, que deverá fica no mínimo duas semanas afastado, e Renato, que mal estreou, já sentiu o esforço.

Na verdade, o que o ataque fez, a defesa desfez. O estreante Renato estava indo bem, mas acabou errando o passe que deu o gol de empate ao adversário. Apesar das falhas, o Santos ainda poderia ter vencido. Em cima da hora Victor Andrade ganhou jogada na entrada da área e serviu Stéfano Youri, que perdeu o gol diante do bom goleiro Renan. Uma pena. Seria uma vitória que manteria o time próximo da ponta da tabela. Agora é vencer ou vencer.

Caiu-se em uma rotina que incomoda o torcedor. Ele não confia mais em alguns jogadores e muito menos no técnico Oswaldo de Oliveira. Mas isso pode mudar com uma boa vitória domingo. Por isso, se eu fosse jogador do Santos, comeria a grama do Morumbi em busca dessa vitória. E como sou apenas um aficionado, estarei nas arquibancadas gritando pelo time.

Meus amigos, a garra é importante. Tanto, que nesta quinta-feira, ao gravar as holografias para o maior museu já dedicado a um desportista no mundo, o Museu Pelé, o Rei do Futebol confessou-nos que antes de ir para o campo dizia a seus companheiros que se não desse na técnica, a vitória tinha de vir na garra. E perceba que quem falava isso era o jogador mais técnico que já surgiu nessa parte da galáxia.

Portanto, santistas, de Aranha a Geuvânio: joguem com inteligência, técnica, mas também muita vontade neste domingo, para buscar diante do Flamengo esse triunfo que pode colocar o Santos em um caminho mais suave neste Campeonato Brasileiro. Vençam, e serão recompensados. Percam, e sentirão mais uma vez a crueldade do torcedor.

111.111 torcedores viram esta vitória do Santos de Serginho sobre o Flamengo de Zico:

Ingressos para o grande jogo

No auge da explosão de sua torcida, o Santos atraiu 225.592 torcedores em dois jogos contra o Flamengo, no Morumbi, disputados em um intervalo de apenas três meses e meio. Em 2 de fevereiro, venceu por 3 a 2, diante de 111.111 pessoas, e em 22 de maio, no primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro, venceu novamente, desta vez por 2 a 1, com um público de 114.481 espectadores.

A decisão do Brasileiro de 1983, como se sabe, marcou um recorde de público da competição, com 155.523 pessoas – Maracanã, 29 de maio de 1983. Portanto, estamos falando de um jogo que tem grande tradição de público, sem contar a importância técnica. Ninguém esquece, por exemplo, o lendário 5 a 4 que o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho impôs ao Santos de Neymar em plena Vila Belmiro, no Brasileiro de 2011.

Enfim, Santos e Flamengo são daqueles jogos em que sempre se espera algo especial, mesmo numa de pouco brilho como esta que o futebol brasileiro está vivendo. Por isso, se o torcedor do Santos estava esperando uma oportunidade para exercer a sua paixão pelo Alvinegro Praiano, ela chegou. O clube está colaborando e reduziu o preço dos ingressos. Vamos todos ao Morumbi.

A comercialização de ingressos para os associados será feita pelo www.sociorei.com.br até às 15 horas deste sábado. As arquibancadas amarelas custam 5 reais e as vermelhas, 10 reais. Donos de cadeiras cativas, especiais e camarotes também podem reservar os bilhetes pelo site.

Postos de venda da Baixada Santista e São Paulo

Vila Belmiro – Rua Princesa Isabel, s/ nº – Santos.

Ginásio do Ibirapuera – Av. Manoel da Nóbrega, 1361 – Ibirapuera – São Paulo – Aberto de segunda a sábado, das 11h às 17h.

Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi) – Pça. Roberto Gomes Pedrosa, s/nº – São Paulo. Na venda antecipada, das 11h às 17h, bilheteria 02.

Pacaembu: Praça Charles Miller s/n – São Paulo – Bilheteria principal (próxima do portão principal).

Estádio Anacleto Campanella (São Caetano): Avenida Walter Thomé, 64 – São Caetano do Sul.

Alexi Calçados – Av. Ana Costa, 549 (Shopping Parque Balneário, 51, Térreo) – Tel: (13) 3284-5518. Aberto de segunda a sábado, das 10h às 21h.

Ali-Car Auto Peças, Serviços Mecânicos, Elétricos, Injeção Eletrônica e Correias Industriais – Socorro 24 Horas – Via Santos Dumont, nº 752 – Vicente de Carvalho – Guarujá – Tel.: (13) 3352-5077– Aberto todos os dias 24 horas.

Empório Brasil Esportes – Rua Jacob Emmerick, 448 – Centro – São Vicente – Tel.: (13) 3467-5298 – Aberto das 9h às 19h, de segunda a sábado.

Pepino Esportes do Super Centro Boqueirão – Rua Oswaldo Cruz – loja 66/95 – Santos – Tel.: (13) 3233-8850 – Aberto de segunda a sábado, das 9h às 20h.

Santos na Área (Gonzaga/Santos) – Avenida Ana Costa, nº 519 – Praça Independência/Gonzaga – Santos

Santos na Área (Praia Grande) – Av. Ayrton Senna, 1511, Lj 37 – Litoral Plaza Shopping – Intermares – Praia Grande – Tel (13) 3491-4614 – Aberta de segunda a sábado das 10h às 22h.

O que você espera de Santos e Flamengo, neste domingo, no Morumbi?


Neymar x Zico, a preguiça contra o Sorocaba, Montillo, Palmieri…

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A torcida Coração Santista, de Piracicaba, espera a vagarosa cobrança de uma falta para a área do Atlético Sorocaba (Foto enviada pelo leitor Antonio da Silva)

Zico mudou de ideia e agora acha que Neymar deve ir para a Europa. Pois eu acho que Zico tem mentalidade de colonizado, e por isso abandonou o Flamengo, onde era rei, para amargar alguns anos na medíocre Udinese, em troca de um dinheiro que hoje seria uma mixaria. E o que ele aprendeu na Europa? A perder pênaltis decisivos? Desculpe…

Ora, costumo tratar os ídolos com o devido respeito, mas quem quer ser respeitado, precisa respeitar antes. Essa mania de todo mundo dar palpite na vida de Neymar já encheu os pacotes. E o pior é que a gente percebe de cara que o conselho para que o Menino de Ouro vá para a Europa esconde a vontade de vê-lo estrebuchar por lá, como já aconteceu e ainda acontecerá com muitos talentos brasileiros.

O que a Europa pode ensinar? A levar porrada por trás e sair de campo de maca enquanto o adversário nem recebe cartão amarelo? Pergunte ao Lucas se a vida no PSG tem sido a maravilha que ele, ingenuamente, sonhou.

Para não ficar nas suposições, pensemos nas hipóteses mais lógicas caso Neymar decida ir para o Barcelona. Lá ele será mais ídolo do que Messi? Óbvio que não. Só mesmo quando Messi parar, daqui a uns seis ou sete anos… Enquanto isso, Neymar será um coadjuvante, talvez menos importante do que Messi e também de Xavi. Messi lhe passará a bola? Ele passará para Messi? O técnico o manterá em campo depois de ele tentar driblar duas ou três vezes e estragar o contra-ataque? Claro que não! Sem contar que a arbitragem deixa o jogo rolar, não é qualquer choque que é falta por lá. E se começar a encenar, será vaiado a cada jogo…

Sem ser alarmista, caso decida mesmo ir, vejo Neymar no banco do Barcelona, para entrar no time quando Messi estiver cansado, ou então jogando pela esquerda, deixando o argentino armar pelo meio. Messi tem estabilidade na firma. Neymar será um novato.

Por que o Barcelona investiria tanto para deixar Neymar no banco? Ora, esta não é apenas uma questão do Barça, mas do futebol europeu. Manter no banco, ou em situação de subalterno, um jogador que é tido como o melhor além da Europa, mostrará ao mundo o quanto o futebol europeu é superior e acabará de vez com a crescente concorrência do futebol brasileiro.

Não quis ser duro nesse texto. Neymar sabe que gosto dele e o respeito, mas é assim que eu vejo, de uma maneira tão clara que pareço estar diante de uma tela 3D. Tenho medo da Europa? Não. A palavra é indiferença. Enquanto o sonho de um jovem craque brasileiro for vencer lá longe de seu país, o Brasil jamais voltará a ter o melhor futebol da Terra.

Que falta de apetite!

Tudo bem, os três pontos vieram. Mas era preciso passar sufoco contra o Atlético Sorocaba? Aliás, o que é esse Sorocaba? Com todo o respeito, é um bando de catados que se reúne para o Campeonato Paulista.

Se a diferença abissal de salários e de infraestrutura não é capaz de fazer os santistas jogarem com vontade e mostrarem, nos gols, a distância que os separa de adversário tão modesto, então o que justifica investir tanto em jogadores que no frigir dos ovos não passam de um Atlético de Sorocaba melhorado?

O caso é que o Santos não esqueceu o seu DNA apenas na formação tática de Linha Maginot preconizada pelo comandante Muricy Ramalho, que após achar um golzinho põe todo mundo atrás da linha da bola para impedir a progressão do oponente. O Santos também está perdendo o tesão de marcar gols, de encher o balaio do adversário – uma das maiores alegrias do torcedor santista.

Então, após linda jogada de Arouca – um dos que sempre quer jogo – Montillo marcou de cabeça e espantou a uruca. Bem que no meio da semana o gringo disse que queria treinar mais. Há jogadores que realmente só se sentem seguros com treinos constantes. Está na hora de os times de futebol tratarem cada atleta com a carga de exercício técnico e físico que ele necessita.

Mas, com o gol, o Santos ficou naquela de “se eles não fizerem nada, a gente também não faz e ganha o dinheiro no mole”. Surpreendentemente Cícero deu lindo drible e serviu para André marcar o segundo. Aí a coisa piorou. O Santos parou de jogar e, o que é pior, de marcar.

O Sorocaba entrava como queria pela defesa. Como volante, Cícero foi nulo. Levou dribles infantis e não mostrou recuperação. E de tanto tentar, o Sorocaba achou mais do que uma avenida, achou uma planície imensa e desértica no meio da defesa do Santos, e fez o seu gol. Não culpemos Renê Junior por não ter cortado a bola, por favor. Um volante não pode ser o último homem. Cadê a dupla de zaga? Onde estavam Edu Dracena e Durval, que não têm saído na foto nesses gols que o Santos voltou a tomar pelo meio de sua defesa?

Depois o time acordou e, principalmente após as entradas de Patito e Felipe Anderson, segurou a bola no ataque e garantiu o sofrido 2 a 1. Foi bom, mas, além da preguiça, o time mostrou uma preparação física capenga. Onde já se viu um garoto como Émerson Palmieri sair de campo com cãibras? Cãibras não são contusão, mas falta de condicionamento físico!

Porém, como os zilhões de santistas do Universo já diziam, Émerson foi bem melhor do que Guiherme Santos, que Muricy manteve por oito tenebrosos jogos como titular da lateral-esquerda. Mais uma prova de que no futebol a voz do povo é mesmo a voz de Deus. Que venham mais garotos! Ao menos eles têm mais fome de gols!

Bem, dei a minha. Agora quero conhecer a sua opinião!


A falácia da Europa e os idiotas da subjetividade

Comandados pelo locutor de futebol que se acha também repórter, comentarista e, de vez em quando, Deus, o bloco Idiotas da Subjetividade defende que Neymar só será um jogador de verdade se for para a Europa. Não há nenhum argumento plausível que justifique essa tese, a não ser o de esconder o próprio Neymar – hoje o maior ídolo do futebol sul-americano – e diminuir o Santos, time que atrapalha os planos de certa TV que quer espanholizar o futebol brasileiro.

Se jogar na Europa aumentasse a chamada “qualidade” nos jogadores, como se explica que de 1958 a 1970, em 12 anos, o Brasil tenha conquistado três Copas do Mundo, com todos os jogadores em atividade no País (titulares e reservas) e nos 39 anos seguintes, quando começou o êxodo dos craques nacionais para o velho continente, só duas Copas tenham sido conquistadas, e mesmo assim na bacia das almas?

Como explicar que os grandes ídolos dos clubes brasileiros jamais tenham vestido a camisa de um clube europeu? Casos de Pelé, Coutinho, Pepe, Tostão, Ademir da Guia, Dudu, Dirceu Lopes, Reinaldo, Rivellino, Gérson, Garrincha, Nilton Santos, Mauro Ramos de Oliveira, Gylmar dos Santos Neves, Leônidas da Silva, Friedenreich, Ademir de Menezes…

E que outros, mesmo tendo jogado na Europa, tiveram a melhor fase de suas carreiras no Brasil? Casos de Zico, Sócrates, Júnior, Roberto Dinamite, Pita, Careca, Diego, Robinho, Luís Fabiano, Giovanni, Luis Pereira, Marinho Perez, Nilmar…

Sim, alguns brasileiros jogaram melhor na Europa, como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Kaká, Falcão… Mas, além de serem exceções, não mostraram esse progresso quando voltaram a atuar no Brasil. Portanto, o futebol brasileiro não ganhou nada com a saída desses jogadores.

A tese de que enfrentar zagueiros mais duros fará o futebol de Neymar melhorar não tem o menor sentido. Ou melhor: é totalmente subjetiva. E idiota. Pelé não precisou jogar na Europa para saber como lidar com os zagueiros europeus, a quem fez bailar incansavelmente nos Mundiais de 1958 e 1970. Sem contar o Mundial de Clubes de 1962, em que marcou cinco gols contra o campeão europeu Benfica em apenas dois jogos. E sem contar, ainda, a infinidade de jogos contra equipes européias em torneios internacionais.

A próxima Copa será no Brasil, com o ambiente, a torcida, o clima favoráveis a boas exibições da Seleção Brasileira. Que o técnico faça o óbvio e que os jogadores tenham apenas a liberdade de mostrar o verdadeiro futebol brasileiro. O resto será conseqüência.

Você acha que a Europa ajuda a melhorar o futebol do jogador brasileiro?


A Europa foi um atraso para as carreiras de Zico e Sócrates


Zico e Sócrates: dois exemplos de ídolos brasileiros desvalorizados no futebol europeu.

Ontem o presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro, enviou nota à imprensa reafirmando que, para o clube, Neymar é inegociável. A atitude de Luis Álvaro foi oportuna, já que alguns clubes europeus acham que é só chegar aqui, na feira livre da América Latina, e levar quem quiser.

Para variar, um jornal paulistano tinha anunciado que o Real Madrid vinha “buscar” Neymar, como se fosse apenas chegar e pegar. A imprensa espanhola noticiava que lá Neymar teria de cortar o “ridículo” cabelo moicano. Ou seja, nem contrataram e já querem pasteurizar o ídolo santista, cujo estilo de cabelo inspira a tantos garotos.

Já disse e repito que a ida de Neymar para a Europa, agora, às vésperas de um Mundial de Clubes da Fifa e a três anos da Copa do Mundo no Brasil, seria um erro estratégico tremendo. O Santos perderia demais, mas a perda também seria grande para o futebol brasileiro e, principalmente, para o próprio Neymar.

Mas como Neymar perderia?, perguntariam os dinheiristas. E eu teria de explicar que nem todas as perdas são materiais. Um sujeito que se perceba no fim da vida e analise tudo o que fez de importante, não vai se gabar – a não ser que seja um idiota – de ter juntado uma fortuna incalculável.

Ele vai querer se lembrar das coisas efetivamente relevantes que fez, que deixou para as novas gerações; vai se lembrar das pessoas que cativou e o amam de verdade; vai se lembrar, enfim, do que foi e é realmente essencial e do que não acabará quando ele for para o caixão.

Zico marcou passo na pequena Udinese

Com exceção de Pelé, Zico foi o maior ídolo do futebol brasileiro. Se ele fosse tirado da história do Flamengo – como alguns energúmenos gostam de sugerir que se faça com Pelé no Santos – o grande rubro-negro perderia 80% de seus títulos importantes. Sim, com Zico e devido a ele, o Flamengo ganhou um título mundial, uma libertadores, quatro brasileiros, sete campeonatos cariocas, nove taças Guanabara, além de inúmeros torneios.

Quem gosta de futebol, torcedor de que time for, tem de tirar o chapéu para o Galinho de Quintino. Eu tiro. Ótimo, mas o que aconteceu com Zico quando saiu do Flamengo para ir para a Udinese, da Itália, em 1983, aos 30 anos?

Nada. Na verdade, tirou leite de pedra de um time pequeno que ele carregava nas costas e que nos três anos em que esteve lá ganhou apenas um torneio quadrangular em Udine. Ao voltar para o Flamengo, em 1985, Zico ainda teve de responder a acusações de sonegação de imposto de renda na Itália.

Como se cuidava, o Galinho acabou jogando até os 41 anos, cumprindo suas últimas cinco temporadas no Kashima Antlers, do Japão. Como não conseguiu ser campeão do mundo pela Seleção Brasileira, apesar de participar das Copas de 1978, 82 e 86, suas melhores lembranças como jogador são do tempo do Flamengo. No total, marcou 826 gols na carreira.

O dinheiro de sua negociação com a Udinese sumiu. Como se sabe, o Flamengo é o clube com a maior dívida da América do Sul e só não fecha porque o país é controlado pelo populismo, o que faz dele e de outro clube paulista considerado “de massa” os protegidos do poder político.

Hoje um técnico de prestígio internacional, dono de um centro de treinamento, Zico deve estar montado na grana. Porém, se pudesse voltar atrás, jamais teria saído do Flamengo para a obscura Udinese. Chega a ser constrangedor lembrar que um dos maiores ídolos do futebol brasileiro saiu daqui para jogar em um time de terceira categoria na Itália, mesmo país que causou a maior tristeza a este mesmo Zico ao eliminar o Brasil na Copa de 1982.

Sócrates perdeu tempo e prestígio na Fiorentina

Sócrates, torcedor do Santos desde criancinha, divide com Rivelino a condição de melhor jogador da história do Corinthians. Ganhou apenas três títulos paulistas nos seis anos que ficou no Parque São Jorge (menos do que o Pará e Zé Love ganharam em um ano e meio de Vila Belmiro), mas, para os padrões corintianos, foi um verdadeiro deus. Pois bem. Em 1984, com 30 anos, transferiu-se para a Fiorentina, um time médio da Itália, e fracassou rotundamente.

O estilo do doutor não casou com o sistema tático da equipe, lá seus discursos pseudo-filosóficos não tinham efeito, como na imprensa baba-ovo que o decantava no Brasil. Resultado: em pouco tempo, brigava para ser titular. Em 25 jogos fez apenas seis gols e após um ano estava de volta, desvalorizado.

Ainda jogou dois anos no Flamengo (25 jogos, seis gols) e decidiu abandonar a carreira. Depois, mudou de idéia e jogou mais um ano no Santos, marcando sete gols em 23 partidas. Saiu da Vila Belmiro demitido por indisciplina.

Magro, com bom condicionamento físico, Sócrates poderia ter prolongado sua carreira e hoje seria muito mais respeitado caso não tivesse seguido o senso comum e trocado o Corinthians pela Fiorentina.

Rivelino foi se esconder na Arábia Saudita

Em 1978 Rivelino trocou o Fluminense pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita. Após ter sido o maior craque da história do Corinthians – que defendeu de 1965 a 1974, sem ganhar nenhum título – e de sair escorraçado para o Fluminense, pelo qual conquistou dois cariocas, ele resolveu ganhar dinheiro no Oriente Médio.

Lá ficou três longos anos. Acabou não se adaptando ao país e voltou correndo quando percebeu que o príncipe local, um tipo que não gostava de ser contrariado, estava dando em cima de sua mulher.

Do tempo em que esteve lá não se soube nada sobre Rivelino no Brasil. Diziam até que estava jogando tão bem, que poderia jogar tranqüilamente na Seleção Brasileira. Mas nunca mais foi convocado.

Resumo da ópera

Nos anos 80 os melhores jogadores brasileiros passaram a ser vendidos para o exterior por qualquer dinheiro e para qualquer time. Qualquer coisa que ofereciam era muito superior aos salários no Brasil.

Titulares da Seleção Brasileira aceitavam jogar em equipes de segunda e terceira categorias. Tudo pela grana. E o pior é que o dinheiro dessas transações quase sempre sumia, desviado por dirigentes corruptos, e o clube ficava ainda mais pobre do que antes, já que perdia o atrativo do ídolo.

Os exemplos são incontáveis. Mesmo quando a mudança era boa para o jogador, era péssima para o seu clube no Brasil, que nunca mais voltava a ter o mesmo prestígio – caso de Falcão, por exemplo, que se tornou campeão pela Roma, enquanto o seu Internacional entrava em decadência.

Assim, como bem respondeu o presidente Luis Álvaro ao comentarista Caio Ribeiro, no programa Arena Sportv, o Santos não está deixando passar nenhuma oportunidade de ouro de receber caminhões de dinheiro por Neymar e Ganso, porque, em primeiro lugar, o Santos não é um banco, não é uma instituição financeira cujo maior objetivo é ter lucro.

O Santos é um time que, ad eternun, quer ter bons jogadores e ganhar títulos. O dinheiro serve para que? Para contratar bons jogadores e ganhar títulos? Ora, se o Santos já tem os bons jogadores e com eles está conquistando títulos importantes, por que trocar isso por dinheiro?

Se o Flamengo de Zico, o Corinthians de Sócrates, o Fluminense de Rivelino e o Internacional de Falcão fossem dirigidos por pessoas que enxergassem o óbvio, certamente não teriam se desfeito de seus maiores ídolos. Pois os jogadores excepcionais não podem ser resumidos em números, mesmo aqueles cheios de zeros. Eles são astros, anjos, dádivas dos deuses, e como tal devem ser tratados.

O que você achou da nota oficial do Santos dizendo que Neymar é inegociável? Será que o garoto terá sensibilidade para entender que ele é bem mais útil aqui?


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