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Quando perder é melhor do que ganhar. E prossegue o Febeapá…

Amigos, ser espancado na Copa em sua própria casa não mudou em nada o futebol brasileiro. Ao contrário. Parece que de complexo de vira-lata, agora adotamos o de mulher de malandro, pois apanhamos e gostamos. Vejam vocês que está para haver país no mundo em que perder é melhor do que ganhar. Pois você vive exatamente nele.

Perceba o time que o Oswaldo de Oliveira levará para Londrina, cidade boa e progressista do Norte do Paraná, onde o Glorioso Alvinegro Praiano enfrentará o campeão paranaense Londrina e a torcida do Santos é mais abundante do que comentarista de futebol na tevê: Aranha, Zé Carlos, Paulo Ricardo, Vinicius Simon, Emerson Palmieri, Alan Santos, Renato e Souza; Jorge Eduardo, Diego Cardoso e Stéfano Yuri.

Interessante descobrir que Vinicius Simon ainda está no Santos e na defesa há um tal de Paulo Ricardo, que me lembra aquele cantor do RPM. Mas o que quer dizer esse time de reservas, só com o Black Spider no gol? Quer dizer que o Santos não faz a mínima questão de passar pelo Londrina na Copa do Brasil. Atrevo-me a dizer que a eliminação diante do time paranaense será bem-vinda na Vila Belmiro.

E digo isso porque caso seja eliminado nesta fase da Copa do Brasil, o Santos poderá jogar a Sul-americana, competição que ainda não venceu e lhe dará alguma visibilidade internacional, o que não ocorre há mais de ano. Ou seja: devido a mais um regulamento esdrúxulo assinado pelos indolentes dirigentes do futebol brasileiros, valerá mais a pena perder do que ganhar.

Entre a novela e o metrô, prioriza-se a novela

Outro fato que daria uma bela história do lendário Stanislaw Ponte Preta, o criador do Febeapá, o Festival de Besteiras que assola o País, nos foi proporcionado pelo imbróglio sobre o horário do metrô nos jogos noturnos em Itaquera.

Quando se iniciou a construção do estádio, já se sabia que a Rede Globo, proprietária do futebol brasileiro, não mudaria o horário da novela nem que Hugo Chaves ressuscitasse, judeus e palestinos proclamassem, de mãos dadas, a paz eterna, e extraterrestres trouxessem um time para também golear a Seleção Brasileira. Porém, como ainda se aposta no jeitinho, estádio feito, foram pedir para que o horário do metrô fosse alterado.

Ora bolas, não é mais fácil marcar os jogos para, no máximo, 21 horas, já que o trânsito está cada vez mais moroso na Grande São Paulo e as pessoas continuam tendo de acordar cedo para ir ao sagrado trabalho? E como a Globo jamais concordará com isso, não está na hora de se pensar em outra alternativa para as transmissões do futebol brasileiro?

Quem deve, paga menos

Nos últimos dias, presidentes de grandes clubes brasileiros e alguns bicões que vivem rondando Brasília, reuniram-se com a presidente Dilma Roussef para pedir o parcelamento da enorme dívida que contraíram por pura e absoluta leviandade e incompetência. A presidente prometeu dar um jeitinho.

Ou seja: o clube que deu um passo maior do que a perna, que fez investimentos que não poderia fazer – ou trazendo jogadores muito caros, ou construindo e reformando estádios –, será agraciado com o parcelamento de sua dívida em suaves parcelas. Enquanto isso, o dirigente honesto e responsável, que evitou endividar sua agremiação, continuará tendo de pagar tudo em dia e à vista.

Assim, o crime compensa e o futebol prossegue premiando os espertalhões, desorganizados e incompetentes, e punindo os que tentam fazer a coisa certa.

E você, o que acha de tudo isso?

Três índices apontam o crescimento da torcida do Santos

Movimento por um futebol melhor

Timemania – Acumulado de 2014

10 maiores torcidas brasileiras no Facebook

O time não tem um elenco espetacular, não tem jogado um futebol de encher os olhos e, dos grandes do Brasil, é um dos menos transmitidos pela TV Globo e por seu filhote, o Sportv. No entanto, três índices importantes apontam o crescimento da torcida do Santos e a colocam na terceira posição no Brasil.

As preferências dos jovens podem ser bem avaliadas pelas comunidades de torcedores do Facebook, já que hoje é raro o rapaz ou a garota que não tem uma página no “Face”.

Adultos e idosos formam o maior contingente de apostadores da abrangente Timemania e em cada aposta assinalam nos volantes o seu “time do coração”. Desta forma, tornam a Timemania uma ferramenta valiosa para se aquilatar as preferências dos torcedores brasileiros nessa faixa de idade.

Por fim, é possível conhecer os clubes com mais torcedores participativos por meio da lista dos sócios inscritos no “Movimento por um futebol maior”, movimento que já têm um ano e meio de atividade.

Como um ou outro destes três índices podem, isoladamente, ser questionados, era aconselhável tirar uma média dos três para se chegar aos clubes realmente mais populares. E foi o que fiz, somando as posições dos clubes em cada índice e chegando a um número que exprimisse sua colocação final.

Antes do resultado final, vamos às classificações em cada índice:

Movimento por um futebol melhor

1 – Internacional, 120.914 sócios
2 – Grêmio, 77.798
3 – Cruzeiro, 59.434
4 – Santos, 55.459
5 – Flamengo, 55.136
6 – Corinthians, 52.184
7 – Palmeiras, 39.755
8 – Atlético/MG, 31.170
9 – São Paulo, 30.111
10 – Fluminense, 22.612
14 – Vasco, 14.210
15 – Botafogo/RJ, 11.407

Timemania – Resultado acumulado de 2014

1º FLAMENGO/RJ, 5.552.680 apostas, 5,10%
2º CORINTHIANS/SP, 4.650.452, 4,27%
3º SAO PAULO/SP, 3.792.004, 3,48%
4º SANTOS/SP, 3.659.345, 3,36%
5º PALMEIRAS/SP, 3.364.955, 3,09%
6º GREMIO/RS, 3.267.946, 3,00%
7º INTERNACIONAL/RS, 2.880.325, 2,64%
8º VASCO DA GAMA/RJ, 2.861.922, 2,63%
9º BOTAFOGO/RJ, 2.661.716, 2,44%
10º CRUZEIRO/MG, 2.659.682, 2,44%
11º ATLETICOMG, 2.447.078, 2,25%
12º FLUMINENSE/RJ, 2.378.286, 2,18%

10 maiores torcidas no Facebook

1° Corinthians
2° Flamengo
3° São Paulo
4° Palmeiras
5° Santos
6° Cruzeiro
7° Vasco
8° Atlético MG
9° Grêmio
10° Internacional

Santos term a terceira torcida do Brasil

Para se chegar à classificação final de cada clube, bastou somar suas posições nos três índices. Os que obtiveram a menor pontuação, obviamente são os de maior torcida. Assim, temos:

Internacional: 1 + 7 + 10 = 18
Grêmio: 2 + 6 + 9 = 17
Cruzeiro: 3 + 10 + 6 = 19
Santos: 4 + 4 + 5 = 13
Flamengo: 5 + 1 + 2 = 8
Corinthians: 6 + 2 + 1 = 9
Palmeiras: 7 + 5 + 4 = 16
Atlético/MG = 8 + 11 + 8 = 27
São Paulo = 9 + 3 + 3 = 15
Vasco = 14 + 8 + 7 = 29

Somando-se a classificação do Santos nos três índices – quarto (4) no Movimento por um futebol melhor, quarto (4) na Timemania e quinto (5) no Facebook, chegamos ao número 13, que o coloca na terceira posição entre os times de maior torcida no Brasil. A classificação final fica assim:

1 – Flamengo, 8
2 – Corinthians, 9
3 – Santos, 13
4 – São Paulo, 15
5 – Palmeiras, 16
6 – Grêmio, 17
7 – Internacional, 18
8 – Cruzeiro, 19
9 – Atlético/MG, 17
10 – Vasco, 29

Enfim, esses três significativos índices apontam o crescimento nacional da torcida do Santos. E isso sem o time contar com 10% da exposição de outros. É fácil imaginar o que aconteceria se o Santos tivesse o mesmo espaço na televisão que alguns clubes privilegiados.

E você, o que pensa disso?

Comodidade é tudo o que o futebol brasileiro não precisa

Gostei do que vi! O Santos teve a chamada atitude

Uma disposição para correr e jogar os 90 minutos, empenho na marcação e velocidade nos ataques e contra-ataques, um capricho maior nos passes (com exceção do ainda desligado Cicinho), uma atuação sensacional de Aranha, uma boa volta de Thiago Ribeiro e atuações convincentes da maioria dos jogadores, de David Braz, Bruno Uvini e Mena, até Arouca, Gabriel, Rildo, Lucas Lima e Diogo Cardoso. Enfim, este Santos não é um super time, mas se jogar sempre com o mesmo espírito, não fará feio neste Campeonato Brasileiro.

comodismo

O técnico Oswaldo de Oliveira disse que o Santos vai jogar na Vila Belmiro contra a Chapecoense, em vez do Pacaembu, como estava previsto, porque, entre outros motivos, é mais cômodo. Ora, a última coisa da qual o Santos e o futebol brasileiro precisam no momento é de comodidade.

O clube necessita de maior visibilidade – para conseguir um patrocinador máster – e de mais dinheiro em caixa, já que as despesas crescem mais do que o faturamento. E o futebol brasileiro carece de mais trabalho para sair dessa mesmice.

Nem vou comentar a indicação de Dunga para técnico da Seleção. Trata-se de uma apologia ao retrocesso. O ideal era trazer um bom técnico estrangeiro. O jogador brasileiro precisa de disciplina, preparação física, apuro tático e humildade para treinar fundamento. E não é só treinar, é treinar muiiiito.

Lembro-me de um jogo na Inglaterra, entre a Seleção Brasileira e o English Team, em que o público aplaudiu uma matada perfeita de um jogador brasileiro. A bola viajou de um lado a outro do campo e morreu no pé do lateral do Brasil. Admirados, os ingleses festejaram o lance.

Nesta malfadada Copa vi jogadores brasileiros matando de canela, errando passes de três metros, pecando em fundamentos que antes eram obrigatórios para quem se atrevesse a vestir a sagrada camisa canarinho.

Trabalho, trabalho, trabalho… É só a velha e boa labuta, embaixo de sol e chuva, que pode tirar o Santos e a Seleção Brasileira do buraco. Quem podia pensar em comodidade é a Alemanha, a legítima campeã do mundo. Mas aposto que lá o título motivou ainda mais técnicos e jogadores. Aqui, como se dizia há algum tempo, querem que o mundo acabe em barranco para morrerem encostados.

E você, o que achou da opção de Oswaldo Oliveira pela cômoda Vila Belmiro?

O Hipnotizador

Olha que ideia legal. Eu aprovo. E você?
Arquitetos sugerem que estádios elefantes brancos se tornem casas para sem teto

hipnose
Olhe fixamente para o centro dessa figura. Sinta um sono suave chegando mansamente…

Vendo os jogadores do Santos passarem por eles, sujos, amarfanhados, exaustos, mas tranqüilos, expressão de dever cumprido no rosto, dois seguranças do clube confessam seu espanto à meia voz, na porta do vestiário do estádio de Volta Redonda:

- O que deu nesses caras hoje, hein?

- Sei lá, parecia que estavam tomados. Nunca vi jogando tanto assim.

- Viu aquele gol do Gabriel? E aquele do Lucas Lima? E o do Diogo? E parece que queriam mais. Em vez de segurar a bola, o time ia pra cima… Caramba…

- É, meter 5 a 1 no Fluminense aqui em Volta Redonda e ainda terminar buscando o sexto…

- Parecia que estavam com o diabo no corpo.

- É, uma coisa estranha mesmo. O que será que o novo técnico falou pra turma, hein?

- Sei lá. O cara é muito estranho. Se fechou só com os jogadores no vestiário e proibiu que dessem entrevistas antes e depois do jogo.

- E agora vai se fechar de novo com os caras. Quer ficar sozinho com o time. Nem o presidente pode entrar. Ninguém.

- Estranho, nunca vi um técnico fazer isso.

- É, mas deu certo, não deu? O Santos sempre fazia um jogo modorrento fora de casa, parecia ter medo até da sombra, mas hoje foi pra cima, mandou na partida, fez os gols e podia fazer mais. Só pode ser coisa desse técnico novo.

O bate-papo é interrompido quando os seguranças pressentem a aproximação de um homem alto, de ombros largos, pisando firme em sua direção. O homem pálido se aproxima, volta o olhar penetrante para eles e ordena:

- Todos os jogadores já estão no vestiário. Falarei com eles agora. Não deixem que ninguém entre. Obrigado.

Os seguranças obedecem sem titubear. Um deles ainda cochicha:

- Como ele sabia que todos os jogadores já tinham chegado?

A porta é trancada por dentro. O homem, que veste um sobretudo preto, se coloca no centro do ambiente, rodeado pelos bancos, onde os jogadores esperam, sentados e quietos.

- Atenção – diz ele em tom alto e grave.

Quando se certifica de que todos os olhares estão voltados para ele, ergue as duas mãos e bate duas palmas bem alto.

Os jogadores reagem com um arrepio, como se tivessem despertado de um longo sono, ou sonho.

- Parabéns pela bela vitória – diz o homem, com voz soturna.

Os jogadores se olham. Arouca, um dos mais velhos, cria coragem e pergunta:

- Ãhhhh… Nós… nós ganhamos, professor? De quanto?

- 5 a 1. E poderia ter sido mais…

- Jo-jogamos na Vila, professor? – pergunta Geuvânio.

- Não, em Volta Redonda, mando de jogo do Fluminense.

Os jogadores se olham, incrédulos. O técnico arremata:

- Mas jogaram como se estivessem na Vila, porque eu pedi.

Do lado de fora do vestiário, dois dirigentes santistas, felizes com a goleada, mas aborrecidos por não poderem entrar, comentam:

- Bem que me disseram que esse técnico ia fazer milagres.

- De onde ele veio?

- Romênia, região da Transilvânia.

- Ah, e como é que o Santos chegou até ele?

- Indicação. Uma fonte segura me disse que só ele faria esse time jogar como o Santos de Pelé, tanto dentro como fora de casa.

- Você já conhecia ele?

- Não, mas na Transilvânia é muito conhecido. Mora num castelo. Trabalha no futebol por prazer. Por isso aceitou ganhar um terço do Oswaldinho.

- Ah, que louco… E o que falam dele lá?

- Que pode tirar o máximo de cada jogador, que com ele os jogadores não têm preguiça nem medo… E, como vimos hoje, sempre jogam pela vitória, dentro ou fora de casa.

- Caramba, então o sujeito é um mágico?

- Quase isso. Lá ele é conhecido como O Hipnotizador.

O futebol, como a vida, é sonho

pepe-zito-pelé-e-pagão
Personagens vivos dos nossos melhores sonhos

Hoje assisti a um documentário sobre o poeta baiano Waly Salomão, guru da contracultura e do tropicalismo, falecido em maio de 2003, aos 59 anos. Chamou-me atenção um verso seu – curto, direto, mas incisivo – que exprime muito do sentimento do torcedor santista. Reproduzo-o no vídeo abaixo.

Torcer pelo Santos, reconheço, não é simples. Nosso time já foi o melhor do planeta, já ostentou os melhores jogadores e, entre eles, o Rei Pelé. Sentimo-nos, às vezes, como se tivéssemos perdido um grande amor – que se foi para longe, ou morreu, o que dá no mesmo.

Sentimo-nos viúvas não só de Pelé, mas do Santos que aprendemos a amar. O Santos com o líder dos líderes Zito, o guerreiro dos guerreiros Clodoaldo, o lateral dos laterais Carlos Alberto Torres, o centroavante dos centroavantes Coutinho, o zagueiro dos zagueiros Mauro Ramos de Oliveira, o goleiro dos goleiros Gylmar, o ponta artilheiro dos pontas artilheiros Pepe…

Sim, entendo a dor e a revolta de alguns santistas – que, na sua raiva, voltam-se até contra mim. E por que contra mim? Porque, malgrado toda a dificuldade do momento, toda a incerteza que cerca o futuro do Alvinegro Praiano, eu continuo sonhando. Continuo e sonharei até o último segundo de minha vida.

Pois, meus amigos, como exprimiu, e exprime o admirável Waly Salomão, o sonho jamais poderá morrer enquanto houver vida. Uma coisa está umbilicalmente ligada à outra.

Mas, este é o grande detalhe, não sonho o sonho estático, contemplativo, estritamente onírico. Sonho o sonho que se busca, que se constrói, que nos move pela vida afora. Este é o sonho vital que nos tira da cama todos os dias, o oxigênio que respiramos.

Neste sábado, o humílimo Chapecoense enfrentou aquele que o locutor Luiz Roberto chama de “time das estrelas” e, diante de 40 mil pessoas, no Morumbi, enfiou-lhe um estrondoso 1 a 0. Enquanto isso, em Minas Gerais, o não menos limitado Bahia arrancou um empate diante do Atlético Mineiro. O que isso significa?

Que o futebol vive tempos áridos, em que nomes famosos e jogadas vistosas pouco ou nada valem diante de equipes determinadas a usar seus músculos e fôlegos em busca de um melhor resultado. Assim como Costa Rica e Argélia mostraram na Copa, a aplicação tática e o espírito de luta podem produzir milagres.

É evidente que nossos sonhos de santistas são mais exigentes do que isso. Queremos ver essa mesma entrega que costarriquenhos e argelinos mostraram no Mundial, mas também queremos arte, beleza, refinamento. Por enquanto, assim como os outros torcedores brasileiros, não temos. Mas nada impede que continuemos a sonhar. Ao menos enquanto estamos vivos…

Feche os olhos e me diga qual é o Santos dos seus sonhos