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Por que a imprensa esportiva brasileira bajula tanto certos times

Nesses dias sem blog estive mergulhado em algumas pesquisas para o Museu Pelé e ao voltar ao passado para checar momentos marcantes do Rei do Futebol, da Seleção Brasileira e do Santos, constatei uma tendência que agora compartilho com você.

Como se sabe, dificilmente a imprensa esportiva brasileira supervalorizou os feitos do Santos – algo que ocorre até hoje, por sinal. Sempre deu a eles no máximo a dimensão que merecem. Não raro os diminuiu de importância. Por outro lado, ao menos nos jornais em que pesquisei, esta mesma imprensa sempre superestimou os feitos dos times considerados mais populares. Quer exemplos?

No mesmo dia em que o Santos, em uma exibição que a imprensa chilena definiu como “o jogo do século”, venceu a Seleção da Tchecoslováquia por 6 a 4, em uma reedição da final da Copa de 1962, o jornal Folha de São Paulo preferiu dar como manchete do caderno de esportes a vitória de um determinado time contra o Náutico, por um torneio em Recife, destacando o fato de que esse time era “líder e invicto”, e isso depois de apenas duas rodadas.

Em outro instante de minhas pesquisas, encontrei o que precisava dos jogos de Pelé e deparei-me com outro título de primeira página que evocava certo time considerado bom vendedor de jornais. O título dizia algo como “Agora vai!”. Li o lead da matéria e falava de uma vitória desse time contra o Noroeste, último colocado do Campeonato Paulista. Naquele ano, a propósito, o tal time não foi e o Santos, novamente, sagrou-se campeão paulista.

Há algum tempo vimos aqui mesmo, neste blog, que no dia em que os jornais anunciavam mais um título do Santos na Taça Brasil, equivalente a mais um Campeonato Brasileiro, no início dos anos 60, A Gazeta Esportiva dava matéria de primeira página para falar de um plano hipotético que envolvia empresários interessados em contratar Pelé e cedê-lo ao mesmo determinado time “de massa”… Como se sabe, Pelé só foi jogar em outro time, o Cosmos de Nova York, em 1975.

Se um time que costuma vender jornais está indo mal das pernas, não está fazendo nada positivo que justifique uma manchete, então invente uma. Como uma contratação bombástica, por exemplo. Obedecendo a esta reprovável técnica sensacionalista, a mídia esportiva brasileira cansou de assoprar balões e tentar mantê-los no ar, às custas de muita mentira, obviamente.

Pois bem: o que se apreende desse comportamento repetitivo da imprensa esportiva brasileira? Que ela sempre quis vender jornais, ou revistas, e para isso usou recursos questionáveis, como a adaptação da realidade à preferência da camada de leitores que queria conquistar. Hoje, com a desimportância econômica dos veículos impressos, certamente essa imprensa quer mais ibope, mais acessos, mais alguma coisa qualquer que, no entanto, está longe da ética jornalística que deveria cultivar.

Ao colocar o aspecto comercial à frente do jornalístico por tantos anos seguidos, essa imprensa criou um comportamento típico nos torcedores dos times considerados mais populares. Acostumados a verem os feitos de suas equipes, mesmo os mais modestos, serem tratados como extraordinários, esses torcedores passaram a ter uma visão distorcida da realidade do futebol e a se julgarem especiais.

“Todas as histórias são iguais, todos os clubes têm torcedores apaixonados da mesma forma”, me disse ainda ontem Marco Piovan, editor da Magma Cultural que prepara, com carinho, o livro do Centenário do Palmeiras. Piovan também editou os livros dos centenários de Santos e Corinthians e se deparou com casos idênticos de amor ao clube.

Nunca tive dúvidas de que entre os aficionados de equipes consideradas menores – como Ponte Preta, Guarani, Juventus, XV de Piracicaba, Ituano, e tantos outras – também há alguns mais malucos por sua agremiação do que torcedores de times considerados grandes. Acho até que seguir um clube menor exige mais fidelidade e personalidade do que ser mais um a adorar um grande.

Outra convicção que tenho: a divisão de torcidas no Brasil é muito mais fragmentada do que alguns gerentes de marketing querem nos fazer acreditar. Se somarmos os números de torcedores que cada clube diz que tem, o Brasil teria mais habitantes do que a China. Quer ter uma ideia real das divisões de torcida no País? Consulte as porcentagens de apostas no “time do coração” da Timemania e constatará que nenhum time chega a 5% (cinco por cento) de preferência no País.

Não podemos culpar, entretanto, os torcedores desses times bajulados por tanto tempo. Foram e são vítimas de uma longa e constante lavagem cerebral. Se uma mulher, ou um homem, feios, ouvem o tempo todo que são lindos, vão acabar acreditando. A mídia os seduziu e os continua seduzindo porque, simplesmente, quer tirar deles o engordamento de seus ganhos. Puro interesse.

Creio que se os santistas também fossem vítimas de tal estratégia, fatalmente teriam a mesma tendência para a arrogância. A propaganda sistemática consegue tudo, principalmente quando é dirigida a pessoas sugestionáveis, de baixa instrução, como é a maioria do povo brasileiro.

Felizmente, porém, as conquistas do Santos foram, repito, tratadas na dimensão exata que mereceram. Isso deu ao santista um senso crítico maior do que aquele que se vê em outros torcedores. O santista sabe diferenciar o que realmente é importante do que é pintado de cor de rosa para vender jornal, ou dar ibope.

Um título estadual é um título estadual. Não pode se tornar maior porque um determinado clube o conquistou, e nem menor se o vencedor for outro. Essa imparcialidade, essa orientação pelo mérito esportivo, é que acabaria com as diferenças entre as posturas dos torcedores e tornaria a visão que se tem do futebol brasileiro mais realista, menos passional. Mas para que esta visão prevaleça seria preciso que a imprensa esportiva brasileira fosse essencialmente ética, forte, independente, e não dependesse, ainda, de bajular certos clubes para sobreviver.

E você, acha que a imprensa esportiva ainda será pautada pelo mérito?

Gabriel é melhor, mas Damião tem de ser escalado por ter sido muito caro

gabriel e lucas lima
Lucas Lima acelerou o jogo e Gabriel marcou dois dos três gols do Santos contra o Mixto, ontem, na Vila (Foto: Ivan Storti/ Santos FC)

É triste dizer isso, mas é a pura verdade. O garoto Gabriel não é nenhum craque, ainda, mas tem agilidade, velocidade, senso de oportunismo e bate bem a gol, como ficou claro mais uma vez ontem, nos 3 a 0 frente o Mixto. Porém, Leandro Damião, que é lento, tem dificuldade para dominar a bola, arrematar e cabecear, e por isso marca poucos gols, custou o olho da cara e precisa ser escalado, ou o Santos terá o maior prejuízo de sua história.

Se montar exclusivamente o melhor time à sua disposição, Oswaldo de Oliveira deixará Leandro Damião no banco e terá uma formação com Geuvânio, Gabriel e Thiago Ribeiro na frente. Para os jogos mais complicados, poderá se valer de Arouca e Alan Santos como volantes e Cícero como meia. Será uma formação mais equilibrada do que a de quatro atacantes, com o estático Damião plantado no meio dos beques adversários.

Veja, querido leitor e querida leitora, como uma contratação mal feita pode atrapalhar um time. E um caixa. Com o dinheirão emprestado para pagar o centroavante das antigas, daria para contratar bons zagueiros, um ótimo meia, um lateral-esquerdo eficiente e ainda sobraria muito.

Digo lateral-esquerdo porque o Mena está jogando pedrinha. Parece que está com a cabeça no mundo da luna. Outro que me dá um frio na barriga sempre que sai para proteger a bola é David Braz. Não sei dizer claramente se Jubal é melhor, mas ao menos inspira menos desconfiança. Acho que Jubal e Neto é a melhor dupla de zaga que o Santos pode formar no momento.

Mas ontem ninguém da defesa teve de se preocupar muito. Esse Mixto está menos para sanduíche e mais para sobremesa. Time em que o craque é o Rui Cabeção, só pode ser mamão com açúcar mesmo. Não faz mal a ninguém. Mesmo assim, o Santos só ganhou depois que Lucas Lima entrou e acelerou o jogo. Para mim, é outro que pode muito bem brigar por uma vaga entre os titulares.

Craque, craque, o Santos não tem nenhum, mas no futebol moderno não é preciso ter craques para montar um time bem-sucedido. Se os jogadores demonstrarem inteligência e dedicação, já será mais de meio caminho andado. Só que ontem poucos jogadores do Santos tiveram a sabedoria de tocar rápido, de fazer o mais fácil e jogar de forma mais objetiva.

Dos mais rodados, que tinham a obrigação de colocar a bola no chão e tramar jogadas envolventes, só Arouca se destacou. O que são esses chutões de Thiago Ribeiro, ou essas pisadas na bola do Mena? Não havia porquê se precipitar diante do pobre Mixto…

Enfim, que venha o Campeonato Brasileiro. O elenco do Santos não é dos melhores, mas também não está tão atrás dos times considerados de ponta. Basta que Oswaldo de Oliveira escale quem está rendendo mais, sem pensar no valor de seus passes ou em suas hierarquias salariais. A juventude, mesmo errática, tem o poder de superar a inércia.

Reveja os melhores momentos de Santos 3 x 0 Mixto

E para você, quem deve ser titular: Leandro Damião ou Gabriel?

Planos para a Sobrevivência, planos para a Independência

Tinha um amigo do tênis, o criativo Mitnos Kalil, que defendia a tese de que “devemos ter um plano para a sobrevivência, e um para a independência” – ou seja, um plano para pagar as contas e ir vivendo; outro para tirar o pé da lama definitivamente. Se levarmos essa teoria para um clube de futebol, no caso o nosso Santos, veremos que um título paulista faz parte, apenas, do plano de sobreviência.

Sim, um time grande precisa, no mínimo, chegar às finais do Campeonato Paulista. Se os grandes são quatro, que ao menos alcance as semifinais. Ou as quartas, vá lá. Ser desclassificado antes da fase eliminatória seria inadmissível. Mas ganhar ou não o título não muda muito o status.

Veja o Ituano. Campeão! Ótimo. Tudo bem que em três jogos com o Santos, perdeu dois, e terminou sete pontos atrás. Mas soube usar o regulamento e foi campeão, algo maravilhoso para a história do clube! Porém, o que vai acontecer agora com o Ituano? Nada, ou pouco mais do que isso.

Sem cinco titulares, que já estão conversados com outros clubes, jogará a deficitária Série D, e assim iniciará a escalada de mais uma montanha para, quem sabe um dia, chegar à Série A do Brasileiro – na qual só permanecerá se tiver um bom time, um bom patrocínio e uma boa média de público. Enfim, domingo o Ituano conseguiu algo maravilhoso para sua sobrevivência, mas ainda está muito longe de atingir a independência.

De onde virá a independência

O título, além de nos encher de alegria, também mudaria muito pouco nas perspectivas futuras do Santos. A mesma consolidação que se esperava há quatro anos, quando a Resgate assumiu o clube, ainda se espera agora, e a questão não é ganhar mais um título paulista, mas montar uma estrutura e instituir uma gestão capaz de tornar o Santos mais forte, mais sólido, a ponto de lutar por todos os títulos.

Para isso, os dirigentes do Santos não podem mais prevaricar. Chega! Dirigir esse clube é de uma responsabilidade atroz e duvido que não saibam que o que se espera deles é austeridade, competência e, acima de tudo, honestidade absoluta. Que não sejam vaidosos, pois não são nada, já que o poder que momentaneamente têm lhes foi outorgado pelos mesmos santistas que agora não querem ouvir.

Cito Leandro Damião como o último grande exemplo de incompetência dessa diretoria, mas nada tenho contra esse rapaz, a quem considero boa gente, simpático e por quem torcerei desesperadamente a cada vez que entrar em campo. Eu, que nem ligo como devia para o vil metal, me pego desgraçadamente fazendo contas para que um dia o dinheiro investido no desengonçado atacante possa voltar aos maltratados cofres de Vila Belmiro. E perco o humor, pois a possibilidade de que isso aconteça é remota.

Com tantos garotos descobertos e a descobrir, com tanto jogador de potencial escondido por esses recantos do Brasil, a milionária contratação de Leandro Damião, repito, foi um verdadeiro crime de lesa clube. E isso ainda sem ter um patrocinador máster! Meu Deus, quanta falta de visão!

O caminho do Santos para a sua independência passa pelo planejamento meticuloso dos investimentos no futebol, por um plano ousado e trabalhoso para se obter mais visibilidade, mais parceiros, mais sócios e por uma atenção especial a esses parceiros e sócios. Sem conseguir sua auto-sustentação, o Santos continuará, como um cachorrinho, a lamber as mãos do sistema que o apunhala pelas costas.

Os exemplos estão aí, e vêm de centros que antes eram desprezados pelo poder central do futebol brasileiro. Minas Gerais e Rio Grande do Sul têm, hoje, os quatro clubes mais independentemente poderosos do País. Mesmo preteridos pela tevê, eles continuam crescendo e hoje são quase todo o Brasil na Copa Libertadores. Isso é ter mais do que um plano de sobrevivência, é querer mais do que um título estadual. Isso é o que realmente importa.

E pra você, como o Santos conseguirá sua independência?

Uma derrota pequena, uma lição bem maior.

damiao - cabecada
Leandro Damião cabeceia à queima-roupa, para defesa de Vágner com o peito (esta e as demais fotos deste post foram feitas por Ricardo Saibun, da Divulgação do Santos FC).
trofeu de vicegabriel - ituano
O troféu de vice-campeão não é o mais cobiçado, mas é melhor do que diploma de participação. Gabriel entrou no final para tentar fazer o gol que Damião buscou inutilmente.
geuvanio - gol perdidocicero - penalti
Geuvânio lamenta o gol perdido que teria decidido o título. Desta vez Cícero acertou dois pênaltis – no jogo e na disputa final.
time ajoelhadoneto consolado
Jogadores ajoelhados no meio do campo, Arouca reza. O Santos merecia o título pela campanha, mas o Ituano foi um adversário valente nas finais. Cícero e Alison consolam Neto por ter perdido o pênalti decisivo.

Amigos, este blog ficou fora do ar por uma falha absurda do UOL Host, mas este é um caso que será discutido na justiça. Aqui não é lugar para destacar a eterna negligência com o consumidor brasileiro. É lugar de se falar de futebol e, particularmente, do nosso Santos. Estou muito feliz de estar de volta, mesmo em dia tão pouco propício.

Sintomaticamente, o blog volta justamente após a derrota do Santos em uma final de Campeonato Paulista em que era amplo favorito. Não me lembro de ter perdido outra decisão em que era tão teoricamente superior ao adversário. Porém, antes de estar indignado, estou aqui, humildemente, tentando aprender as lições desse revés.

Não culpo o regulamento, apesar de o Santos terminar a competição com sete pontos ganhos a mais do que o campeão; muito menos culpo o velho e bonito Pacaembu, segunda casa do Alvinegro Praiano e onde ganhou inúmeros títulos.

Sejamos bons perdedores e estendamos a mão ao bravo Ituano, que nos ensinou como um time com baixo orçamento pode fazer frente aos grandes de São Paulo. Se a direção do Santos tiver a capacidade de extrair dessa derrota a lição que ela oferece, certamente dias melhores virão para a comunidade santista.

Mas, se neste blog fizemos uma enquete na qual ficou claro que os santistas não queriam Leandro Damião pelo valor que se pagou por ele, e chegavam até a pedir que o negócio fosse desfeito enquanto havia tempo, e apesar dessa posição tão evidente, nada foi feito pelos dirigentes do clube para impedir que o mico viesse pousar no ombro da Vila Belmiro, então não sei se lições como a deste domingo serão absorvidas pelos homens que mandam no Santos.

Creio que o inteligente, organizado e ardiloso Juninho Paulista montaria 20 equipes como a deste Ituano se dispusesse dos 42 milhões que o Santos pagará, em infinitas prestações, pelo passe de Leandro Damião – o centroavante que não fez gols nas finais e nem ao menos estava em campo na hora decisiva de se cobrar os pênaltis (já disseram que pênalti é tão importante, que deveria ser batido pelo presidente do clube. Imagine, então, quando se trata de um pênalti que pode decidir o campeonato…).

Sei que Damião foi contratado com a desculpa de que poderia ser convocado para a Copa e daria mais visibilidade ao Santos, atraindo um patrocinador máster. Quem caiu nesse conto não enxerga bulhufas de futebol. Damião é um jogador limitado, não está cem por cento fisicamente, não será convocado por Felipão e não vale nem metade do que se pagou por ele. Vinte milhões de reais já seria muito caro!

O técnico Oswaldo de Oliveira está sendo obrigado a escalar Damião para justificar o investimento e aumentar a possibilidade de que surja um interessado no jogador. É como comprar um imóvel em período de bolha imobiliária e ter a certeza de que jamais conseguirá vendê-lo pelo que se pagou. Enfim, prejuízo na certa! Esta, para mim, é a pior derrota do Santos nos últimos meses, não o insucesso diante do Ituano, que venceu no campo, usando os recursos que tinha e movido por uma vontade admirável.

Porém, de qualquer forma, é melhor chegar à final e participar do espetáculo até o fim, do que ficar de fora, torcendo contra. Alcançar a sexta final consecutiva do Estadual de melhor nível técnico do país não é para qualquer um. Com alguns ajustes o Santos entrará forte no Brasileiro. O seu maior problema, repito, é descobrir o que fazer com Leandro Damião.

SANTOS (6) 1 X 0 (7) ITUANO

Estádio do Pacaembu, São Paulo (SP)
13 de abril de 2014, domingo, 16 horas

Santos: Aranha; Cicinho, Neto, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Cícero; Geuvânio (Alan Santos), Leandro Damião (Gabriel) e Thiago Ribeiro (Rildo). Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Ituano: Vágner; Dick, Alemão, Anderson Salles e Dener; Josa e Jackson Caucaia; Paulinho (Marcinho), Cristian (Marcelinho) e Esquerdinha; Rafael Silva (Jean Carlos)
Técnico: Doriva.
Gol: Cícero, aos 46 minutos do primeiro tempo.
Pênaltis
Santos: Cícero, Alan Santos, David Braz, Gabriel, Arouca e Alison converteram; Rildo (quarta cobrança – trave) e Neto (oitava cobrança – defesa) perderam.
Ituano: Jackson Caucaia, Marcelinho, Esquerdinha, Marcinho, Jean Carlos, Dener e Josa converteram; Anderson Salles (segunda cobrança – defesa) perdeu.
Arbitragem: Raphael Claus, auxiliado por Carlos Augusto Nogueira Júnior e Danilo Ricardo Simon Manis.
Público: 34.964 pagantes
Renda: R$ 1.991.845,00
Cartões amarelos: Vladimir, David Braz e Arouca (Santos); Rafael Silva, Esquerdinha e Cristian (Ituano).
Cartão vermelho: Cicinho (Santos)

Melhores momentos de Santos 1 (6) x 0 (7) Ituano

E pra você, amigo e amiga, de quem eu estava com tanta saudade, que lições o Santos aprendeu nessa decisão de Campeonato Paulista com o humilde Ituano?

Poderia ser melhor. Mas também pior. Clássico é assim. Segue o jogo.

No meio da semana vi o São Paulo tomar um sufoco do São Bernardo e por um momento pensei que seria impossível o Santos perder o clássico no Morumbi. Sem ataque, com uma defesa desorganizada, o tricolor é a cara rabugenta do Muricy que o santista conhece bem.

Mas o futebol traz sensações após um jogo ou outro que se desvanecem depois de uma análise mais ponderada. Só sei que neste domingo, enquanto participava de um evento de tênis da Suzana para seus velhos amigos do Payneiras do Morumbi, disse ao Germano, outro santista, que o São Paulo bem poderia ganhar com um jogo defensivo associado a uma bola parada ou um cruzamento para a área.

Sim, confesso que devido às últimas atuações pouco convincentes do Santos e o fato de jogar em sua casa pudesse fazer o São Paulo vencer por 1 a 0, resultado típico do odioso Muricybol. Repeti ao Marcelo, um corintiano fanático que torceria pelo Santos, que como torcedor eu gostaria que o Santos encaixasse alguns contra-ataques e enchesse o gol do Rogério Ceni de bola, mas como jornalista deveria admitir que o São Paulo era favorito, e o resultado mais lógico seria 1 a 0.

A situação de ser um clássico equilibra os jogos desde que Moisés desceu do Monte Sinai com a primeira bola. Lembro-me que disse exatamente isso ao amigo e sócio João Pedro Bara quando ele comemorou ao saber que a Argentina seria o adversário do Brasil nas oitavas da Copa de 1990. Realmente, eles estavam caindo pelas tabelas, tinham perdido na estreia para a Camarões, mas contra o Brasil se defenderam com unhas e dentes e na única jogada em que Maradona e Caniggia apareceram meio livres, saiu o gol que mandou o time de Lazzaroni pra casa.

Assim é o futebol. E os números comprovam. Veja, amigo leitor e amiga leitora, que nos últimos dez anos Santos e São Paulo jogaram 36 vezes e o Santos venceu 16, perdeu 12 e empatou oito. Ou seja, desde 2004 o Santos tem apenas quatro vitórias a mais, além de ter feito um saldo de 12 gols nesse confronto.

Porém, na década anterior, de 1994 a 2004, era o São Paulo quem tinha um saldo cinco vitórias (16 contra 11), mais 10 empates. Arredondando os últimos 20 anos, teremos a vantagem de uma vitória para o time da capital (28 contra 27), mas um saldo de cinco gols favoráveis ao Santos. Ou seja, equilíbrio total.

Por tudo isso, não esperava nada muito diferente do que aconteceu no Morumbi. Imaginava que Leandro Damião pudesse crescer, pois os grandes jogadores crescem justamente nos grandes jogos. Acho, realmente, que ele mostrou presença, personalidade e não fosse a grande defesa de Rogério Ceni, seria o nome mais falado dos programas de segunda-feira.

Também vi Luis Fabiano roubar bolas de Gustavo Henrique. Nunca tive ilusão de que o garoto fosse indriblável, mas ao menos a bola que está sob controle, não pode ser perdida. De qualquer forma, o menino tem crédito.

Assim como tem muito crédito o goleiraço Aranha, o volante Arouca, o guerreiro Alan Santos. Quem está perdendo o crédito, ao menos comigo, é Thiago Ribeiro. Ele já jogou bem melhor do que isso.

No mais, sei que meus colegas de blog talvez tenham notado melhor os jogadores que se destacaram e os que falharam. Confesso que não esperava muito desse jogo e até me surpreendi com a entrega dos atletas. Alguns deram, literalmente, o sangue.

É claro que não gostei do árbitro e nem do nervosismo do técnico Oswaldo Oliveira. Ele pode ter até razão em muitas reclamações, mas, se é expulso, o time perde uma referência importante fora do campo. Portanto, controle-se, professor!

No mais, achei as substituições boas. Rildo e Gabriel podem, sim, brigar por posições no time titular. Mas Gabriel tem de treinar mais o pé direito. Tivesse 20% desse pé e teria feito o gol da vitória. E isso de ele dizer que seu sonho é jogar no Barcelona, só reflete a ausência de endomarketing que existe no Santos. Às vezes dá a impressão de que esses garotos estão todos impregnados. Nenhum foi devidamente orientado para valorizar o lugar onde ganham o pão.

São Paulo 0 x 0 Santos

São Paulo: Rogério Ceni, Paulo Miranda, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Álvaro Pereira; Maicon, Souza, Douglas (Paulo Henrique Ganso) e Pabon; Osvaldo (Ademilson) e Luis Fabiano. Técnico: Muricy Ramalho.
Santos: Aranha, Cicinho, Gustavo Henrique, Neto e Mena; Arouca, Alan Santos (Gabriel) e Cícero; Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Geuvânio (Rildo). Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Público: Público: 16.337 pagantes. Renda: R$ 429.610,00.
Arbritagem: Rogério Cen…, ou melhor, Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza (SP), auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse (ambos de SP).
Cartões amarelos: Rodrigo Caio, Álvaro Pereira e Osvaldo (São Paulo); Geuvânio, Neto, Cicinho e Gustavo Henrique (Santos).

Melhores momentos do jogo:

E pra você, o que este 0 a 0 com o São Paulo significou?