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Ufa, como esse time mexe comigo…

Voltamos de um almoço em um restaurante peruano. Tomamos um chá no hotel antes de minha filha ir para sua casa. Nos últimos minutos eu já estava ansioso para buscar um site da Internet que dissesse como está o jogo. Mal a Luana se foi e achei um daqueles sites que contam o jogo lance a lance. O Figueirense pressionava. Pensei: é a pressão dos desesperados, dos times sem convicção, como era o Santos nos tempos do Oswaldo de Oliveira. Logo o Santos faz um gol e tudo muda…

Demora um pouco e aos 40 minutos, surge o anúncio: “Santos!”. Damião aproveitou um cruzamento de Lucas Lima e abriu o marcador, de cabeça. Torço para o primeiro tempos acabar logo. Sei muito bem como o Santos é. Adora tomar um gol logo em seguida. Vem a informação de que haverá dois minutos de acréscimo. Fico esperando o fim do primeiro tempo antes de sair com a Suzana para um passeio pelas ruas próximas ao hotel. Mas logo aparece a informação de que há um pênalti contra o Santos. Em seguida, o anúncio do gol de empate.

Sofrer um gol no último lance do primeiro tempo me parece coisa de time amador. Depois vi a jogada e percebi que Alison não teve a intenção de colocar a mão na bola. Mas atrapalhou o cruzamento. Deveria ter tido mais cuidado com a maldita mão. Mas na hora só recebi a informação de que tinha sido um pênalti “polêmico”.

Saí com a Suzana e caminhamos pela avenida Holanda. Fomos dar em um shopping que não parecia nada de mais olhado de baixo, mas entramos e tinha seis andares de lojas bonitas, corredores espaçosos, cheiros e vitrinas embriagadores. Não sou consumista, mas fiquei abismado com o grande shopping de Santiago. Que Iguatemi, que nada. Esse é o melhor que vi.

Mas o tempo todo, ao lado da mulher que amo, andando por lugar tão agradável, não conseguia parar de pensar no jogo do Santos. A Internet depende do wi-fi do hotel e na rua fiquei sem saber os que ocorria na Vila Belmiro. Confesso que não estava muito animado. Imaginei que o time voltaria mais decidido para o segundo tempo, ou acabaria se perdendo de vez.

Tornei-me impaciente com a Suzana nos últimos momentos no shopping. Não, não queria presente algum. Sapatos compramos no Brasil, onde são melhores e mais baratos. Ela acabou cedendo. Voltei andando mais depressa. Mal chegamos ao quarto e busquei conexão com o mesmo site que transmitia o jogo lance a lance. E lá estava, em letras pequenas, porém divinas: Santos 3 x 1 Figueirense. Robinho e Lucas Lima tinham marcado aos 11 e 44 minutos do segundo tempo. Aleluia! O perigosíssimo Figueirense tinha sucumbido!

Meus amigos, hoje foi mais um dia em que percebi como o futebol, como o Santos, mexe comigo e completa minha felicidade. Sei que os três pontos não tiram o time da nona colocação, sei que o próximo jogo, contra o Atlético Mineiro, em Minas, é daqueles que o empate já estará bom, mas hoje vou dormir em paz.

Damião fez um gol, Robinho fez um golaço e Lucas Lima foi o homem do jogo. Alison e Souza, pelos comentários, bateram cabeça. Sei também que só 5.571 pessoas foram à Vila Belmiro. Tudo bem. Que tudo melhore na próxima partida. Hoje vou curtir essa vitória. Servidos uma Absolut?

E você, não se sentiu aliviado com essa vitória?

A coragem de Aranha, jogos caça-níqueis da CBF e um Santos Exportação

Aranha mostrou coragem e personalidade impressionantes contra os racistas, do Grêmio e do Brasil, no jogo de quinta-feira, em Porto Alegre. Se sofresse um gol, ainda mais em uma falha sua, seria ironizado pelos racistas e lembrado por isso. Mas foi tranquilo e firme tanto no jogo, como nas entrevistas. Seu episódio foi importante para desmascarar não só os torcedores do Grêmio, mas também muitos jornalistas que não acreditam e não professam a igualdade racial. Sim, Aranha provou que o Brasil, infelizmente, é um país racista.

Amistosos caça-níqueis da CBF
Se os dirigentes do Santos – e dos outros clubes que cedem jogadores à Seleção – tivessem a mesma coragem do goleiro santista, já teriam impedido a CBF de desfalcar suas equipes com tantos amistosos caça-níqueis que não servem para nada. Se servissem, o Brasil não teria dado o vexame supremo na última Copa. O Santos investir o que não tem e não poder contar com Robinho por tantos jogos é uma piada. Não protestar contra isso, não articular com os outros clubes para que essa palhaçada termine, é uma piada maior ainda. Quem deve controlar o futebol brasileiro, é uma liga de clubes, como ocorre no tênis, organizado pela Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). A CBF é uma aberração dispendiosa, amadora, desonesta e inútil.

Santos tipo exportação
Mesmo o jovem Christian, um dos cantantes do assado (churrasco) na varanda de Juan, colega de trabalho de minha filha, em Santiago, sabe que o Santos fez história no Chile ao vencer torneios contra grandes equipes por aqui. Um dessas partidas – a vitória sobre a Seleção da Tchecoslováquia, por 6 a 4, em 16 de janeiro de 1965 – ainda é considerada um dos maiores espetáculos de futebol que os chilenos já presenciaram. Voltariam a ver o Santos jogar, se ele pudesse voltar todos os anos, com seu futebol atrevido e ofensivo.

Por outro lado, sabemos que no Brasil o sistema implantado privilegia duas equipes popularescas e exclui o Santos. Amanhã mesmo, quem quiser ver a partida contra o Figueirense, a partir das 18h30, na Vila Belmiro, terá de apelar para o pay per view ou procurar um site pela Internet. E já que o Santos não é valorizado como deveria em seu país, o correto não seria manter uma equipe mediana para jogar os torneios nacionais e montar outra, com jogadores de maior destaque, para excursionar pelo mundo?

Os cuidados contra o Figueira de Argel
Nem é preciso dizer que amanhã o torcedor Santista deveria lotar a Vila Belmiro para empurrar o time contra o Figueirense, que cresceu muito depois da entrada do técnico Argel, ex-zagueiro do Alvinegro Praiano. Mesmo favorito, o Santos deve ter cuidado, pois o time catarinense, que vem de três empates, costuma jogar melhor fora de casa. Após uma vitória e um empate, o Santos pode completar sete pontos ganhos em três jogos, o que seria motivador para aproximá-lo da turma de cima na tabela. Ofensivo, claro, mas com cuidados, este deve ser o time de Robinho amanhã. Prestigie!

E você, o que acha disso tudo e do jogo de logo mais?

De volta ao planeta dos macacos brancos

Quando Daniel Alves comeu a banana jogada por um racista espanhol, uma campanha surgiu na mídia social em que pessoas de pele clara comiam bananas. O protesto dizia: se um negro é macaco, todos os homens são, já que todos são iguais. Entendi e concordei imediatamente com a proposta. A luta permanente contra o racismo é a luta contra a intolerância. Hoje à noite saberemos se o Grêmio e os gremistas a entenderam, ou apenas fingiram entender.

Pelos últimos acontecimentos, tenho minhas dúvidas. Felipão, um participante de um programa do Sportv e uma parte da opinião pública gaúcha jogaram a culpa pelo incidente racista justamente na vítima, o goleiro Aranha, que, segundo eles, deveria ter reposto a bola rapidamente em jogo depois de pisado por um jogador do Grêmio, e não ter ligado para a torcida que o chamava de macaco.

Há ofensas e ofensas. Imputar a alguém algum tipo de inferioridade pela cor da pele, assim como pela ideologia, religião e opção sexual, não é um xingamento qualquer. Trata-se de uma visão discriminatória que já levou e ainda leva a humanidade a padecer grandes tragédias. Somos todos de uma mesma e única raça, a humana, desde claros executivos gaúchos a negros pastores da tribo Zulu.

Somos homo sapiens, uma escala evolutiva adiante dos inteligentes, mas violentos chimpanzés. Devíamos estar preocupados em encontrar mais maneiras de viver em harmonia com nossos semelhantes, e não em nos dividirmos em tribos agressoras, que saem à caça dos rivais.

Não somos macacos, mas parecemos ser quando macaqueamos o que os outros fazem. Por exemplo: se cantarmos igual, comemorarmos gols da mesma maneira, desprezarmos os grandes ídolos do futebol brasileiro e idolatrarmos Maradona, estaremos macaqueando os argentinos. Estaremos assumindo o papel de macacos culturais, de pessoas que optaram por agir e pensar como outras, a quem, provavelmente, julgamos mais importantes.

Vivemos em um país abundante de história e cultura, convivemos em meio a uma diversidade de costumes maravilhosa, e é isso que faz a riqueza de um povo. Não precisamos macaquear ninguém. Temos apenas de aprender a conviver com nossos irmãos brasileiros e tirar de cada um o bom e o belo que podem nos dar.

Creio que o incidente com Aranha serviu para que muitos gaúchos e gremistas repensassem a forma como vêem os brasileiros de pele escura. Mas sei que, por outro lado, pode ter recrudescido em alguns o sentimento inexplicável de superioridade que nutrem com relação aos habitantes do País que vivem acima do Trópico de Capricórnio.

Esse negócio de tocar e cantar o hino do Rio Grande do Sul com mais entusiasmo do que o fazem com o Hino Brasileiro é um tipo de protesto perigoso, que estimula o separatismo. Hoje vivo, em Santiago, o Dia da Independência do Chile, e é comovente ver pessoas de todas as classes, cores e origens demonstrarem o sagrado amor pela pátria. Pena que nesse momento nem todos curtam esse amor em um Estado tão importante para a identidade nacional, como o Rio Grande.

O confronto desta noite, em Porto Alegre, colocará novamente esses valores em jogo. Saberemos se o arrependimento da menina e da diretoria do Grêmio foram sinceros, ou apenas da boca pra fora. O Santos será a cobaia para esse teste.

No campo, tudo indica que teremos uma disputa renhida, como sempre ocorre quando esses valorosos adversários se encontram. O Grêmio é favorito, mas não muito. Caso não vacile na defesa, o Alvinegro Praiano poderá voltar do Sul, ao menos, com um empate. Pressinto grande pressão sobre a arbitragem e os santistas. Mas espero que desta vez os limites entre os homens e os macacos sejam respeitados.

E pra você, como será o jogo e o clima desta noite, em Porto Alegre?

Péssima audiência de Flamengo x Corinthians prova que Globo está errada

Esse post se baseia na informação do site otvfoco.com.br – especializado em audiência de tevê.

Chega a ser bizarro. Sob a alegação de que dão muito mais audiência do que os demais times brasileiros, a Rede Globo paga ao alvinegro paulistano e ao rubro-negro carioca cerca de três vezes mais do que a outros clubes com melhor currículo do que os dois preferidos. A Globo defende que o que vale é a audiência, que gera faturamento publicitário, e não os resultados e o futebol mais bonito de uma equipe.

Sendo assim, o encontro dos seus dois favoritos, domingo, deveria provocar audiência recorde. Porém, como nós deste blog já esperávamos, a audiência da partida em São Paulo foi de apenas 15,6 pontos na Globo e 4,2 pontos na Band, em um total de 19,8 pontos, inferior ao jogo Cruzeiro x Santos (20 pontos) e bem inferior a Santos x Corinthians (22 pontos).

Flamengo x Palmeiras e Vitória x Corinthians tinham sido dois dos jogos com menor audiência, alcançando apenas 18 pontos. Todas essas evidências comprovam que é um erro acreditar que a (superdimensionada) quantidade de torcedores desses dois times vai garantir grandes audiências na tevê. Primeiro, porque suas torcidas não são tão grandes como dizem ser. Na melhor das hipóteses, as duas, somadas, não chegam a 29 milhões de pessoas.

Em segundo lugar, os torcedores que assistiam a esses times só para “secar”, estão deixando de fazê-lo, o que tem reduzido drasticamente a quantidade de telespectadores dessas equipes. Em terceiro, são times que jogam feio,para ganhar por 1 a 0. E o telespectador brasileiro prefere ver times que jogam mais bonito, em jogos mais importantes.

É evidente que se a partida escolhida fosse São Paulo e Cruzeiro, o Ibope seria maior. Se a Globo não sabia disso, mostra que conhece menos do mercado do futebol e das preferências do torcedor brasileiro do que deveria.

Há quem defenda, ainda, que a Globo se comprometeu com esses dois times depois que fizeram o serviço de detonar o Clube dos Treze, e por isso insiste em transmitir seus jogos, mesmo quando há outros mais atraentes, mas isso seria uma infâmia tão grande, que não devemos nem imaginar tal hipótese.

E você, esperava Ibope tão baixo dos preferidos da Globo?

Globo quer impor sua geopolítica do futebol brasileiro

Ao ignorar o jogo mais importante e mais esperado do Campeonato Brasileiro – o confronto entre o líder Cruzeiro e seu maior rival, o São Paulo – e privilegiar o duelo de seus dois medíocres queridinhos, a TV Globo mais uma vez deixou claro que não leva em conta a meritocracia no futebol, não se preocupa com a vontade da maioria de seus telespectadores, não está comprometida com o desenvolvimento do futebol brasileiro e tenta ajustar o futebol às suas projeções geopolíticas.

É evidente que a Globo quer impor a um time do Rio e um de São Paulo, que ela já escolheu, o monopólio do futebol no Brasil. Essa insistência, truculenta e ditatorial, a está levando a decisões ridículas, como a deste domingo, em que o País e o Exterior foram obrigados a ver um jogo ruim de coadjuvantes, que terminou, como se esperava, no placar de 1 a 0 (e ainda com gol irregular).

Na bela e organizada Santiago do Chile, onde cheguei hoje, com a Suzana, para visitar minha filha, e onde ficarei duas semanas, a única opção da Globo Internacional foi o jogo dos privilegiados medíocres. E posso garantir que a comunidade brasileira preferiu fazer outras coisas, já que estava ansiosa para ver o choque entre o Cruzeiro e o São Paulo.

A Globo deve ter motivos para acreditar que valorizar o mérito e oferecer qualidade e cultura ao povo não dá Ibope. E usa no futebol a mesma filosofia de quanto pior, melhor. Pois eu me recuso e creio que a cada dia há mais pessoas que se recusam a serem tratadas como idiotas pela tevê. Assim, enquanto a Globo oferecer lixo cultural em sua programação, terá como resposta a queda no Ibope e a consequente queda em seu faturamento.

Um detalhe: este blog é de santistas, não somos são-paulinos ou cruzeirenses, mas neste domingo nos sentimos desrespeitados pela decisão ditatorial da TV Globo, que tenta impor sua divisão geopolítica do futebol brasileiro sem levar em conta o mérito esportivo. Esse desestímulo à busca da qualidade e da eficiência é uma das causas principais da crise do nosso futebol e do recente vexame que a Seleção Brasileira deu na Copa do Mundo.