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Uma análise com a cabeça fria

O Grêmio de novo no caminho do Santos, como em 2010

O estranho e desequilibrado sorteio da Copa do Brasil, que tem o birrebaixado Vasco no pote A e o Santos no B, estabeleceu um grande clássico do futebol brasileiro logo para as oitavas-de-final: Santos e Grêmio, que também se encontraram na semifinal da Copa do Brasil de 2010, quando os Meninos da Vila jogavam o melhor futebol do Brasil. Se os santistas não gostaram do sorteio, os gremistas muito menos. Veja só a preocupação de Guilherme Mazui, que escreve o blog do torcedor do Grêmio no jornal Zero Hora:

“Havia uma equipe forte entre as oito do pote que definiria o rival do Grêmio nas oitavas na Copa do Brasil. Pois foi justamente o Santos o sorteado para cruzar o nosso caminho. Repetindo a Libertadores, o Grêmio foi pé frio no sorteio. Pegou a rota mais difícil nas oitavas, que ainda poderá ter o Cruzeiro em uma eventual semifinal. Grêmio x Santos é o único confronto sem favorito. São duas equipes de campanhas similares no Brasileirão, só que o Santos tem a Vila Belmiro, onde historicamente não vamos bem. O Santos também tem Robinho, que no Brasil ainda faz diferença. Thiago Ribeiro e Arouca são outros bons nomes. Até Damião preocupa pela motivação de enfrentar um antigo rival. O caminho é anular Robinho, marcar, morder, jogar. E não depender de qualquer resultado na Vila Belmiro.”

Bem, parece que o blogueiro gaúcho está respeitando mais o Santos do que muitos santistas o fazem. Eu já acho que o primeiro jogo do confronto será decisivo. Se o Santos perder por 2 a 0, por exemplo, como na semifinal da Libertadores de 2007, ficará muito difícil obter a classificação na Vila. A derrota por um gol é reversível; o empate, principalmente com gols, é muito bom, e uma vitória, o que considero improvável, maravilhosa.

O primeiro jogo será em Porto Alegre, dia 27 de agosto, quarta-feira à noite. O de volta terá lugar na Vila Belmiro, dia 3 de setembro, a quarta-feira seguinte (mesmo que estivesse pensando no Pacaembu, depois dessa entregada do torcedor do Grêmio demonstrando que teme a Vila, é lá mesmo que o Santos deve jogar).

Em 2010 os jogos entre Santos e Grêmio foram revestidos de grande rivalidade. No Sul, o Santos estava vencendo por 2 a 0, mas perdeu por 4 a 3. Empolgado, o folclórico locutor de rádio Pedro Ernesto achou que o Santos já estava eliminado e cantou uma música que ele chamou de “Elimination”. O técnico Silas e o presidente do Grêmio também se mostraram um tanto arrogantes, como se a classificação já estivesse garantida. Afinal, “bastava” um empate na Vila para o Grêmio ir para a final da Copa. Entretanto, com golaços de Paulo Henrique Ganso, Robinho e Wesley, o Glorioso Alvinegro Praiano venceu por 3 a 1 e os adversários tiveram de engolir as ofensas ao alegre futebol-arte dos Meninos da Vila. Veja:

Robinho não foi convocado por Dunga

O atacante Robinho não desfalcará o Santos para jogar na Seleção Brasileira. Ele não foi incluído na lista de convocados para os dois amistosos da Seleção nos Estados Unidos: dia 5 de setembro, contra a Colômbia, em Miami, e dia 9, contra o Equador, em New Jersey.

Outros quatro ex-santistas, porém, foram chamados: o goleiro Rafael, atualmente no Nápoli; os laterais Danilo e Alex Sandro, do Porto, e o atacante Neymar, do Barcelona.

Timemania – Teste 614, de 16/08/2014

Após 1.749.040 apostas, em 65% das cidades brasileiras, de todos os Estados do Brasil, o resultado do teste 614 da Timemania, do último sábado, traz o Santos em quarto lugar. Confira:

1º FLAMENGO RJ 87.452 5
2º CORINTHIANS SP 75.660 4,33
3º SAO PAULO SP 61.115 3,49
4º SANTOS SP 60.056 3,43
5º GREMIO RS 53.090 3,04
6º PALMEIRAS SP 52.305 2,99
7º VASCO DA GAMA RJ 47.609 2,72
8º INTERNACIONAL RS 47.042 2,69
9º CRUZEIRO MG 42.933 2,45
10º BOTAFOGO RJ 40.328 2,31

Petros foi punido com 180 jogos de suspensão. Mas agora a injustiça já foi feita

Petros foi punido, com justiça, o Alison não terá de cumprir mais nenhum jogo e a Vila Belmiro não será interditada. Legal, só que o mesmo árbitro que deixou em campo um jogador que o agrediu por trás, expulsou um santista que triscou no jogador adversário e definiu a sorte do jogo. Em consequência desses dois pesos e duas medidas, o Santos atuou com um jogador a menos e acabou sofrendo um gol no final – de Gil, que também deveria ter sido expulso por tentar agredir Cicinho. Agora o Petros pode ficar a vida toda sem jogar, que o estrago da arbitragem já foi feito. Da próxima vez a justiça tem de ser feita no jogo, e não no tribunal.

Leia a íntegra do site oficial do STJD:

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu Petros com 180 dias de suspensão por agredir o árbitro Raphael Claus na partida contra o Santos. Com a decisão, o jogador não poderá atuar pelo Corinthians nos próximos seis meses. O resultado, concedido pela Primeira Comissão Disciplinar, cabe recurso e deve ter um desfecho no Pleno, última instância da justiça desportiva brasileira.

Presente no tribunal, o jogador prestou depoimento e ressaltou que, após o lance, conversou com Claus, pediu desculpas e o próprio árbitro disse que o episódio foi como um encontrão. De acordo com o jogador, é impossível dizer que houve agressão e que foi de forma intencional.

“Não há nenhuma possibilidade de agressão e nunca haverá agressão ao árbitro. Garanto honesta e sinceramente que não o agredi e se estivesse no meu pensamento teria feito de mão aberta e teria derrubado ele”, disse Petros, que completou. “Com um simples toque do Guerreiro eu sairia na cara do Aranha (goleiro do Santos). Se eu não usasse o braço teria batido de rosto e peito. O árbitro estava muito próximo a mim e tentei passar ao lado dele. Desloquei para receber um possível passe”.

O advogado do Corinthians, João Zanforlin, tratou o caso como um “processo polêmico, midiático e complexo”. Segundo o defensor, Petros foi taxado pela procuradoria como um homem que todos devem temer. Zanforlin negou que tenha ocorrido agressão e pediu a rejeição do processo. “Agressão não existe. A defesa pede justiça para que o atleta não fique seis meses sem ganhar seu suado tostão”, concluiu.

No mesmo processo, o Santos foi denunciado pelo arremesso de um copo de água na direção do goleiro Cássio e teve o atleta Alison julgado pela expulsão na partida.

De acordo com a defesa do clube santista, representada pelo advogado Carlos Theotônio Chermont, o objeto arremessado não causou nenhum dano ao andamento da partida e aos atletas. Chermont apresentou ainda o boletim de ocorrência que comprovou a identificação e detenção do infrator, além de apresentar um membro do clube para prestar depoimento sobre o episódio. Sobre a jogada que resultou na expulsão e denúncia do jogador Alison, o defensor pediu a absolvição do jogador alegando ter sido uma falta comum de jogo.

Logo após, o relator do processo, auditor Felipe Bevilacqua absolveu o Santos e o atleta Alison e justificou o voto com relação ao atleta Petros. “Pelo contexto da jogada, apesar de toda logística que se fez, vi e revi várias vezes essa jogada e tenho muitas dificuldades em punir com agressões e violência. Tento preservar o máximo os atletas e sei que são atores principais e dependem disso. Tive um cuidado muito grande e não consegui me convencer que não foi proposital”, disse o relator, que logo após aplicou 180 dias de suspensão. Bevilacqua ainda ressaltou a possibilidade de redução da pena pela metade no Pleno.

O auditor Washington Rodrigues divergiu quanto a pena a Petros e desclassificou o artigo aplicando quatro jogos de suspensão. Vinicius Sá acompanhou a absolvição ao Santos, votaou para advertir Alison e também desclassificou o artigo aplicando um jogo de suspensão a Petros. Já o auditor Douglas Balckhman acompanhou integralmente o relator, enquanto o presidente da comissão, Paulo Valed Perry decidiu pela multa de R$ 10 mil ao Santos, advertência a Alison e suspensão de 180 dias a Petros.

robinho, dracena e arouca
Robinho, Edu Dracena e Arouca, a reserva de técnica e experiência que embala o Santos neste Campeonato Brasileiro (Foto: Ricardo Saibun/Santos FC).

Uma análise com a cabeça fria

Logo depois de uma derrota de 3 a 0 é normal surgirem comentários irritados e até desrespeitosos. Faz parte da reação do torcedor. Há que se dar um desconto. De qualquer forma, nós que somos santistas para sempre e não apenas nas boas fases, temos a obrigação de analisar com calma a situação do time e vislumbrar realisticamente o que pode vir pela frente.

Às vezes um bom exercício é se colocar no lugar do presidente ou do diretor de futebol do Santos. Se você tivesse o poder de demitir ou contratar pessoas, de tomar decisões importantes para o clube, o que faria nesse momento? Bem, eu darei minhas opiniões e o convido a fazer o mesmo. Vamos aos tópicos:

Oswaldo de Oliveira – Acho que ele escolheu a estratégia errada contra o Cruzeiro, mas jamais o demitiria antes do final do Campeonato Brasileiro. A não ser que o time estivesse jogando muito mal e na zona de rebaixamento. O Santos perdeu quatro jogos dos últimos cinco que fez na competição, mas perdeu jogando com coragem, para times fortes e em três dessas partidas atuou fora de casa. Não é desculpa, mas em mais de um jogo acabou prejudicado pela arbitragem. A verdade é que faltam ovos para fazer a omelete, o elenco do Santos é limitado, mas mesmo assim o time não está jogando todo encolhido lá atrás e morrendo de preguiça, como nos Brasileiros anteriores. Não creio que outro técnico brasileiro faria muito melhor. Dos que passaram pelo Santos, o único que poderia fazer esse elenco render bem mais é o velho e matreiro Vanderlei Luxemburgo, que pode ser meio malaco, mas entende muito de futebol e de boleiro.

Leandro Damião – É um bom moço, bom marido e bom pai. Também deve ser bom filho e bom neto. Mas jogar futebol não é bem a sua praia. Damião jamais jogou futebol na vida. O que ele sempre fez, ou fazia, era colocar a bola para dentro do gol. Isso costuma valer muito no futebol internacional. Está aí o Fernando Torres que não nos deixa mentir. É o tipo de jogador para ser contratado por clubes muito ricos, que só precisam de um artilheiro e já têm craques nas outras posições. Não era o caso do Santos, que estava montando um time modesto, mas eficiente, usando bem a alegria e a velocidade dos meninos da base. Até aqui foi o pior negócio já feito pelo clube em toda a sua história – pelo valor absurdo e pelo retorno que está dando, ou seja, nenhum. Mas agora não adianta gelar o cara. O Santos paga parcelas altíssimas pelo empréstimo que fez da Doyen e se Damião não jogar, o clube morrerá com o mico. Ele precisa jogar e fazer gols, ou jamais interessará a outro clube. Por isso, é mais do que necessário contratar um atacante veterano para dar treinos específicos de domínio de bola, cabeceio e arremate ao Damião.

Oswaldo x Damião – Pelas circunstâncias, Oswaldo Oliveira está sendo obrigado a escalar Damião. Não que alguém da diretoria o esteja pressionando a isso, creio que não. Porém, consciente como é, o técnico sabe que o clube precisa vender o atacante, e para isso ele tem de estar na vitrine. Com a venda do Damião vários problemas financeiros serão solucionados e, provavelmente, um outro centroavante venha a ser contratado. Ou, ainda, o que é mais difícil, Stéfano Yuri ou Diego Cardoso mostrem que podem vestir a camisa 9. A expectativa ingênua de que Damião pudesse ser convocado para a Copa e ter o seu passe valorizado mergulhou o clube em uma dívida que não poderia ter feito. Ela está engessando novas possibilidades de contratações. O que eu experimentaria fazer é colocar Damião no segundo tempo, quando os defensores estão mais cansados. Primeiro eu colocaria um ataque mais ágil para cansar a defesa contrária e depois o Damião. Não custa nada tentar.

Thiago Ribeiro, Cicinho, Mena – Esses três são outros casos de jogadores caros, que precisam jogar. Ao menos enquanto não tiverem reservas realmente mais experientes e de melhor rendimento. Creio que os três têm potencial para jogar bem e às vezes o fazem. O mais irritante do trio tem sido Thiago Ribeiro, o artilheiro que não consegue nem acertar o gol. Se ele tiver humildade, passará esses dias treinando arremate. Não dá para um atacante profissional ter um pé tão descalibrado. No mais, ele tem se apresentado para o jogo e mesmo sem jogar tão bem no todo, ainda é melhor do que Geuvânio e Stéfano Yuri. Só pode perder a posição para Gabriel.

Aranha, Edu Dracena, outros zagueiros – Aranha falhou no primeiro gol do Cruzeiro, mas foi muito atrapalhado por Moreno. Para mim foi um absurdo o árbitro não marcar impedimento, já que o atacante tentou tocar na bola e fez uma espécie de corta-luz, atrapalhando o goleiro santista. Mas Aranha tem crédito. Quanto a Edu Dracena, mesmo veterano e voltando de contusão, é um zagueiro que dá outra personalidade à defesa do Santos, que estava sem nenhuma. Bruno Uvini é um bom garoto e tem se esforçado. Ontem recebeu de Moreno uma cotovelada no rosto que deveria ter sido punida com o amarelo. Aliás, esse Moreno pintou e bordou. Como o Cruzeiro teve uma arbitragem bem favorável depois de fazer uma manifestação contra arbitragens na CBF, o Santos deveria fazer o mesmo juntando os lances de ontem. Bem, mas quanto aos demais zagueiros do Santos – David Braz, Jubal – acho que Oswaldo está tirando leite de pedra. Mas são jovens e terão até o fim do Brasileiro para melhorar.

Meio-campo – Entra ano, sai ano, e Arouca continua sendo o mais regular do meio-campo do Santos. O velho ídolo Renatinho veio, jogou mal e já está no estaleiro. Outra contratação equivocada. Dos garotos da base, nenhum se firmou ainda. Alison tem jogado pela garra, mas seu futebol é pequenininho. Leandrinho e Alan Santos, que são mais técnicos, precisam de mais sangue nas veias. Não para fazer faltas bobas, como Alan Santos fez ontem, mas para se mostrarem mais ágeis, participativos, ligados no jogo. O mais técnico da meiúca é Lucas Lima. A bola não queima no seu pé. Ontem até deu umas boas enfiadas para o Mena. Mas precisa treinar mais chute a gol. Não dá para passar o jogo todo rondando a área adversária sem tentar nenhum chute.

Robinho – Muito bem marcado pela ótima defesa do Cruzeiro, Robinho se cansou no segundo tempo e pouco fez, mas é a referência e o melhor – ou seria o único? – atacante do Santos. Ele tem de ter liberdade para atuar no lugar do ataque que quiser, como no time campeão brasileiro de 2002, em que fez jogadas de gol nos dois extremos do campo. E seus companheiros têm de jogar para ele, sim. E dar graças a Deus de ter um Robinho no mesmo time. A presença de Robinho já inibe o adversário, que não se solta tanto ao ataque.

O que esperar dos próximos compromissos – Diante das circunstâncias, vencer o Atlético Paranaense, quarta-feira, na Vila Belmiro, passa a ser obrigação. A diferença do Santos para o líder (13 pontos) já é maior do que a diferença para o último colocado (12) e o time está os mesmos seis pontos tanto abaixo do G4 como acima da zona de rebaixamento. Mais dois resultados ruins e a situação ficará crítica. Depois, virá o clássico contra o São Paulo, no Morumbi, no domingo, um jogo difícil, mas menos difícil do que Cruzeiro, Fluminense e Inter fora. O São Paulo é treinado pelo Muricy. Daí se vê que dá para conseguir alguma coisa. Em seguida vem o Botafogo, no Maracanã, partida que exige muita atenção, principalmente com a arbitragem, e por fim o Santos encerrará o turno jogando contra o Vitória, dia 6 de setembro, sábado, em jogo marcado para o Pacaembu. Espero que não mudem o local a pedido de Oswaldo e dos jogadores e que ao menos a última impressão causada no primeiro turno seja boa. Se der menos de 15 mil pessoas podem me cobrar. Acho que os santistas da capital e do Interior estão com saudades de ver o time jogar. E Robinho será um chamariz.

Dá pra sonhar com a Libertadores – Mesmo sem ser muito otimista, a verdade é que dá para sonhar com uma classificação para a Libertadores, sim. Veja que apesar de ter perdido quatro jogos nas últimas cinco rodadas, o Santos só está a seis pontos do G4. E agora os adversários, teoricamente, não serão tão difíceis. Ajustando algumas coisas, dá para esperar um rendimento melhor, sim.

E você, com a cabeça mais fria, como analisa as chances do Santos?

O Cruzeiro tem um time campeão, o Santos tem Robinho

Cruzeiro 3 x 0 Santos

O jogo analisado lance a lance

Em uma experiência nova, tentarei ver o jogo e comentar aqui. Vamos la..

Estádio cheio, legal, clima de grande jogo, clássico do futebol brasileiro. Vamos as análises dividindo o jogo por minutos…

6 – Cruzeiro vai ao ataque, cria mais. O Santos só pode se segurar e esperar a chance. Por enquanto, o time mineiro domina o meio-campo. Damiao acaba de ter uma chance, mas se enrolou e fez falta.

10 – Edu Dracena e Dedé estavam caídos e o Vuaden deixou o jogo seguir. Quase gol. Nas poucas chances de contra-ataque, Santos não pode errar passes bobos. Aliás, nunca pode.

11 – Muita bola pipocando na área do Santos, uma dessas pode sobrar pra um adversário.

13 – Cicinho não pode perder a bola com todo mundo na área do Cruzeiro.

15 – A pressão inicial do Cruzeiro diminuiu. Santos já consegue trocar passes.

16 – Moreno acerta o cotovelo no Bruno Uvini. Sem querer? Não sei, só sei que o Santos já está sem zagueiros. Uvini terá de jogar com curativo.

18 – Alan Santos olhou, olhou e entregou no pé do adversário. Aranha salvou.

19 – Everton Ribeiro ajeita com a mão e faz o gol. Bem anulado. Amarelo pra ele.

21 – Bom cruzamento de Cicinho, Damião fura a cabeçada. Bola fora.

24 – Alan Santos pega a bola, mas faz a tesoura com a outra perna e Vuaden da falta. Na cobrança, Marcelo Moreno cabeceia e Aranha aceita. 1 a 0. Água mole em pedra dura…

Com um gol atrás, a chance de o Santos ao menos sair com um empate no Mineirão diminui bastante. Agora o Cruzeiro não precisa se expor mais. Seu time já pode esperar e explorar os buracos na defesa do Santos. De que adiantou ter mais atacantes no papel, se o Santos foi pressionado desde o começo? A vantagem no meio-campo deu o domínio ao time de casa.

34 – Maior chance do Santos. Robinho briga, ganha no jogo de ombro e toca para Lucas Lima, que não consegue chutar por não ter pé direito. E prensado e a bola sai pela lateral.

36 -Robinho cai pela direita, toca para Damião e penetra, mas a bola volta longa demais.

38 – Oswaldo pediu para Rildo e Leandrinho se aquecerem. Creio que Alan Santos deve sair no intervalo. Eu não tiraria o Lucas Lima, mas acho que Oswaldo vai.

39 – Mena chuta forte e a bola cai no pé de Damião, livre, na pequena área, a bola bate nele e sai.

Em seguida, ótimo ataque e a bola cai pra Thiago Ribeiro, livre. Ele corta pra dentro e chuta. Pra fora…

43 – Santos ataca mais. Cruzeiro recua e fica na espreita de contra-ataques. Robinho tem liberdade para jogar em qualquer posição do ataque.

Análise do primeiro tempo

O Cruzeiro foi melhor e pressionou até fazer o gol, aos 24 minutos. Depois, deu mais espaço ao Santos e isso permitiu ao Alvinegro algumas boas chances, com Lucas Lima, Damião e Thiago Ribeiro. Quando pressionado, o Santos mostrou falhas na marcação, principalmente com Alan Santos e Mena. Aranha desta vez falhou no gol.

Mas árbitros europeus não dariam falta de Alan Santos no lance que gerou o gol. Ele trava a bola com o pé direito e depois há o contato da outra.

Para o segundo tempo, duas substituições prováveis seriam as entradas de Rildo e Leandrinho nos lugares, respectivamente, de Damião e Alan Santos. Creio que a segunda será feita, mas tenho dúvidas com relação a saída de Damião, pois mesmo sem estar em boa fase, ele preocupa a defesa do Cruzeiro e segura dois zagueiros lá atrás. Sem ele, o Santos tanto pode se tornar mais rápido e perigoso nos contra-ataques, como pode voltar a ser esmagado na sua defesa pela pressão do Cruzeiro.

Segundo tempo

Saíram Bruno Uvini e Leandro Damião, entraram Nailson, zagueiro da base, e Rildo. Trabalho da defesa será mais complicado. Dracena está voltando e jogará ao lado de um garoto. Alan Santos continua. Caso se acalme, ainda pode jogar bem.

2 – Santos perde a bola na saída da defesa, com Cicinho, o Cruzeiro penetra pelo meio e Ricardo Goulart bate cruzado para fazer 2 a 0. Bola foi forte, mas passou perto de Aranha.

Agora, creio que o estrago já está feito. Mas o Santos tem a obrigação de lutar ate o fim. Quem sabe o Cruzeiro se acomoda com a vantagem…

8 – Alan Santos faz uma falta idiota em Henrique e leva amarelo. Santista continua descontrolado.

Algo me diz que Marcelo Oliveira armou uma armadilha para Oswaldo. Fingiu que se preocupava com o ataque do Santos e induziu o técnico santista a escalar três atacantes no Mineirão. O que poderia colocar o Cruzeiro em dificuldade era o Santos fechar o meio-campo. Enfim, Santos começou a perder o jogo na prancheta.

15 – Cicinho dribla, vai a frente, cruza bem para trás. De frente para o gol, Rildo chuta pra fora. Santos ainda não acertou um único chute no gol.

22 – Cruzeiro permite que o Santos ataque.

23 – Thiago Ribeiro fica com a bola diante do goleiro, mas chuta em cima do mesmo. Era driblar para a direita e estufar as redes.

26 -Robinho caiu muito. Não está conseguindo segurar a bola.

27 – Bela tabela entre Júnior Batista e Willian. O segundo chuta pra fora.

Essa e aquela hora que o torcedor Santista espera por um milagre. Até o Robinho sumiu, parece cansado. Depender do Rildo e dose. Mas vamos lá…

Vuaden e caseiro mesmo. Deu uma falta do Nailson que nenhum árbitro europeu daria. Bola centrada na área, perderemos, mas no fim foi pra fora.

34 – Robinho ajeita para a canhota e chuta de fora da área, mas também não acerta o gol. A chance era boa.

Entra Leandrinho e sai Alan Santos. Agora? O que vai mudar?

38 – Bom passe do Lucas Lima para o Mena, que cruzou pra trás, mas ninguém aproveitou. O mesmo lance ocorreu em seguida, e novamente não havia ninguém do Santos para aproveitar.

Ao menos parece que a preparação física do Santos vai bem. Time mostra mais fôlego ronque o Cruzeiro neste final.

42 – Thiago Ribeiro erra o passe e da o contra-ataque para o Cruzeiro. Gol de Júnior Batista. Thiago Ribeiro não fez gol pelo Santos, mas participou de dois do Cruzeiro.

Fim de jogo. Análise final.

E óbvio que Oswaldo Oliveira escalou mal o time. E óbvio também que Leandro Damião e Thiago Ribeiro vivem péssima fase, principalmente o primeiro. Mas, o que o técnico pode fazer se e obrigado a escalar esses jogadores – que foram um investimento equivocado da diretoria de futebol e da presidência do Santos?

Portanto, tudo começou a piorar com a vinda de Damião. O maior responsável pelo futebol perdedor do Santos e aquele que decidiu contratar Damião e com isso mexeu em toda a estrutura tática do time. Porém, não e só isso que fez o Santos perder para o Cruzeiro.

Perdeu, e com justiça, porque tem menos time, menos elenco, menos técnico e menos direção de futebol. Hoje, infelizmente, não da para comparar Santos e Cruzeiro.

Mas, mesmo assim, poderia ter tido melhor sorte neste domingo? Sim, claro, o futebol permite essas alternâncias. Teremos de recorrer ao indefectível “se” para lembrar que Damião teve uma chance, Thiago teve duas e Rildo mais uma. Então, até daria para esperar outros números, mas a derrota foi justa.

O Santos tem de ser humilde e adotar um estilo de jogo de acordo com suas possibilidades do momento. Não da para enfrentar o melhor time do Pais, na casa deste, com três atacantes, sendo que dois vivem momentos muito ruins. Enfim, desta vez concordarei com as críticas a Oswaldo de Oliveira. Ele começou a perder o jogo na escalação.

Mesmo reconhecendo a justiça da vitória do Cruzeiro, tenho de criticar a arbitragem. No primeiro gol, além de não ser falta do Alan Santos, Leandro Vuaden deveria ter marcado impedimento de Moreno, pois este atrapalhou Aranha, ao tentar e quase tocar na bola. E no terceiro gol, Junior Batista estava impedido.

E você, o que achou de Cruzeiro 3 x 0 Santos?

robinho salva
Robinho, o craque solitário do Santos (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC)

Vejo e não acredito. O técnico Oswaldo de Oliveira parece que vai mesmo escalar três atacantes contra o Cruzeiro, neste domingo, às 16 horas, no Mineirão, com tevê aberta. Até o momento em que escrevo este post, Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Robinho estão confirmados. Se somarmos Lucas Lima, que é um meia ofensivo, teremos um time voltado para o ataque. Teoricamente, está certo. Time que precisa vencer tem de marcar gols. Mas há um problema.

O Cruzeiro, do precavido técnico Marcelo Oliveira, deverá fechar o meio de campo com cinco jogadores – Henrique, Lucas silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian – e deixará apenas Marcelo Moreno mais à frente. Esta formação obviamente se modificará quando o time tiver a bola, e aí sim chegará a ter quatro jogadores no ataque. O que pode ocorrer é que o Santos ficará dando murro em ponta de faca, enquanto o adversário, quando retomar a bola, penetrará na defesa alvinegra como faca quente na manteiga.

Em princípio, porém, os números na prancheta não seriam nenhum empecilho se os atacantes do Santos também voltassem para ajudar o meio-campo. Em 2002 Robinho fazia isso muito bem, agora Thiago Ribeiro está tentando. De qualquer forma, será difícil para o Santos vencer a batalha pela área central e vital da partida sem mais um reforço por ali. Mais uma vez acho que Damião deveria dar lugar a um jogador mais versátil, que possa atacar e também recuar rapidamente quando o time está sem a bola. Mas estou louco para queimar a língua, claro.

De qualquer forma, o Santos precisa vencer e há a possibilidade de esta formação inicial ser modificada se o time fizer o primeiro gol. Nono colocado, com 20 pontos, 10 a menos do que o adversário, o Alvinegro Praiano precisa muito da vitória. E quem sabe conseguirá, repetindo o que fez nos Brasileiros de 2002 e 1012, por exemplo (ver vídeos abaixo).

Quanto ao técnico Marcelo Oliveira, vive a melhor fase de sua carreira e neste domingo completará 100 jogos à frente do time que ele levou ao título brasileiro de 2013. Depois de uma vantagem folgada na liderança, o Cruzeiro teve dois empates seguidos e agora precisa vencer para não ser alcançado pelo Internacional. Mesmo focado na vitória, o técnico se mostrou preocupado com a boa fase de Robinho e não teve vergonha de dizer que vai preparar uma marcação especial sobre o melhor atacante do Santos. Mas não será uma marcação individual. quando estiver na esquerda, Robinho será marcado por Mayke, e quando cair pelo meio, por Henrique.

“O Santos confirmou o que a gente já sabe: se propõe a jogar sempre ofensivamente e vai trazer muita dificuldade para a gente. Robinho acrescenta muito, é muito criativo e técnico. Volta empolgado ao Santos, onde cresceu e se tornou ídolo. Merece toda a atenção pela qualidade técnica e o poder de decisão” – disse o técnico, demonstrando humildade e respeito ao adversário.

“Ele tem muito recurso. Para marcá-lo, tem de estar sempre ligado. Se marca a esquerda, ele vira para a direita. Se marca a direita, ele sai pela esquerda. Tem um drible muito bom e faz a diferença em pequenos espaços. Pode desequilibrar, fazer gols e dar passes” – concordou Henrique, que vive tão boa fase no clube mineiro que já está renovando seu contrato.

Entram Edu Dracena e Alan Santos

Com a suspensão de Alison, Arouca jogará ao lado de Alan Santos, que é mais técnico e tem mais potencial do que Alison e só precisa se aprimorar um pouco mais na marcação e pensar um pouco mais rápido para passar a um outro nível de jogador. No time de Minas, Henrique, aquele que não deu certo no Santos, volta ao jogo depois de cumprir suspensão. Ele formará a dupla de volantes ao lado de Nilton Silva.

Outro fato de destaque é que o capitão Edu Dracena voltará a jogar uma partida desde o começo, após seis meses recuperando-se de uma lesão. É preciso ter muita força de vontade para voltar ao futebol depois de duas lesões graves, mas Edu Dracena tem personalidade e isso pode ser um fator positivo para a defesa do Santos, que anda precisando de um mentor. Ele também é muito querido pelos torcedores do Cruzeiro, pois foi o capitão do time campeão brasileiro de 2003.

Meu palpite? Acho que se o Santos equilibrar a disputa pelo domínio do meio-campo, terá chances até de vitória. Do contrário, será dominado, pressionado, e acabará tomando aqueles gols que a gente conhece e perderá a partida. Como em um jogo de xadrez, a batalha pelo meio decidirá a sorte do duelo. De qualquer forma, apesar da dura marcação que deverá sofrer, tenho esperanças no talento de Robinho.

Mas há outro detalhe a favor do time mineiro: o banco de reservas, que conta com jogadores de bom nível e experientes, como Marquinhos, Júlio Baptista, Dagoberto e Tinga, enquanto Oswaldo de Oliveira, sem o volante Renato, machucado, e o atacante Gabriel na Seleção Sub-20, só terá mesmo a opção de arriscar com algum jogador da base.

A arbitragem será de Leandro Pedro Vuaden, auxiliado por Rafael da Silva Alves e Alexandre Kleiniche, todos do Rio Grande do Sul. Acho que o Vuaden é um árbitro okay, mas foi ele quem não deu um pênalti para o Santos no final do jogo contra o Flamengo, em 2010, no Maracanã. Se novamente atuar como “caseiro”, a coisa ficará ainda mais difícil para o Alvinegro.

Cruzeiro x Santos

Campeonato Brasileiro – 15ª rodada
Mineirão, 16 horas
Cruzeiro: Fábio, Mayke, Dedé, Leo e Egídio; Henrique, Lucas Silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian; Marcelo Moreno. Técnico: Marcelo Oliveira.
Santos: Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Bruno Uvini e Eugenio Mena; Alan Santos, Arouca e Lucas Lima; Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Robinho. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Os Meninos da Vila, a caminho do título brasileiro de 2002, goleiam o Cruzeiro em BH:

Cruzeiro 0 x 4 Santos, no Brasileiro de 2012, com coro da torcida saudando Neymar:

Esbarrões no árbitro: dois pesos e duas medidas

Enquanto o jogo do Santos não vem, um aperitivo para a diversão dos leitores do blog. Para quem não se lembra, trago imagens da até então mais famosa esbarrada de um jogador em um árbitro. Só que no caso creio que tenha sido apenas um esbarrão mesmo. Ocorre que o jogador era Éder, do Atlético Mineiro, e o árbitro José Roberto Wright, que parecia totalmente empenhado em ajudar o Flamengo a ir em frente na Copa Libertadores da América de 1981.

O jogo-desempate, em Goiânia, definiria que time brasileiro seguiria na competição. A partida era difícil e equilibrada. Aos 37 minutos, Wright deu cartão vermelho direto para Reinaldo por uma falta em Zico. Exagero. O amarelo era suficiente. Minutos depois – como se poderá ver no vídeo abaixo, a partir da marca de 55 segundos -, Wright dá um pisão na bola que seria tocada por Éder e faz o jogador do Atlético tropeçar. Na volta, Éder pega a bola e dá um leve esbarrão no árbitro, o suficiente, porém, para também ser expulso. Como os jogadores do time mineiro protestaram, Wright expulsou também Chicão, Palhinha e Cerezo, definindo o jogo mais difícil que o Flamengo teria na sua caminhada para a Libertadores e, em seguida, para o Mundial Interclubes.

Por isso é que se diz: Por mais que tivesse um grande time e o craque Zico, não fossem as arbitragens e aquele Flamengo não teria ganhado tantos títulos. Foi um período tenebroso das mutretas no futebol brasileiro, bem maior até do que vemos hoje. E o interessante a notar nesses dois casos – esse antigo, de Éder, e o atual, de Petros – são os critérios: se o contato no árbitro é feito por um adversário de um dos dois queridinhos, a expulsão é imediata, mesmo levando-se em conta a importância do jogo. Porém, se o empurrão, pelas costas e deliberado, é de um jogador de um dos dois protegidos, o árbitro finge que não foi nada e nem procura saber como a jogada aconteceu. Só tomou providências depois que o mundo todo chiou. Veja você mesmo e tire suas conclusões (o gramado está meio estranho porque resolveram fazer uns desenhos geométricos na grama, mas dá para ver bem):

Viu como para alguns é bem mais fácil ser campeão da Libertadores?

E pra você, como será o jogaço entre Cruzeiro e Santos?

Falta fundamento para Thiago Ribeiro, Damião e o Brasil

Atenção: Logo mais, às 21h30m, estará no ar o post para este domingo, dia de jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão, às 16 horas, com tevê aberta.

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Damião e Thiago Ribeiro, atacantes que não fazem mais gols (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC)

Leandro Damião tem sérias dificuldades para dominar, chutar e cabecear uma bola; Thiago Ribeiro é escalado para fazer gols, ou contribuir para que eles saiam, e perde oportunidades que deixariam minha avó, se estivesse viva e se jogasse futebol, vermelha de vergonha. O que está acontecendo com o Santos e com o futebol brasileiro?

Muito se especula sobre os motivos da decadência de nosso futebol, mas ainda não li ou ouvi alguém se referir ao mal maior e primordial de todos, que é a falta de fundamento dos jogadores, a base de todo o processo.

Por que mesmo atacantes regiamente pagos, como Damião e Thiago Ribeiro, perdem tantos gols feitos? Ora, porque não sabem se posicionar, não usam o pé de apoio na posição correta, não batem na bola com o lado certo do pé, não sabem usar os efeitos e as potências do chute, enfim, são limitados, para não dizer grossos.

E por que são contratados mesmo assim, a peso de ouro? Porque os clubes estão repletos de diretores de futebol que não enxergam um palmo adiante do nariz, não sabem nem de que cor é a bola e fazem negócios em que o aspecto técnico nem sempre é priorizado. Damião veio pelo marketing, por um dinheiro que o Santos não tinha, é se transformou em uma bolha que corrói os cofres santistas.

Mas voltemos a falar de fundamento, ou da falta de. Após um jogo como o da última quinta-feira, em que deu quatro chutes a gol e errou todos, perdendo no mínimo dois gols, o que você acha que o técnico Oswaldo de Oliveira deveria falar para Thiago Ribeiro? Bem, a gente sabe o que Oswaldo disse na coletiva, que atacante é assim mesmo, “vive de lua”, mas, brincadeiras à parte, o que um técnico profissional, de um time profissional, deveria dizer para um atacante que tem uma atuação tão deprimente? Eu imagino algo assim:

- Thiago, esta semana você vai treinar chutes a gol uma hora por dia. Chegue mais cedo aos treinos. O Giovanni, nosso auxiliar especializado em chutes a gol, vai treinar você.

- Mas professor, eu sei chutar.

- Então, por que não fez ao menos um gol nas quatro chances que teve, por que chutou todas para fora?

- Ah, professor, o senhor sabe, atacante é “de lua”. No outro jogo eu desencanto e faço um monte.

- Não podemos depender da sua lua. Não podemos trabalhar a semana inteira para um jogo e você, que está lá para botar a bola pra dentro da rede, perder gols que até a minha bela e delicada mulher faria. E já estou cansado de esperar você desencantar. Você faz uma partida boa e cinco ruins. Assim não dá.

- Ah, assim não dá, professor.

- Assim não dá digo eu. Vai ter de treinar, e muito. Pois se continuar assim, não terei mais espaço pra você no time.

Bem, agora voltando ao nosso post. Você acha que esse tipo de diálogo ocorre? Óbvio que não. Jogadores profissionais brasileiros continuam se julgando os mais habilidosos do mundo, acham que não precisam treinar fundamento, e os técnicos não têm peito de cobrar. Porém, já se foi o tempo em que cada esquina deste País tinha um campinho de terra batida e milhões de crianças passavam o dia todo correndo atrás de uma bola. E é claro que da quantidade saía a qualidade.

A tevê não tinha programação durante o dia (começava às seis da tarde), não havia videogame e a garotada não bebia, não usava droga e nem transava antes dos 18. O futebol era a diversão de 90% dos meninos. Diversão não, era o ritual de passagem, o campo para o amadurecimento físico e moral. Quem não jogasse futebol na infância, ou adolescência, já ficava com fama de veado. Homem para ser homem, tinha de jogar bola.

E com tanto moleque chutando bola, era natural que dessas peladas, que lá pelos lados da Cidade Dutra nós chamávamos de “treininhos”, saíssem Pelés, Garrinchas, Edson Bruxas, Cascavéis e outros craques, reconhecidos ou não.

Hoje, não há terrenos baldios para os campinhos, nem tempo e segurança para um garoto passar horas fora de casa, jogando bola na rua. O treininho passou para as escolinhas. Só que elas existem no mundo inteiro. Se as do Brasil não forem melhores, se não conseguirem conservar e valorizar a habilidade do jogador brasileiro, nosso futebol perderá a técnica, a ginga, o malabarismo que sempre teve. Por isso, o treino de fundamento é essencial.

Já se percebe que o nível de exigência para um jogador profissional vem caindo ano após ano. Sem falsa modéstia, posso dizer que em 1967, aos 14 anos, eu já sabia bater com todos os efeitos, cabeceava mais ou menos, chutava de esquerda, dava uns dribles simples, mas eficientes, sabia como me colocar na área para ter mais chances de concluir e como procurar os espaços vazios para receber o passe. Ainda tinha muito a melhorar, claro, mas se jogasse hoje já poderia ser titular do Santos e ganhar 500 mil reais por mês.

É por isso que um Robinho volta da Europa com 30 anos e mesmo assim é um rei por aqui. O tempo parou na terra de lost, essa é a verdade. Que outro jogador em atividade no Brasil tem essa habilidade que Robinho tem? Tente dar uma pedalada na corrida sem cair de bunda no chão. Perceba que até Cristiano Ronaldo tem dificuldade ao pedalar. A dele sai toda dura, artificial. Ninguém pedala como Robinho e Neymar, isso é fato. A pedalada é um drible Made in Vila Belmiro. Tem de ser muito bom para fazer bem.

Mas é claro que não se pode exigir ou esperar pedaladas de atacantes que nem conseguem acertar, com o pé bom e de frente, a extensão de sete metros do gol. Por isso, se quiser tentar ajudar esses jogadores, o Santos tem de mudar o treinamento do futebol e dar ênfase aos fundamentos. Isso tem de fazer parte da cláusula contratual de todo jogador. “De lua” ou não, todos terão de se submeter a treinamentos específicos da sua posição.

Entre outras coisas, goleiro tem de saber sair do gol, orientar a defesa e repor a bola; zagueiro tem de saber antecipar, cortar sem fazer falta, colocar-se bem, cabecear e sair jogando; volante tem de marcar, mas também tem de acertar passes e chutes a gol; o mesmo serve para os meias, que precisam ainda enfiar passes sob medida, driblar e chutar muito bem a gol. Quanto aos atacantes, é essencial habilidade para dominar a bola, driblar, tabelar, chutar com os dois pés e cabecear. Quem não preencher esses requisitos, que se submeta aos treinos com afinco. Se depois de algum tempo, não tiver mesmo jeito, RUA!

Eu já disse e repito, o futebol brasileiro está pagando salários altos demais para jogadores muito mal qualificados. Isso, em parte, explica as dívidas enormes dos clubes. Dá para montar equipes mais eficientes investindo bem menos – como, aliás, Bragantino e América de Natal provaram esta semana.

Aprenda a chutar com o Higuaín

Treino de crianças no Barcelona

Messi treinando contra um goleiro-robô

Garotinho treinando o drible do Kaneko. E do Neymar.

Thiago Ribeiro já fez gol

Imagens de uma paixão, homenagem à torcida do Santos

A torcida é o combustível do Santos. Sem ela, a máquina para. Por isso, essa discussão entre santistas da Baixada e da Capital é a maior burrice que pode haver. Isso só transforma em fraqueza aquilo que deveria ser e é uma força do Santos, um time com torcedores espalhados por todo o País, principalmente nas Regiões Sudeste e Sul, as mais ricas do Brasil.

Há dois anos o Santos comemorava seu Centenário e o Sesc de Santos fez esta bela exposição de fotos em homenagem à torcida santista. Tive o prazer de ser o curador. Dê uma olhada:

As fotos foram impressas em bandeiras alvinegras. Ficou muito bonito. Esse tipo de evento tinha de ser feito mais vezes pelo Santos.

E você, acha que está faltando fundamento ao jogador brasileiro?

O garoto Robinho decidiu. Fez um e deu o outro para Rildo

“Ou paga,ou desce” – esta é minha coluna de hoje no jornal Metro

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Robinho estava em todas. Fez um gol, deu o passe para o outro, comemorou como nos bons tempos e festejou com o filho Róbson. O Rei do Drible estava em casa. (Fotos: Ricardo Saibun/ Santos FC).

O jogo está encalacrado. O Santos domina, mas não dá um único chute a gol. Nisso, aos 7 minutos do segundo tempo, Robinho, que apesar dos 30 anos é o que mais corre no ataque santista, pega a bola pela esquerda, vai driblando pra dentro e solta o chute em diagonal, no canto alto esquerdo do goleiro Vitor. Golaço! A partir daí tudo iria melhorar.

Como precisava do empate para se classificar, o Londrina foi à frente, abrindo muito espaço para os contra-ataques do Santos. Nenhum deles, porém, terminava em gol, até que novamente Robinho tratou de decidir o jogo. Deu um pique longo pela esquerda, driblou o zagueiro uma vez, deu mais um corte e só empurrou a bola para Nildo bater de chapa, na paralela, no canto direito rasteiro do Londrina.

Com 2 a 0, a classificação só seria perdida se o time do Paraná conseguisse um gol nos últimos minutos e depois ganhasse na disputa de pênaltis. Parecia impossível, mas bem que o brioso adversário lutou até o fim e deixou evidente o desentrosamento da defesa santista.

Não foi um bom jogo do Santos, mas salvou-se por Robinho, Lucas Lima e a onipresença de Arouca. Jubal voltou muito inseguro e saiu com problemas musculares. Edu Dracena voltou e deu uma arrumadinha na defesa. David Braz é estabanado, assim como o volante Alison – que desta vez, porém, não levou amarelo.

Mena foi melhor do que Cicinho, o que não é muito, pois o lateral-direito fez uma péssima partida tanto defendendo, quanto atacando. Na defesa, dificilmente faz um corte ou está no lugar certo para bloquear o avanço do atacante. E no ataque, toca de primeira quando deve segurar a bola e geralmente segura muito a bola quando precisa tocar de primeira. Se o passe saísse certo, tudo bem, mas quase sempre sai do pé de Cicinho para o do adversário e ele fica parado, esperando alguém fazer a cobertura.

Contra o Londrina, não fosse Thiago Ribeiro ajudar na marcação pela direita, e o time paranaense toda hora chegaria à linha de fundo em cima de Cicinho. Talvez Oswaldo Oliveira escale Thiago Ribeiro por isso, porque como atacante ele tem sido nulo. Deu quatro chutes a gol na partida e nem acertou na direção das traves. Na verdade, deu três, pois em um deles furou e caiu sentado na hora de marcar.

Damião acertou uma bicicleta na trave, mas se de frente está difícil, de costas então… Continuo torcendo por ele, mas até aqui, sem dúvida, tem sido um dos piores, se não o pior centroavante que já vestiu a camisa do Santos.

Além de Robinho, outro destaque do time foi Lucas Lima. O rapaz sabe tocar e sair jogando no meio-campo. Fez boas jogadas e em uma delas chegou à linha de fundo e cruzou para trás, deixando a bola rasteirinha, à mercê da conclusão de Thiago Ribeiro, que escorregou e caiu sentado.

Rildo e Alan Santos, que substituíram, respectivamente, Leandro Damião e Arouca, entraram bem. O primeiro fez o segundo gol e Alan mostra muito mais categoria e consciência do que Alison. O Santos deveria jogar com Alison, Arouca, Alan Santos e Lucas Lima no meio, deixando Robinho e Gabriel na frente.

Craque é craque. Enquanto escrevo essas linhas, Robinho está sendo entrevistado pelo seu gol e sua atuação. O futebol brasileiro precisa da alegria e do futebol que ele ainda tem para mostrar. Esta é a única verdade. Não se pode confiar na empáfia de certos comentaristas. O senhor Robson de Souza é um dos melhores jogadores em atividade no País. E, sem dúvida, o mais carismático.

Agora o Santos esperará um sorteio, na segunda-feira, para saber qual será seu próximo adversário na Copa do Brasil. O mínimo que o clube pode fazer é mandar alguém acompanhar este sorteio. Essa diretoria tem sido pouco atuante nas questões políticas que envolvem o clube. Já ouvi coisas escabrosas sobre os “sorteios” da Copa do Brasil. Minha preferência é que caia contra o Corinthians. Seria uma boa revanche.

Outro assunto em pauta é o maldito copo jogado em campo no clássico de domingo. Pensei que esse tipo de atitude fosse coisa do passado. E é estranho que não tenha aparecido o autor do delito. De qualquer forma, é preciso fazer o departamento jurídico se mexer. Perder 10 mandos de campo pode fazer o time correr risco de rebaixamento no Brasileiro.

Santos 2 x 0 Londrina – terceira fase a Copa do Brasil

Aranha, Cicinho, Jubal (Edu Dracena), David Bráz e Mena; Alison, Arouca (Alan Santos) e Lucas Lima; Thiago Ribeiro, Robinho e Leandro Damião (Rildo). Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Londrina: Vitor, Lucas Ramon, Dirceu, Silvio e Allan Vieira; Diogo Roque, Bidia (Madison), Léo Maringá e Celsinho (Davi Ceará); Joel e Paulinho. Técnico: Cláudio Tencatti.
Gols: Robinho aos 7 minutos e Rildo aos 43 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Thiago Ribeiro, Lucas Lima e Rildo, do Santos, e Paulinho, Bidia, Diogo Roque e Dirceu, do Londrina.
Arbitragem: Wagner dos Santos Rosa, auxiliado Wendel de Paiva Gouveia e Michael Correia, todos do Rio de Janeiro (Os londrinenses reclamaram de um pênalti cometido por Cicinho quando o jogo estava 0 a 0. O lateral santista pulou com a mão distante do corpo e a bola bateu nela, interrompendo o cruzamento para a área. Na final da Libertadores, quarta-feira, houve um lance igual e o árbitro deu pênalti, decidindo o jogo e a Copa para o San Lorenzo. Acho que mesmo não havendo intenção, o árbitro poderia, sim, ter dado o pênalti contra o Santos).

Um presente principalmente para você que curte o blog de madrugada: um filme – que está na página “Artes” deste blog – dos craques do Santos sendo entrevistados em um alegre programa da TV argentina em 1962, ano do cinquentário do clube, em que o Santos ganhou tudo o que disputou. Veja Pelé com 22 anos, Coutinho com 20…

E você, o que achou de Santos 2 x 0 Londrina?

Melhor marketing do Santos tem 3 letras e uma exclamação: GOL!

Robinho decidiu! Logo mais eu posto o texto de Santos 2 x 0 Londrina.

Com todo o respeito ao Londrina, hoje é dia de goleada

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Recuperado, Jubal volta hoje, completando a zaga com David Braz (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC)

Amigo, pegue o ataque do Santos: Robinho jogou duas Copas, Leandro Damião foi titular da Seleção Brasileira, para a qual Thiago Ribeiro já foi muito cotado. No meio de campo ainda há Arouca, festejado como um dos melhores volantes do Brasil. Nem vou citar os jogadores do bravo Londrina, pois, sinceramente, não conheço nenhum. Então, por mais que o futebol apresente surpresas, um resultado esta noite, na Vila Belmiro, que não seja a vitória santista, será não só surpreendente, como decepcionante, e colocará em dúvida a capacidade desses jogadores e de seu técnico.

Como o texto principal deste post diz, o gol sempre foi a maior arma de marketing do Santos (até antes do ataque de 100 gols, de 1927). Porque apaixona o público, chama a atenção, entra na história. Hoje, com todo o respeito que tenho pelo time e a boa terra de Londrina, no rico norte do Paraná, é dia de voltar a ver o Santos ofensivo, goleador. E outra: time grande não entra em campo para outro resultado que não seja a vitória.

Nem quero saber se a Sul-americana é mais fácil e dá mais vantagens. Derrotas como São Paulo e Fluminense sofreram ontem são vexatórias e mancham a história de um clube. É melhor e mais digno vencer hoje, ficar na Copa do Brasil e lutar pelo segundo título nesta competição que é a mais difícil e importante depois do Campeonato Brasileiro. Deixemos a Sul-americana para os perdedores.

Hoje, na partida marcada para as 19h30, o Santos deverá jogar com Aranha, Cicinho, Jubal, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Robinho. Sei que o clube tem de expor o Damião para tentar vendê-lo, mas acho que o time joga melhor com mais um no meio que possa avançar. De qualquer forma, hoje é um bom jogo para o contestado Damião tirar o pé – ou a cabeça – da lama.

O Londrina, do técnico Claudio Tencati, deverá atuar com Vitor, Lucas Ramon, Dirceu, Silvio e Allan Vieira; Diogo Roque, Bidía, Léo Maringá e Celsinho; Paulinho e Joel. É bem provável que vá se fechar, na velha e boa retranca, e especular alguma coisa nos contra-ataques. Se o time paranaense for esperto, tentará pegar o Santos desprevenido no começo do jogo e marcar um golzinho logo de cara, o que obrigaria o Alvinegro Praiano a marcar três para se classificar.

A arbitragem será de Wagner dos Santos Rosa, auxiliado por Wendel de Paiva Gouveia-RJ e Michael Correia, todos do Rio de Janeiro. Não faço a mínima ideia do nível profissional destes senhores, mas espero que atuem bem melhor do que o trio que operou no clássico, domingo.

À torcida que for à Vila Belmiro eu só peço que não deixe o time se acomodar. Depois de três derrotas consecutivas, está na hora de o Santos voltar a vencer e estes jogadores justificarem o que o clube lhes dá.

Como você acha que o Santos se sairá hoje?

O São Paulo estava ganhando, mas perdeu de 3 a 1 para o Bragantino, em pleno Morumbi, e com isso saiu da difícil Copa do Brasil para jogar a menos complicada Copa Sul-americana. Veja como o Rogério Ceni se empenhou nos gols do Bragantino. Enquanto isso, no Maracanã, o Fluminense, que podia perder por dois gols de diferença, perdeu por 5 a 2 do poderoso America de Natal e também saiu Copa do Brasil para a Sul-americana. Outro time grande surpreendido, o Inter perdeu de 3 a 1 no Ceará e também seguiu para a Sul-americana. Fico aqui pensando: que competição será que Oswaldo Oliveira e os jogadores preferem jogar?

Quando o humor parece mais sério que o jornalismo “sério”

1.731.450 apostas em 65% das cidades brasileiras foram feitas no teste 612 da Timemania, em 12 de agosto, terça-feira passada. Os dez clubes mais votados foram:

1º FLAMENGO RJ 84.637 4,88%
2º CORINTHIANS SP 73.799 4,26
3º SAO PAULO SP 59.792 3,45
4º SANTOS SP 58.296 3,36
5º GREMIO RS 50.524 2,91
6º PALMEIRAS SP 50.405 2,91
7º VASCO DA GAMA RJ 45.241 2,61
8º INTERNACIONAL RS 45.077 2,6
9º CRUZEIRO MG 43.789 2,53
10º BOTAFOGO RJ 38.890 2,24

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Titulares que devem jogar contra o Londrina, nesta quinta-feira, treinam no CT Rei Pelé. Só a vitória interessa (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC)

Meus amigos, compactuo com as reclamações e queixas de todo santista, mas às vezes me pego pensando se não exageramos nas nossas lamentações. Sabemos que a Globo e muitos outros veículos de comunicação falam pouco do Santos por puro amadorismo, incompetência ou clubismo, mas a verdade é que já falaram e ainda vão falar muito. E quando falam? Quando nosso Glorioso Alvinegro Praiano faz algo espetacular.

É injusto falar do Santos apenas quando ele transcende a mediocridade geral? Sim. Mas tem um lado bom? Tem. E qual é ele? O lado bom é que para ter espaço na mídia, o Santos tem de fazer, sempre, algo excepcional. E volta e meia ele faz. E quando faz, não há veículo de comunicação parcial que resista, pois o povo quer saber como foi.

E o que o Santos, de vez em quando, faz de verdadeiramente extraordinário? Uma dica: tem três letras e faz um estádio inteiro ficar de pé. Isso mesmo, brother: GOL! Gols aos montões e bonitos como nenhum outro no mundo. Não é à toa que foi feito um filme de Pelé com duas horas de um gol atrás do outro, todos lindíssimos. E não é à toa que o último prêmio que o futebol brasilerio ganhou da Fifa foi o Puskas, pelo gol mais bonito do Menino de Ouro, nosso sempre querido Neymar.

Lembro-me como se fosse hoje da tarde de domingo, 21 de março de 2010. Eu e Suzana éramos dois dos 10.015 pagantes que foram ao Pacaembu ver o Santos, sem Neymar e sem Robinho, contra o Ituano de Juninho Paulista. Não importa que time entrasse em campo, sabíamos que iria pra cima do Ituano. E nem mesmo quando o time de Itu abriu o marcador, logo a um minuto de jogo, a confiança arrefeceu.

O empate veio aos 14 minutos, com André, e ao final do primeiro tempo já estava 4 a 1 pro Santos. Começou o segundo e com ele, mais gols. O Pacaembu entrou em transe. Queríamos gols, mais gols. Eles surgiam, mas queríamos mais. O técnico Dorival Junior fez algo que nenhum técnico do mundo jamais fez: foi tirando jogadores de defesa e de marcação para colocar atacantes. Saiu Pará para entrar Zé Eduardo e Arouca para entrar Maikon Leite. O zagueiro Edu Dracena deu lugar ao meio-campo Roberto Brum. Dez! Dez! Dez! gritava o Pacaembu enlouquecido!

O décimo não veio, mas veio o nono, marcado por André, de pênalti, no finzinho do jogo. Que festa! Saímos do Pacaembu com a alma lavada. Dirá o pragmático, dando de ombros: “Mas o jogo não valia nada…” Sai pra lá, mocorongo, valia tudo! Valia um momento tão inesquecível que hoje e sempre será lembrado. Porque o futebol não é só feito de taças suadas e derrotas magérrimas, meus caros. O futebol que empolga e fascina exige momentos de profunda e total explosão!

Esse, meus amigos, é o marketing que não quer calar, que ninguém segura, que fica gritando nos ouvidos dos experts que jamais chutaram uma bola na vida: GOOOOOOLLLL do SAAAAAANNNNNTOSSS!!!

Por isso, não sei e nem quero saber quem vai jogar nesta quinta-feira à noite, na Vila Belmiro, contra o simpático Londrina. Sei que o Robinho vai. Mas, qualquer que seja o time escalado para tentar vencer o bravo campeão do Paraná e seguir na Copa do Brasil, a obrigação, o dom, a vocação do Santos exige que se ataque do primeiro ao último minuto e se faça o maior número possível de gols. Duvido, se isso acontecer, que os programas esportivos não deixem de falar do joanete do fulano, ou da frieira do beltrano, para dar espaço ao maior time artilheiro do mundo.

Reveja Santos 9 x 1 Ituano, sem Neymar e Robinho:

E você, não acha que o maior marketing do Santos é fazer muitos gols?