Blog do Odir Cunha

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A Coca-Cola é de Atlanta

santos coca

Estava aqui pensando no Santos e não sei porque cargas d’água me veio à mente a Coca-Cola. Sei que em princípio um não tem nada a ver com a outra, mas se o assunto for marcas que querem se estabelecer no mercado internacional, então há muito em comum. Como se sabe, a Coca-Cola foi criada pelo farmacêutico John Pemberton em 1884, na cidade norte-americana de Atlanta. Um detalhe: Atlanta tem 480 mil habitantes, apenas 40 mil a mais do que Santos.

Todo mundo sabe que primeiro Pemberton criou uma bebida alcoólica, mas o puritanismo vigente fez com que tirasse o álcool e chegasse à fórmula da bebida mais consumida pela humanidade, presente em mais de 200 países, que em 2010 foi considerada pela consultoria Interbrand a marca mais valiosa da Terra.

Pemperton morreu antes de ver o sucesso estrondoso de sua invenção, que sofreu ajustes e ganhou ousadas e bem-sucedidas ações de marketing até começar a decolar e ganhar o mundo. Hoje os números da empresa crescem em uma progressão geométrica.

Com cerca de 150 mil funcionários, só em 2011 a Coca-Cola vendeu mais de 1.7 bilhões de copos, e apenas no quarto trimestre de 2012 a empresa cresceu 13%, com faturamento de 1,87 bilhão de dólares. Mais algumas curiosidades:

– A Coca-Cola é dona de aproximadamente 500 marcas, com as quais produz mais de 3,5 mil bebidas diferentes. Isso significa que, se você quisesse experimentar uma bebida nova por dia, levaria cerca de 9 anos para provar todos os rótulos da empresa.

– O logotipo da Coca-Cola é conhecido por mais de 94% da população da Terra. Isso faz dela a marca mais reconhecida no mundo.

– Coca-Cola gasta mais em publicidade do que a soma investida pela Microsoft e pela Apple juntas. Em 2010, o orçamento da empresa teria sido de 2,9 bilhões de dólares, enquanto a Microsoft investiu 1,6 bilhão de dólares e a Apple teria gastado 691 milhões de dólares no mesmo ano.

– A Coca-Cola levou 48 anos para vender seu primeiro bilhão de galões. Atualmente, essa mesma quantidade é vendida a cada sete meses.

– Sete mil produtos da Coca-Cola são consumidos por segundo ao redor do planeta.

Atlanta é a sede, mas a Coca-Cola está em todo o mundo

É claro que Atlanta tem o maior orgulho de ser a cidade de origem da Coca-Cola e ainda abrigar o coração da empresa. Porém, todos em Atlanta sabem que o crescimento da marca está diretamente ligado à sua expansão pelo mundo. Ninguém lá defende que “a Coca-Cola é de Atlanta”, primeiro porque sabe que sempre será, e depois porque tem plena consciência de que se os seus produtos só forem consumidos na cidade, se os acionistas da empresa forem todos de Atlanta, a marca terá um alcance apenas regional e deixará de ser a bebida mais consumida na maioria dos países da Terra.

E os cidadãos e as cidadãs de Atlanta nem reclamam de as maiores fábricas da empresa não estarem na cidade. A maior fábrica está no México, país que mais consome Coca-Cola no mundo, e outra das maiores fica aqui na nossa vizinha Jundiaí, com quase 180 mil metros quadrados, que produziu 1,7 bilhão de litros em 2013.

Veja que tudo depende dos objetivos e dos horizontes aos quais uma marca se propõe. Mas isso serve para o futebol? Ande pelas ruas e veja as crianças brasileiras com camisas do Barcelona e tenha certeza que sim. Você pode fazer o melhor caldo de cana da feira do seu bairro, ou pode sonhar produzir um refrigerante mundial à base de cana-de-açúcar. Tudo dependerá de seus sonhos e de sua capacidade de torná-los realidade.

Nosso Santos está em uma encruzilhada. Era para ele ficar quietinho no seu canto, apenas incomodar os grandes de São Paulo de vez em quando e viver, indefinidamente, nesse confortável limbo. Mas eis que surgiu um dirigente visionário como Athié Jorge Cury, gerações sucessivas de virtuoses, entre eles o Rei Pelé, e agora veio o impasse: crescer, ganhar o mundo, refrescar o futebol com sua arte e ousadia, ou recolher-se ao seu cantinho, ao seu velho estádio centenário e viver de seu glorioso passado? Que decisão tomaria um cidadão, ou uma cidadã, de Atlanta?

Vai uma Coca-Cola? Ou você prefere um caldo de cana?


De grão em grão a galinha enche o papo

Como escrevi no último post, fiquei com a convicção de que os dois gols do Linense nasceram de jogadas irregulares: no primeiro, não foi pênalti, já que o zagueiro Werley toca primeiro na bola enquanto o adversário está gritando e voando pelos ares. No segundo, a bola não saiu para escanteio. Não consegui ver o teipe do segundo lance, mas um amigo da Magma Editora, por sinal corintiano, me assegurou que a bola realmente não saiu. Então, mesmo sabendo que errar é humano, me bate a dúvida: o que fez o árbitro Douglas Marques das Flores errar duas vezes contra um time grande, diante de um pequeno, em pleno Pacaembu?

Lembro que o pênalti sobre Ricardo Oliveira, no clássico com o São Paulo, na Vila Belmiro, foi de uma transparência ofuscante, e nada foi marcado pelo árbitro Leandro Bizzio Marinho. Ao mesmo tempo, recordo-me também da atuação mais desastrosa da arbitragem neste Campeonato Paulista, a de Marcelo Prieto Alfieri, que deu um pênalti inexistente e outro discutível na vitória do Corinthians sobre o Botafogo por 2 a 1, no Itaquerão.

Agora presto atenção na tabela do campeonato e o que percebo? Que com aquele pênalti sobre Ricardo Oliveira, no clássico – desde que convertido, é claro – e sem ao menos um dos dois pênaltis com que o generoso Marcelo Alfieri presenteou os corintianos, o Santos seria líder absoluto na classificação geral. Teria 19 pontos e seis vitórias em sete jogos, enquanto o alvinegro paulistano, sem ao menos um pênalti contra o Botafogo, teria 14 pontos e cinco vitórias em seis jogos. Ou seja: mesmo que vencesse a partida que tem a menos, o time das duas âncoras ainda ficaria dois pontos atrás do Glorioso Alvinegro Praiano.

Veja que estou me concentrando em apenas duas partidas com critérios estranhos na hora de se marcar, ou não, penalidades máximas. E partidas, que, coincidentemente, acabaram favorecendo o time que já vem sendo privilegiado pela TV, pelo governo, enfim, pelo status quo do futebol. Isso é irrelevante? Da forma como o Campeonato Paulista é disputado, esses erros positivamente não são nada irrelevantes. Ao contrário.

Todo mundo está vendo que, pela lógica, os clubes grandes chegarão às semifinais e, muito provavelmente, o Alvinegro de Itaquera, uma boa equipe, diga-se de passagem, alcançará a decisão. Não sei se estou sendo otimista demais, mas creio que o nosso Santos, pelo poder ofensivo, também tem boas chances de chegar à final. Então, o critério para se saber que time fará a segunda partida em seu campo será a campanha durante toda a competição, o que faz com que cada ponto ganho ou perdido nesses jogos aparentemente sem importância, sejam fundamentais lá na frente.

Sabemos tudo o que acontece, ou pode acontecer, em uma final jogada no campo de um adversário valoroso e que faz de tudo para conquistar a vitória. Sabemos que a arbitragem dificilmente seria neutra em uma decisão de título no incandescente Itaquerão. Por isso, acredito que a decisão do campeonato talvez já esteja sendo jogada desde já, construída nesses “pequenos” erros de arbitragem que se sucedem a cada rodada.

Espero, sinceramente, que o santo do Junior tenha baixado em mim e eu esteja vendo coisas, mas a verdade é que não estaria escrevendo este post se já não pressentisse algo no ar. Décadas acompanhando o Campeonato Paulista nos faz perceber quando, técnica à parte, o imponderável do futebol caminha para favorecer este ou aquele time. Bem, fiquemos de olho. Tem árbitro vendo demais, enquanto outros fingem que não enxergam.

Você não acha que essas arbitragens estão muito estranhas?


Árbitro e Enderson complicam, mas Robinho garante a festa

voo de robinhoRobinho voou no Pacaembu. Aqui, no primeiro gol (Ivan Storti/ Santos FC).

Acabo de chegar do Pacaembu. Que festa! Quantas crianças! Que noite gloriosa! A vitória foi boa e o Santos poderia ter vencido o Linense com mais tranquilidade não fossem os erros da arbitragem e a má substituição de Valencia por Elano, quando o time ganhava por 3 a 0. O público foi bom e melhor do que o noticiado. Tem gato na tuba nesse negócio de renda e arrecadação no Pacaembu. Mas primeiro vamos falar do jogo.

Robinho mais uma vez desequilibrou, com dois belos gols – um no começo e um no final do jogo – e o passe para Ricardo Oliveira participar do terceiro (que a arbitragem deu para o goleiro Anderson, contra). Mas o melhor e mais habilidoso jogador do time continua sendo Lucas Lima, um armador que já merece chance na Seleção Brasileira.

Outros destaques positivos do Santos foram Geuvânio, autor de algumas boas arrancadas; Renato, que fez, de cabeça, um de seus raros gols com a camisa do Santos; Ricardo Oliveira, que enquanto teve fôlego se apresentou mais para o jogo e fez grande jogada no terceiro gol; Valencia, que fez uma boa estreia; Lucas Otávio, que deu mais segurança ao meio-campo quando a vitória corria perigo, e Gabriel, que entrou nos últimos 10 minutos, mas puxou contra-ataques, criou jogadas e sacudiu a inércia ofensiva do time.

Mas há críticas a serem feitas. Desta vez a defesa dormiu no ponto. Werley e David Braz deram algumas pisadas de bola. Muitos torcedores com os quais conversei querem Gustavo Henrique de volta na zaga. Elano, como eu já disse, tem sido um jogador figurativo. Sua contratação está se revelando um grande erro. Por mais que Ricardo Oliveira tenha melhorado, é difícil saber que um jogador rápido e artilheiro como Gabriel está no banco de reservas.

O técnico Enderson Moreira tem de encontrar o meio termo ideal entre a experiência e a juventude. Em alguns momentos da partida parece que o time recua para ganhar fôlego, e justo nesses momentos passa a ser pressionado pelo adversário. A entrada de mais dois ou três meninos pode dar ao time uma configuração mais equilibrada.

O Santos vencia por 3 a 0 até metade do segundo tempo e tudo estava tranquilo quando Enderson Moreira cismou de tirar Valencia e colocar Elano. Não há nenhuma dúvida sobre a categoria de Elano com a bola no pé, mas se ele nunca foi um jogador de grande mobilidade, agora está estático. Não marca ninguém e não tem mais fôlego para ajudar o ataque e voltar para fechar o meio-campo. Consequência: o Linense dominou o setor central e passou a apertar a defesa santista.

O árbitro Douglas Marques das Fores viu um pênalti contra o Santos aos 23 minutos, em jogada na qual o santista atinge primeiro a bola. Na Europa não dariam. Cinco minutos depois ele deu escanteio em uma bola chutada por Werley que não parece ter ultrapassado totalmente a linha de fundo. O Linense, que já estava entregue, aproveitou os presentes e diminuiu para 2 a 3, tornando o jogo quase dramático.

Confesso que esse tal senhor Flores não estava me cheirando bem desde o primeiro tempo. Como sempre tem acontecido nos jogos do Santos, o adversário pode cometer faltas duras, parar jogadas intencionalmente, e nada de cartões. Mas para os santistas, a tolerância é zero. Não sei se é recomendação dar cartão amarelo a quem comemora gol no alambrado, mas só posso dizer que o cartão a Robinho, logo aos 7 minutos de jogo, é o tipo de coisa brochante para o espetáculo futebol.

Creio que seja tudo uma questão de bom senso. Admito que em alguns estádios há o risco de o alambrado vir abaixo, como ocorreu quando Ronaldo comemorou o seu primeiro gol ao voltar ao Brasil. Mas é só comparar o peso de Ronaldo e o de Robinho para constatar que o reforçado alambrado do Pacaembu jamais sofreria algum risco com a rápida comemoração do atacante santista. Punir o artilheiro, o ídolo, aquele que dá espetáculo e atrai pessoas ao estádio, justamente no seu momento de maior alegria, é sacanagem.

Público maior do que o anunciado

Lá pelos 35 minutos do segundo tempo, eu, meu irmão Marcos e o Iai, primo da Suzana, olhamos com atenção todos os departamentos do Pacaembu e fizemos projeções de quanto daria o público. Veja bem que eram três pessoas, que conhecem bem o estádio, analisando a porcentagem de lugares ocupados em cada departamento do Pacaembu que, segundo dados oficiais, tem uma capacidade de 38 mil pessoas.

Chegamos à conclusão de que o estádio tinha cerca de metade de seus lugares tomados. Mas, em dúvida, para não dizer que fomos otimistas, concordamos que 40% da lotação seria o mínimo possível. Então, teríamos 15.200 pessoas, certo? Errado. O placar eletrônico anunciou o público e lá estavam 10.954 pagantes, com 13.118 no total, dois mil a menos do que nossos cálculos. Com renda de R$ 324.680,00

De qualquer forma, pelas informações que peguei com santistas de Santos, ontem foi um domingo que deu praia, e como enfrentar o humilde Linense não motivaria o torcedor, na Vila Belmiro o jogo não teria atraído mais do que seis mil pessoas. A escolha do Pacaembu foi super acertada e é evidente que se os jogos na capital passarem a ser menos esporádicos, a tendência é de que o público cresça progressivamente.

Museu, Show e a volta dos legítimos Baleiinha e Baleião

Dois estandes montados em caminhões – um com exposição do museu itinerante do Santos, e outro que serviu de palco para um show da dupla Brothers of Brazil, de Supla e seu irmão João Suplicy – divertiram os santistas que chegaram mais cedo à Praça Charles Miller. As novidades foram muito bem recebidas. O evento, batizado de “Santos Truck – O Peixe na Estrada”, ocorreu devido a uma parceria com a empresa Truck Van. O clube está tentando tirar o alvará para vender produtos oficiais em um desses caminhões.

Outra novidade que alegrou os torcedores foi a volta das originais Baleiinha e Baleião. Crianças se apertaram nos alambrados para vê-los de perto. Aqueles personagens murchos que inexplicavelmente os substituíram saíram com a última gestão.

Santos 4 X 2 Linense
Pacaembu, 18h30, domingo, 1º de março de 2015
Público pagante: 10.954. Total: 13.118. Renda: R$ 324.680,00.
Santos: Vanderlei, Cicinho, David Braz, Werley, Victor Ferraz; Valencia (Elano), Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Lucas Otávio), Robinho e Ricardo Oliveira (Gabriel). Técnico: Enderson Moreira.
Linense: Anderson, Bruno Moura, Adalberto, Álvaro e Igor; Memo, Moisés Ribeiro, Gilsinho (Felipe Augusto) e Clébson; William Pottker e Diego (Gabriel). Técnico: Luciano Quadros.
Gols: Robinho aos 7 e Renato, aos 38 minutos do primeiro tempo; Anderson (contra) aos 4, Diego (pênalti) aos 24, William Pottker aos 28 e Robinho aos 45 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Douglas Marques das Flores (ruim, prejudicou o Santos), auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Fernando Afonso Gonçalves de Melo.
Cartões amarelos: Robinho e David Braz (Santos) Moisés Ribeiro (Linense).

E você, o que achou de Santos 4 x 2 Linense?


Finalmente Robinho no Paca. E o grande Menino Juary

Amigos, como estarei no jogo do Pacaembu, o post sobre a partida entrará no ar lá pelas 21 horas, 21h30, 22 horas. Mas alguns comentários serão liberados automaticamente. Nem preciso pedir que não exagerem nas análises. Um blog é um veículo de comunicação como outro qualquer e está sujeito às mesmas leis. Caluniar e difamar dá processo, multa e pode dar cadeia. Critiquemos, se for o caso, mas com alguma moderação. Um bom jogo para todos nós. Pelo jeito não vai chover…

Antes tarde do que nunca. A partida deste domingo, às 18h30, contra o Linense, representa o primeiro jogo de Robinho no Pacaembu, com mando do Santos, desde que o Menino da Vila voltou da Europa, há sete meses. Estarei lá, com a Suzana e meu irmão Marcos. É um jogo bom de assistir.

O técnico Enderson Moreira escalará Valencia como volante, prosseguindo o rodízio na posição que era do titular Alison, afastado para uma cirurgia. Gustavo Henrique treinou na zaga, mas David Braz deve jogar. No mais, será o mesmo time que venceu a Portuguesa.

Santos x Linense
Domingo, 18h30, Pacaembu
Santos: Vanderlei, Cicinho, Werley, David Braz [Gustavo Henrique] e Victor Ferraz; Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira. Técnico: Enderson Moreira.
Linense: Anderson, Bruno Moura, Adalberto, Álvaro e Igor; Moisés Ribeiro, Memo, Clébson e Gilsinho; William Pottker e Diego. Técnico: Luciano Quadros.
Arbitragem: Douglas Marques das Flores, auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Fernando Afonso Gonçalves de Melo.

Juary na Assophis

Neste sábado pela manhã, no salão de mármore do Santos, tivemos uma reunião especial da Assophis, a Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos. Além dos ilustres pesquisadores e escritores que mantém viva a memória do clube, recebemos as visitas de Juary, Lalá e Manoel Maria.

Como não poderia deixar de ser, o papo se concentrou em torno de Juary, o eterno Menino da Vila, herói do título paulista de 1978, que agora trabalha no treinamento das divisões de base do Santos.

Ótimo de papo e com histórias magníficas, Juary falou de sua carreira desde o dia em que seu pai disse que ia na esquina comprar cigarros e o deixou para morar na concentração do Santos. Ídolo da imensa torcida santista que surgia, depois jogador no México, Itália, Portugal – onde se tornou heroi do Porto ao marcar o gol que definiu a Champions League de 1987 – Juary viveu momentos inesquecíveis no futebol.

Sua vida dá um livro e já iniciamos as conversas neste sentido. Será um prazer retratar a vida e a carreira do primeiro grande ídolo santista depois de Pelé, o artilheiro mais rápido que o Santos já teve. Durante a reunião, o jovem jornalista e escritor Vitor Loureiro Sion apresentou-nos o seu livro “É Tri”, com os bastidores dos títulos da Libertadores de 1962, 1963 e 2011.

Aquela veja o rápido Juary decidindo o derby contra o Napoli e repare que há uma música para ele:

Você vai ver o Santos no Pacaembu?


Este jogo sujo acaba com o futebol brasileiro

Minha coluna no jornal Metro: “Moralidade ferida”

Antes que me acusem de alguma coisa, antes que alguma jihad de uma tal torcida me inclua na lista dos antis, deixe-me adiantar que não sou anti nenhum time e não tenho problemas com nenhum torcedor adversário. Como jornalista, fiz matérias de vários times grandes e em todas me dediquei com o mesmo profissionalismo. Procurem por aí e as encontrarão. Agora, o que não suporto é o jogo sujo, o privilégio, a burla das regras. Isso realmente mexe comigo, como, acredito, mexa com todo desportista que tem uma gota de sangue nas veias.

Tudo bem que o mérito esportivo não é valorizado neste País. Já me conformei com isso. Seria mesmo um sonho se tudo o que o Santos fez pelo Brasil fosse reconhecido e valorizado. O fato de ter colocado o Brasil no mapa – já que foi o primeiro time a jogar em todos os continentes e provar que a capital brasileira não era Buenos Aires – eu sei que hoje não vale nada. O que vale é o “marquiti”.

O que vale é o Ibope, que dá grana, dizem. Reconheço que quantidade de torcedores e audiência na tevê, aparentemente, são dados incontestáveis. Mas em tudo é preciso haver limite, ou se perde a sagrada competitividade, como está ocorrendo no futebol brasileiro. Sim, estamos galopando velozmente a caminho da Espanholização e nesta semana tivemos dois episódios que deixaram isso muito claro:

1 – Mesmo com a economia brasileira em crise devido aos incompetentes que estão no governo, a Caixa Econômica Federal, um banco do Estado, renovou, sem licitação, o seu contrato de R$ 30 milhões anuais com o Corinthians. Detalhe: é o maior contrato de patrocínio de um clube brasileiro.

2 – O ex-presidente corintiano Andrés Sanchez sugeriu que o governo comprasse os R$ 420 milhões em Cids (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) que o alvinegro paulistano precisa arrecadar pelo acordo que permitiu a construção de seu estádio. Isso é de um cinismo e de uma imoralidade sem tamanho, pois é o mesmo que pedir para o credor pagar a dívida a que tem o direito de receber.

Ao menos neste caso há um promotor público lutando contra a bandalheira. Trata-se de Marcelo Camargo Milani, que entrou com ação contra a emissão dos Cids a favor do Corinthians. Na ação, Milani afirma que o ex-prefeito Gilberto Kassab feriu o princípio da moralidade ao sancionar a lei pela qual a Prefeitura se comprometeu a emitir R$ 420 milhões em Cids para serem negociados pelo clube da zona leste paulistana.

Acho o embate de Marcelo Camargo Milano heróico, pois é sabido que o Governo e a Rede Globo estão emparceirados na missão de catapultar o time de São Paulo, escolhido para dividir com o time do Rio a supremacia do nosso futebol. O movimento é antinatural, antiético, mas é poderoso e resiliente.

Não procure explicação para tamanho privilégio dentro da lógica. É uma decisão, acima de tudo, política. E política, meu caro, só se combate com política. Por isso insisto que os clubes devam se unir em uma Liga Nacional. Ou fazem isso imediatamente, ou viverão só para fazer número e bater palmas.

Há 70 anos começava a era Athié como presidente do Santos

Por Guilherme Guarche, do departamento de Memória do Santos

No dia 27/02/1945, Athié Jorge Coury tomava posse como presidente do Santos FC, tendo como vices Acácio de Paula Leite Sampaio, Ulisses Guimarães, Sílvio Fortunato, Armando Erbisti e Rubens Ferreira Martins.

Athié permaneceu no cargo maior do clube até o dia 23/01/1971 sem interrupção. Anteriormente o presidente do Peixe era Antônio Feliciano e depois quem sucedeu Athié foi Vasco José Faé. Durante os anos em que exerceu o mandato de presidente o Santos conquistou suas maiores glórias esportivas e também patrimoniais.

No ano de 1932, durante a Revolução Constitucionalista, ele foi um dos defensores do Estado de São Paulo, combatendo as tropas federais que invadiram o Estado paulista. Além de ter sido um dos melhores corretores de café de Santos, foi também vereador, deputado estadual e deputado federal em diversas oportunidades.

De 1945 a 1971 o time do Alvinegro mais famoso do mundo jogou 1.696 partidas oficiais e amistosas, tendo vencido 1.042 empatado 291 e perdido 363, marcando 4.665 e sofrendo 2567. O primeiro título conquistado por ele como presidente foi a Taça Cidade de Santos, no dia 18/04/1948 e o último foi a Taça Cidade de São Paulo, em 24/04/1970.

Um pequeno exemplo da personalidade de Athié:

E você, não acha que esse privilégio é jogo sujo?


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