Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Time dos Sonhos

Vitória da cãibra

Quando a gente acha que já viu tudo, o futebol nos reserva novas histórias que, contadas no futuro, parecerão fantásticas. Pois não é que o veterano Renato, com cãibra nas duas panturrilhas, continuou em campo porque o professor Dorival Junior já tinha feito as três substituições, foi jogar mais à frente para não comprometer o setor defensivo, e acabou marcando, de cabeça, o gol da vitória em cima da hora do jogo enrolado contra o Coritiba. A cãibra de Renato obrigou Thiago Maia, que errava todos os passes, a ficar mais atrás, e incluiu o famoso elemento-surpresa no meio da defesa adversária, o que acabou definindo o jogo.

Esses três pontos caíram do céu, mas não podem esconder os problemas do Santos neste Brasileiro. Sem Ricardo Oliveira, com Lucas Lima meia boca e Gabriel esperando um passe que nunca veio, o Santos dava a impressão de que jogaria mais dois dias e duas noites e não faria o gol da vitória diante do Coritiba. E a realidade é que esses três destaques não deverão continuar no time, ou seja, o Santos terá de aprender a jogar – e vencer – sem eles. Se essa partida mostrou como será o Brasileiro sem os três, o santista pode se preparar para sofrer.

De qualquer forma, a luta pela vitória mostrou que os laterais Victor Ferraz e Zeca continuam sendo válvulas de escape do Santos, que o garoto Vitor Bueno pode se firmar como um bom cobrador de faltas e que Renato ainda dá algum suco. Gostei também da entrada do rápido garoto Matheus Nolasco (criou espaços na direita, de onde veio o passe para o gol da vitória).

Porém, menos talento e criatividade, o Santos deste Brasileiro terá de, ao menos, ser um time mais brigador. Para isso, precisará ter um condicionamento físico melhor. Uma das vantagens de estar acostumado a treinar e jogar ao nível do mar, com uma temperatura mais quente e úmida, é que os adversários, teoricamente, devem se cansar antes. Porém, as cãibras e o cansaço extremo dos santistas mostrou o contrário. Parece que Curitiba é que é uma cidade de praia.

Os adoradores da Vila Belmiro têm mais um motivo para celebrar: o Santos chegou ao seu 29º jogo sem perder no Urbano Caldeira, sendo 25 vitórias e quatro empates. Renato completou a sua 300ª partida com a camisa do Alvinegro Praiano.

Como se esperava o time buscou a vitória até o final e se superou jogando na Vila Belmiro. Agora, fica a pergunta: como o Santos se comportará na próxima partida do Brasileiro, fora de casa, contra o fatídico Figueirense?

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As conquistas devem ser comemoradas. Mas os verdadeiros campeões nunca estão satisfeitos. O Santos tem mais duas competições este ano.

E pra você, o que significou a vitória contra o Coritiba?


O Santos e a Seleção

Brasil com oito do Santos

Com oito titulares do Santos (o goleiro Cláudio perdeu a posição por grave contusão no joelho), a Seleção Brasileira dirigida pelo técnico João Saldanha inaugurou o Estádio Batistão, em Aracaju, na noite de 9 de julho de 1969, diante de 45.058 pessoas. Toninho Guerreiro marcou o primeiro gol do estádio e mais outro no transcorrer da partida. O primeiro sergipano a marcar, ironicamente, foi Clodoaldo, da Seleção Brasileira (Vevé fez o primeiro para a Seleção de Sergipe). O Brasil venceu por 8 a 2. A partida foi arbitrada por Armando Marques, considerado o melhor árbitro brasileiro na época. Na foto, a Seleção Brasileira que começou o jogo: Carlos Alberto (Santos), Felix (Fluminense), Djalma Dias (Santos), Clodoaldo (Santos), Joel Camargo (Santos) e Rildo (Santos). Agachados: Jairzinho (Botafogo), Gérson (Botafogo), Toninho Guerreiro (Santos), Pelé (Santos) e Edu (Santos).


Assim jogou o Brasil contra a Alemanha, em Hamburgo, no dia 5 de maio de 1963. Além de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, a Seleção tinha os santistas Gylmar, Lima e Zito (Rildo ainda não tinha sido contratado pelo Santos). Os “intrusos” são Roberto Dias (3º de pé) e Eduardo. Em tempo: a Seleção ganhou por 2 a 1, de virada, com gols de Coutinho e Pelé.


Seis santistas participaram do jogo de maior público da história da Seleção Brasileira. Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel, Rildo, Pelé e Edu jogaram na vitória de 1 a 0 sobre o Paraguai que classificou o Brasil para a Copa de 70. Gol de Pelé, em jogada de Edu, aos 32 minutos do segundo tempo. Público pagante: 183.341 pessoas. Data: 31 de agosto de 1970.

O Coritiba e o Brasileiro merecem cuidados

O jogo deste domingo, às 11 horas, na Vila Belmiro, contra o Coritiba, é daqueles que não deveria preocupar o santista. Mas preocupa. Será que o time que mostrou tão pouco diante do Atlético Mineiro, poderá mudar radicalmente seu comportamento só porque a partida é no Urbano Caldeira? Esperamos. Mas há uma pulga atrás da orelha. Esse Coritiba matreiro do Gilson Kleina estreou com uma vitória sobre o Cruzeiro. Merece respeito e cuidados. Aliás, o torcedor percebe que o Santos deverá ter muito cuidado nesse Brasileiro.

A teoria da conspiração é a de que o fato de não assinar com a Globo e ter puxado a fila dos clubes que assinaram com o Esporte Interativo, fará o Santos ser perseguido nesse campeonato pela rede carioca de televisão e, consequentemente, pela Confederação Brasileira de Futebol, parceira tão próxima da emissora que altera a tabela da competição a seu pedido. Não chego a tanto. Acho que o Santos, para ter sucesso nesse Brasileiro, dependerá, basicamente, dele mesmo. Mas não custa se prevenir.

Não sei qual é o grau da contusão no joelho de Ricardo Oliveira, mas confesso que fiquei contente de saber que ele pediu dispensa da Seleção Brasileira que jogará a Copa América. Gostaria que Lucas Lima, também machucado, e Gabriel, ainda muito distante de ser o craque que alguns, suspeitamente, apregoam, preferissem o Santos. Algo me diz que serão usados e devolvidos, aos bagaços, à Vila Belmiro.

No auge do nosso futebol, quando três Copas do Mundo foram conquistadas em 12 anos, Santos e Seleção Brasileira de confundiam. João Saldanha incluiu nove santistas entre as suas “feras” e seis deles foram titulares em todos os jogos das Eliminatórias para a Copa de 1970. Depois, admitiria que ajudou a falir o Santos ao tirar-lhe todos os craques durante um ano (o Santos ficou sem quase todos os seus titulares em boa parte de 1969 e durante todo o primeiro semestre de 1970).

Em 2005, desfalcado de Robinho e Léo, chamados para a Seleção que disputava a Copa das Confederações, o Santos acabou eliminado pelo Atlético Paranaense nas quartas-de-final da Copa Libertadores. Tinha mais time e era franco favorito para passar não só pelo Atlético, mas também pelo Chivas Guadalajara, na semifinal, pois o time mexicano, mais preocupado com seu campeonato nacional, usou reservas na Libertadores.

O tempo ensina. Hoje Robinho deve saber que só não foi coadjuvante no Santos. Teve até bons momentos na Seleção, mas jamais foi lá o mesmo astro que brilhou no Alvinegro Praiano. Léo, então, perdeu tempo de ir para a Seleção para ser um eterno reserva, enquanto o Santos deixava escapar uma enorme oportunidade de chegar a mais uma final de Libertadores.

Acho que Lucas Lima é um jogador mais completo e pode ajudar o time de Dunga, mas Gabriel, enquanto não aprimorar seus fundamentos, principalmente o domínio e o chute com o pé direito, estará arriscando sua imagem e sua carreira ao aceitar tanta responsabilidade. Um dia uma bola decisiva sobrará para seu pé cego, e a falha, se provocar uma derrota importante do Brasil, poderá jogar sua carreira no ostracismo, como fez com tantos outros “craques” instantâneos.

Enfim, o Santos já foi a carne, os ossos, o esqueleto, enfim, o corpo da Seleção Brasileira. Dele, extraíram todo o seu sangue. Sobrou a alma, que é sua história, tão importante que não pode ser esquecida. Essa história é que faz o santista se lembrar que o time para o qual torce já foi o melhor do mundo. Poderá voltar a sê-lo? É a nossa esperança. Para quem já conhece, o caminho talvez não seja tão árduo.

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Santos x Coritiba
Vila Belmiro, 21/05/2016, 11 horas
Segunda rodada do Campeonato Brasileiro
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato, Vitor Bueno e Ronaldo Mendes (Lucas Lima); Gabriel e Joel (Ricardo Oliveira). Técnico: Dorival Júnior.
Wilson, Dodô, Luccas Claro, Juninho e Carlinhos; João Paulo, Alan Santos, Ruy, Cesar González e Vinícius (Negueba); Kleber Gladiador. Técnico: Gilson Kleina.
Arbitragem: Ricardo Marques Ribeiro, auxiliado por Pablo Almeida Costa e Celso Luiz da Silva, todos de Minas Gerais.

Minha opinião: O Santos é favorito e deverá ser mais ofensivo. Acho que Lucas Lima e Ricardo Oliveira serão poupados. Algo me diz que Vitor Bueno e Ronaldo Mendes terão boas atuações e poderão até marcar gols. Porém, esse Coritiba é melhor do que o do ano passado e já está se prevenindo desde já para não sofrer na zona de rebaixamento, como ocorreu em 2015. Só espero que o Alan Santos não marque gol contra seu ex-time.

E você, o que acha disso?


Associação Santos Vivo reage contra aprovação judicial das contas de 2015

Domingo tem matiné na Vila

Santos e Coritiba jogam às 11 horas do domingo no Urbano Caldeira. O Alvinegro deve voltar a correr, marcar o adversário e marcar gols. Enfim, o Santos voltará a ser o Leão da Vila. Abaixo lembro três jogos nos tempos em que o Santos ganhava do Coritiba dentro ou fora do Alçapão:

Perceba nesse jogo a grande torcida do Santos em Cascavel/PR.

Note a postura do Luxemburgo, chamando o time na chincha.

Clique aqui para lembrar das explicações que o Dorival Junior deu por escalar reservas contra o Coritiba no ano passado.

Associação Santos Vivo reage contra aprovação judicial das contas de 2015

Amigos, recebi este comunicado do Associação Santos Vivo, que apoiou a candidatura de José Carlos Peres na última eleição do Santos e que na última assembleia do Conselho Deliberativo do Santos votou em peso pela reprovação das contas do clube de 2015, seguindo o parecer independente do Conselho Fiscal. Como esta mensagem concorda totalmente com nossa posição aqui no blog, tomo a liberdade de reproduzi-la.

Faço isso também como mais um alerta à administração omissa e irresponsável que vem se abatendo sobre o Santos. Mesmo com uma situação financeira caótica, com credores batendo à porta do clube a todo momento; mesmo com o desfalque dos mais importantes jogadores do time para a Seleção Brasileira, sem que nenhuma ação prática seja tomada para impedir o sequestro desses atletas ou ao menos o pagamento de seus salários; mesmo com suas obscuras contas de 2015 reprovadas, de verdade, pelo Conselho Deliberativo; mesmo com o time com perspectivas sombrias neste Campeonato Brasileiro, o presidente Modesto Roma, como se tocasse o seu violino enquanto o Titanic afunda, já confirmou presença na abertura da Copa América, a convite da CBF. Ora, o time não pode nem subir a serra para jogar em São Paulo, mas o presidente, que precisa estar presente para resolver os problemas que surgem a cada dia, viaja para um evento festivo… Que maravilha! Bem, vamos ao boletim da Santos Vivo:

Associação Santos Vivo – Boletim nº 2

Muito tem sido falado sobre a reunião do Conselho Deliberativo que aprovou o parecer do Conselho Fiscal que, por seu turno, recomendou a rejeição das contas do exercício 2015 (as primeiras da gestão Modesto Roma).

É importante esclarecer o posicionamento dos conselheiros da Santos Vivo, para que não pairem dúvidas sobre a posição adotada por nossos conselheiros.

Vamos contextualizar?

O Conselho Deliberativo desse exercício é o primeiro a abrigar conselheiros vindos de três das cinco chapas concorrentes à direção do clube. Um avanço, um verdadeiro marco na história recente do clube. Sua função legisladora e fiscalizadora constituem a verdadeira voz do associado junto ao SANTOS FC.

Esse Conselho Deliberativo votou na composição do Conselho Fiscal. A chapa única do Conselho Fiscal é composta por integrantes dessas três correntes políticas sufragadas pelos sócios. Seu papel fundamental é debruçar-se sobre as contas e práticas administrativas do clube, com total autonomia de convocação do CD sempre que entender necessário esclarecer aos conselheiros (representantes dos sócios) os assuntos relacionados às finanças do clube.

Nesse contexto, o Conselho Fiscal analisou os demonstrativos financeiros do clube, relativos ao exercício de 2015 e elaborou um parecer contundente sobre o que considerou errado, tanto na apresentação das contas, quanto no tocante às práticas administrativas levadas a cabo pela atual diretoria.

De forma corajosa, independente e mirando a excelência que todos nós queremos para o nosso SANTOS, recomendou a rejeição das contas e remessa desses assuntos à Comissão de Inquérito e Sindicância (outro órgão independente, plural e que tem como objetivo apurar eventuais infrações estatutárias).

Foi esse o parecer que foi votado pelo Conselho Deliberativo, e que resultou na votação de 83 x 81 pela sua aprovação (com consequente rejeição das contas apresentadas).

Os conselheiros Santos Vivo votaram quase unanimemente a favor do parecer do Conselho Fiscal (que rejeitava as contas).

Entendemos que nosso papel fiscalizador nos obrigava a acolher o parecer, à vista das irregularidades apontadas, até para que se abrisse para a Diretoria a oportunidade de defesa, de explicações, de apresentação de novos dados, de comprometer-se com novas práticas administrativas.

Ter contas rejeitadas não é o fim do mundo. O fim do mundo é ter contas irregulares aprovadas.

Isso é atitude golpista? Não. Isso é respeitar o voto que recebemos do associado para fiscalizar a administração do nosso clube.

Ter contas rejeitadas é uma sentença de morte? Não. A direção teria amplo direito para defender suas práticas administrativas junto à Comissão de Inquérito e Sindicância, teria amplo direito de explicar os apontamentos realizados, teria, enfim, direito até a entender corretos os questionamentos e refazer suas demonstrações.

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Essa votação de 83 x 81 a favor do parecer do Conselho Fiscal foi questionada judicialmente e uma liminar sustou os seus efeitos, entendendo incorreta a proclamação do resultado, uma vez que, segundo o conselheiro autor dessa demanda, 3 dos votos computados não poderiam ter sido tomados (já que proferidos por ex-integrantes do CG, que voltaram à condição de conselheiros do clube).

Qual o efeito prático dessa decisão? A diretoria não precisa explicar os atos à Comissão de Inquérito e Sindicância, que, por sua vez, não pode deliberar sobre a matéria para apresentá-la ao Conselho Deliberativo, que, por seu turno, não poderá emitir seu parecer.

Resumindo: os sócios ficarão sem as devidas explicações sobre as contas de 2015!!!!

Entendemos que a ação intentada pelo conselheiro, ao fim e ao cabo, cala o CD e cala os sócios. Ela foi ajuizada com esse propósito: reverter uma legítima votação dos conselheiros que queriam apurar eventuais transgressões estatutárias.

Quem perde com tudo isso? O SANTOS FC, não somente os conselheiros que votaram pela aprovação do parecer. Os sócios perdem também porque, no sistema representativo, ao calar a voz do CD, cala-se a voz de quem os elegeu.

A judicialização era, segundo nosso entendimento, absolutamente desnecessária, arbitrária e denota um claro propósito da diretoria do clube em passar um rolo compressor na voz dos sócios.

Estamos vigilantes, atentos e não transigiremos com nosso papel fiscalizador. Essa é a razão para estarmos lá: honrar o voto que recebemos.

Por isso, somos Santos Vivo!!!

E você, o que acha disso?


O Estatuto não protege o Santos dos seus dirigentes

Como o articulista Tana Blaze fala da grande torcida do Santos que já lotou os maiores estádios de São Paulo, lembramos esse gol de Serginho, abrindo uma vitória sobre o Flamengo, no Campeonato Brasileiro de 1983, comemorado por um Morumbi com mais de 100 mil santistas, na voz do grande Osmar Santos.

O ESTATUTO NÃO PROTEGE O SANTOS DOS SEUS DIRIGENTES

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

O Santos é um dos poucos clubes do mundo cuja torcida em 1965-1970 foi uma das maiores, senão a maior no seu país, mas está regredindo ao pelotão médio do Brasileirão. É hoje um dos clubes mais endividados do Brasil, com receitas despencando percentualmente em relação às dos demais grandes, não tem CT moderno à disposição da base para usufruir da sua vocação de revelar jogadores, é o único dos grandes clubes brasileiros (considerando quatro cariocas, dois mineiros, dois gaúchos e o trio de ferro), que não tem estádio grande à disposição. É o clube que produziu o maior mico no futebol brasileiro e parece ser um dos poucos que registrou fraudes nas eleições, a primeira das carteirinhas falsas, talvez para solapar o quórum para a aprovação do voto à distância (cai nessa) e depois a do mesário. E tem um presidente que se elegeu com 26 % dos votos e prometeu em sua campanha eleitoral fazer jogar o time onde estivesse a torcida, especificamente no Pacaembu, para fazer exatamente o contrário.

Esta ficha decepcionante obriga concluir que a qualidade institucional do clube tem sido inferior a vários outros grandes. Conclusão que não pode ser refutada pelo número de títulos conquistados a partir do ano 2002 por duas razões. Primeira porque dos doze títulos conquistados, excetuados os três paulistas de 2006, 2007 e 2016, nove foram com Robinho e Neymar em campo, jogadores que o destino entregou em bandeja de ouro ao Santos, o Robinho desfilando o seu talento no Portuários e o Neymar na Portuguesa Santista, se restringindo o mérito da administração do Santos em fazê-los atravessar a rua e mantê-los por certo tempo.

A segunda razão é que as janelas de tempo nas quais o Santos, mesmo sem ter um raio em campo, é mais eficiente que seus rivais, como a da conquista do título Paulista de 2016, são curtas e deverão rarear no futuro. A concorrência passará a ser mais produtiva e a supremacia financeira dos rivais prevalecerá. O posicionamento frágil do Santos tornou-se visível mais do nunca quando no início deste ano viu vários zagueiros pelos quais se interessava serem contratados por outros clubes; as deficiências da zaga se fazendo sentir agora.

Claro que os presidentes do Santos empreenderam algumas obras boas, o que, todavia não passou de cumprimento dos seus meros deveres. Fato é que a despeito de alguns fatores negativos externos fora da influência do Santos, como a espanholização promovida pela política, e a convocação de seus jogadores para a Seleção durante torneios oficiais, os grandes atos de gestão ruinosa que levaram à degradação da posição do clube foram imputáveis ao seu executivo, seja a um Presidente, seja a um Comitê de Gestão.

Permitiram jogadores sair do clube sem gerar receitas, venderam jogadores abaixo do seu valor à DIS, ao Barcelona e à Doyen, contrataram um Damião. Hoje um presidente faz o Santos perder três anos ao pretender construir um estádio pequeno em Santos, aparentemente priorizando ter novos camarotes com estacionamento ao lado, mesmo que o Santos seria obrigado a tirar o time do seu principal mercado e maior centro econômico do hemisfério sul, que é o planalto paulistano.

O rosário de exemplos históricos de gestão ruinosa, todos insuficientemente controláveis pelas instâncias do atual Estatuto, mostram a inadequação do sistema quase absolutista de governança do Santos e do seu Estatuto, os presidentes e Comitês de Gestão fazendo o que querem, pouco respeitando a opinião dos sócios e da torcida.

O Odílio deu exemplo de como os presidentes têm desprezado a opinião dos torcedores, ao justificar outro dia ao Ademir Quintino, “que a contratação do Damião foi muito festejada pela imprensa e por TODOS”. Inverdade das grossas, porque não deve ter lido a mídia, nem o post no Blog do Odir do dia 10 de janeiro de 2014, os comentários do Nelson Jafet, Jair Sergio, Barbosa, Ricardo Gomes, Iwan Pereira, Rafa S., Evaldo, Silverado, Roberto, mac, Ricardo, Cleidson, Juliano-Smaug, Leo, para ver que uma maioria de santistas achava. Os opositores desesperados com a contratação do Damião deram goleada nos poucos que eram a favor.

Faltam ao Santos instâncias para coibir a libertinagem incontrolada do seu executivo

Existiriam duas instâncias que poderiam controlar as ações do Executivo, uma através de um CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, tão invocado por candidatos à presidência e comentaristas, e outra pelos CONSELHOS DELIBERATIVO e FISCAL já existentes, desde que tenham os devidos poderes, que o Estatuto atual lhes confere apenas em dose insuficiente.

Um CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, pelo menos no sentido habitual das grandes sociedades anônimas, que com milhares de empregados, produtos e presença em vários países, são indevassáveis como selvas, seria um órgão ocupado por personalidades que têm grande experiência na gestão de sociedades, incumbido em fiscalizar do topo a atuação da presidência e dos principais órgãos dirigentes, o respeito ao Estatuto e às leis, visando preservar os interesses vitais da empresa e dos seus acionistas. Não é um órgão que controla e aprova transações individuais do dia-a-dia. No mais, quaisquer outras funções específicas dependeriam de definições dos respectivos Estatutos, sendo que a simples etiqueta “Conselho de Administração” pode denominar funções e conteúdos diversos em diversos clubes brasileiros de futebol.

Há poucas semanas os santistas assistiram envergonhados que vários clubes assinaram contratos para a venda dos direitos de TV-paga ao Esporte Interativo ou à Globo, após aprovação dos seus respectivos Conselhos Deliberativos, ao contrário do Santos, que divulgou o acordo com o Esporte Interativo sem aprovação e nem mesmo consulta ao seu CD.

Não sei se os demais presidentes fizeram aprovar os contratos televisivos pelos seus Conselhos Deliberativos por mero bom senso e respeito aos conselheiros eleitos, ou se havia obrigação estatutária. Fato é que os dirigentes do Santos têm dado pouca bola à opinião de conselheiros.

Então será necessário armar os CONSELHOS DELIBERATIVO e o FISCAL do Santos com poderes estatuários explícitos para que possam aprovar/vetar as transações de grande impacto, como investimentos a valores expressivos, construção de estádios, venda de direitos econômicos de promessas (que têm sido objeto dos principais contratos lesivos) e outras.

Ao contrário de um Conselho de Administração, que fiscaliza do topo, o CONSELHO DELIBERATIVO, como órgão muito próximo ao dia-a-dia do clube, é adequado para o controle e aprovação prévia das operações individuais em cima da hora. O Santos não sendo uma grande sociedade anônima cotada na bolsa, pagando milhões de bônus a gestores que muitas vezes vêm de fora, poderia prescindir de um Conselho de Administração, bastariam mais poderes ao Conselho Deliberativo para dar conta do recado, como comprovado pelo atual Conselho Fiscal, que com poderes mínimos, vem fazendo um ótimo trabalho.

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A meu ver a doença do Santos tem dois focos fundamentais:

1- O excesso de poder incontrolado e conferido pelo Estatuto ao executivo, seja de um Presidente ou de um Comitê de Gestão

2- A potencial falta de legitimidade e representatividade do executivo, possibilitada pelo sistema eleitoral do Estatuto.

Antes de olhar para estes dois pontos, um capítulo sobre o tão falado Comitê de Gestão.

1- A ETERNA QUESTÃO DO COMITÊ DE GESTÃO

Em campanha para as eleições de Dezembro de 2014 vários candidatos à presidência do Santos comunicaram que tencionavam acabar com o Comitê de Gestão e substituí-lo por um Conselho de Administração. A ojeriza ao Comitê de Gestão deve basear no péssimo exemplo do Comitê de Odílio, que dispensou administradores, imaginando que seria capaz de dar conta do recado e conduziu o clube ao caos.

Mas o exemplo do Comitê do Odílio não prova muita coisa, porque também um presidente único, poderia, como o Odílio, demitir administradores profissionais competentes ou nomear maus administradores ao seu bel prazer. Se um Conselho do Santos fizesse uso do poder de vetar nomeações ou demissões de administradores feitas por um Presidente ou Comitê de Gestão, não faria bem em fazer uso excessivo deste direito, pois um clube não funcionaria com um Presidente ou Comitê de Gestão às turras com um administrador mantido contra a sua vontade.

O exemplo do Barcelona, que é gerido por um órgão colegiado de 14 a 21 diretores (Artigo 30, entre eles o presidente e vice-presidente) todos honorários e não pagos (Artigo 33), prova que um Comitê de Gestão e uma boa administração profissional são compatíveis. Um clube pode ter um Conselho de Administração, um Comitê de Gestão, um Conselho Deliberativo (que seria a “câmara de deputados dos associados”) e uma gerência profissional ao mesmo tempo, instâncias que se bem dosadas, não se excluem e podem se complementar.

A meu ver o Comitê de Gestão oferece a vantagem de que pessoas com competências de alto nível se sintam motivadas a prestar ajuda gratuita ao Santos. A desvantagem é o risco inerente de uma dinâmica de grupo, na qual seus membros deixem de assumir responsabilidade individual e o grupo se julgue onipotente, dispensando as opiniões dos seus administradores, de profissionais, de sócios e torcedores em blogs.

Sabemos perfeitamente em quais situações no mínimo cinco dos nove membros do Comitê de Gestão do Santos falharam, mas não temos a menor ideia a que ponto os sete membros nomeados pelo presidente tenham contribuído positivamente para as ações do Comitê, exceto nos raros casos de cisão tornada pública, como a contratação do Dorival Júnior apoiada pelos sete membros, enquanto que o presidente estava focado no Oswaldo Oliveira. Em outras palavras: conhecemos as misérias do Comitê de Gestão, mas não sabemos até que ponto sem ele a situação teria sido pior. Notou-se que entre os que se demitiram discretamente do Comitê de Gestão estavam os especialistas em finanças, Álvaro de Souza, Eduardo Vassimon, Luiz Fernando Vendramini Fleury e José Berenguer. Será que se viam em ”minoria”?

O ex-presidente Laor, já licenciado, chegou à conclusão que o Comitê deveria ser extinto. Imagino que a sua frustação reflita o fato de que ele mesmo se tornara paulatinamente inadequado como presidente, alguns membros do seu Comitê se despediam discretamente e a facção do Vila Rica, que também não primava pela competência, se rebelou. No fundo o Laor queria decidir tudo sozinho.

Porventura o Modesto tenha ainda a mesma opinião do Laor, pronunciada na sua campanha eleitoral. Mesmo que o Comitê tenha ajudado a sua gestão, recusando a contratação do Oswaldo Oliveira e patrocinando a o Dorival Júnior; o presidente deu várias mostras que querer reinar sozinho. Então ambas as opiniões, a do Laor e do Modesto são valiosas, mas também suspeitas, porque podem refletir apenas as suas frustrações e ambições autocráticas pessoais e a sua incapacidade de agir em grupo.

Uma das grandes confusões a respeito do Comitê de Gestão tem sido a ilusão de que ele se auto-controlaria. O que é um engano porque ninguém pode controlar a si mesmo, o Comitê nada mais é que uma presidência em forma de grupo, que devido a seu desempenho histórico precisa ser controlada.

Acho que o problema maior do Santos não seja a manutenção ou não do Comitê de Gestão, mas o excesso de poder incontrolado que tanto um Comitê de Gestão como um Presidente Único têm pelo Estatuto.

Não estou defendendo a manutenção do Comitê, apenas alertando que o seu mero fechamento, como proposto por vários candidatos à presidência, não vai por si só resolver os problemas do Santos.

Como neste comentário considero uma Presidência Única e um Comitê de Gestão como instituições similares, passarei a denominá-las conjuntamente por “P-CG“.

2- O ARTIGO N°90, A MEU VER O VERDADEIRO VILÃO DO SANTOS

O excesso de poder conferido ao P-CG é exemplificado pela pérola do Artigo n°90, que permite abusos ilimitados, chegando ao cúmulo de sublinhar, que para “QUALQUER TRANSAÇÃO” (como a compra de direitos econômicos de um jogador, como o Damião) a valor SUPERIOR a 20% das receitas orçadas (ou seja, não inferiores, mas superiores a cerca de 35 milhões de reais, com open end para as alturas!), haver necessidade apenas de “PARECER” (ou seja, não de aprovação) “POSTERIOR” (ou seja, não prévio) pelo Conselho Fiscal ao fechamento vinculativo da transação e isto somente para os “ASPECTOS FORMAIS E ÉTICOS“ (ou seja, não para o conteúdo econômico do mesmo).

O Artigo N°90 divide o Santos entre um P-CG com poder quase absolutista e uma espécie de Academia Belmirense de Letras, condenada a tomar chá com torradas e fazer belos discursos, mas sem quase nenhum poder, a não ser fazer vazar um ou outro fato na mídia e denominado por “Conselho Deliberativo”.

Sendo este Artigo expressão da mais delirante cartolice e responsável pelo fato dos P-CG do Santos terem tratado o clube como a casa da mãe Joana, estabelecendo ao seu gosto parcerias com agiotas, negociando direitos econômicos de jogadores aquém do seu valor, quase sempre para o prejuízo do Santos.

A alternativa ao sistema atual P-CG quase absolutista, seria um parlamentarismo mais perto da base dos sócios, com os conselheiros do Santos desempenhando o papel de parlamentares, com maiores poderes de aprovação e veto.

Como no clube lusitano Porto, cujo Estatuto em contraposição ao artigo N° 90 mafioso do Santos, pelo menos impõe no seu Artigo 116, que “obras ou empreendimentos que impliquem responsabilidades financeiras para além do exercício da sua gerência devam ser aprovadas pelos conselhos do clube”, subentende-se: previamente. Portanto no Porto não seria impossível um P-CG assinar um “contrato de empréstimo” para financiar a “compra” dos direitos de um Damião, ou contrato para construção de um estádio sem aprovação prévia dos Conselhos, porque ambos os contratos levariam à reponsabilidades financeiras além do exercício da sua gerência.

Há poucos artigos no Estatuto do peixe que limitam de forma clara e direta a competência do P-CG, como o N° 88 que impede onerar o patrimônio social ou a primeira parte do Artigo N° 91 que proíbe antecipar, nem comprometer as receitas por período superior ao do seu mandato. Ou faltam limitações quantitativas para certas transações ou os artigos em questão são ineficientes ou imprecisos como o N° 89 que se limita apenas ao orçamento e não abrange o mais importante, que são os gastos reais e a segunda parte esdrúxula do Artigo 91 sobre a “venda de direito federativos” sem os econômicos.

Os artigos com os quais o Conselho Deliberativo pode sancionar os dirigentes, como N° 68 e N°92 são necessários, mas não refrescam, porque sancionando um dirigente “a posteriori”, seja não aprovando suas contas, seja decretando o seu impeachment, ou punindo os dirigentes de arcar com o prejuízo causado, não ajudará o Santos, o dano já estará feito e os presidentes não terão patrimônio pessoal para cobrir os danos causados.

3- O MESSIANISMO ILUSÓRIO E PORQUE O CONSELHO DELIBERATIVO É O FUTURO DO SANTOS

Antes de cada eleição certos candidatos à presidência são elevados a salvadores. Mesmo assim as últimas gestões “salvadoras”, inclusive as que por curto espaço de tempo conseguiram manter bons times, deixaram o Santos em posição financeira e estratégica ruinosa.

A mania do torcedor de se autoconsolar com esperanças messiânicas quanto a candidatos à presidência e ao potencial de jovens jogadores, tem ofuscado a percepção da necessidade do aprimoramento institucional do clube pelo Estatuto, que poderia protegê-lo melhor das fraquezas dos seus dirigentes e aprimorar a sua eficiência.

Talvez seja por causa da absoluta falta de poder dos conselheiros do Santos, que a sua maioria se comporte de maneira passiva, quando não bajula o P-CG. Salvo exceções conhecidas, como o Celso Leite, que ousou questionar a compra do Leandro Damião e os 38 heróis que ousaram pedir em abaixo-assinado que no Brasileirão de 2015 uma partidinha ao menos fosse jogada no maior centro econômico e populacional do Hemisfério Sul, onde estão localizados 2,5 milhões de simpatizantes do clube.

Então porque dar maiores poderes para o controle das operações do dia a dia ao Conselho Deliberativo, se a sua maioria tem-se mostrado como um grupo de submissos e omissos, acatando as lambanças do executivo?

Por quatro razões:

Primeira: o CD é a única instância que pode salvar o Santos, não há outra.

Segunda: se forem atribuídos poderes de aprovação prévia ao Conselho Deliberativo, principalmente para transações de vulto e formadas algumas Comissões Permanentes para diversas áreas, é de se esperar que com o maior peso da responsabilidade os seus membros atuais e futuros abandonem a passividade e passem a se empenhar mais a fundo, elaborando posições próprias.

Terceira: o P-CG, desafiado por um poder de veto do CD, se empenhará mais a fundo em apresentar propostas bem elaboradas para qualificarem à aprovação pelo CD. Dividir melhor a responsabilidade entre o CG e o CD poderia resultar numa competição de qualidade para o benefício do clube.

Quarta: com a perspectiva de se poder decidir algo no CD, haverá um maior número de profissionais competentes motivados a ingressar no quadro de sócios do clube e nas chapas futuras para as eleições, o que deverá a longo prazo melhorar a qualificação tanto do CD, como da administração do Santos. ESTE PODERÁ SER O MAIS IMPORTANTE EFEITO DE UMA REFORMA DO ESTATUTO.

Caso contrário, não se poderá contar com qualidade no futuro CD. A cidade de São Paulo abriga o maior número de profissionais altamente qualificados no Brasil, mas qual profissional de alto nível seria bobo a ponto de descer a serra para participar de reuniões nas quais não pode decidir quase nada e ver um grupo provinciano menos qualificado fazendo longos discursos para matar o tempo, a fim de postergar uma votação, até o último ônibus parta para subir a serra?

4-A FALTA DE LEGITIMIDADE DO P-CG DEVIDO À DISCREPÂNCIA ENTRE O SEU PODER E A VONTADE DOS ASSOCIADOS

Boa parte dos associados é impedida de participar das eleições, porque não existe a possibilidade de voto à distância. Com poucas exceções, como as do Grêmio e do Internacional que implantaram o voto à distância, esta ilegitimidade afeta todos os clubes brasileiros, só que o Santos é um dos mais atingidos, devido ao grande espalhamento geográfico de sua torcida.

Acresce de forma dramática o fato singular, de que o Santos é o único clube grande brasileiro que tem sede numa cidade e a maior torcida em outra, cidades separadas por acidente geográfico de relevo, e a atual facção eleita por uma minoria de 26% dos associados, com apenas 35 votos na cidade de São Paulo, está regionalizando o clube contra a maioria dos torcedores, havendo risco real de regionalizar o voto, através do impedimento de uma votação à distância nas próximas eleições.

O que piora tudo é a possibilidade de se poder eleger no Santos um presidente com maioria apenas relativa e não absoluta, possibilitando uma disparidade suplementar entre a vontade dos associados e a distribuição de poder no clube, aliás, ilustrada pela atual presidência.

O atual Presidente, eleito legalmente, mas visivelmente beneficiado pela fraude e anulação da eleição do dia 6 de dezembro de 2014, que fez com que na segunda eleição de 13 de dezembro de 2014 não voltassem às urnas muitos eleitores do interior, obteve apenas 26 % dos votos dos associados e com a eliminação das Chapas Rollo e Nabil acabou posicionando cerca 37% de correligionários da sua chapa ao grupo dos Conselheiros Eleitos, mas domina 100% do Comitê de Gestão, através de conselheiros que ele mesmo escolhe. Estes em casos de incompatibilidade se demitem ou são exonerados e substituídos por mais dóceis.

Esta possível disparidade entre a vontade dos associados e o monopólio de poder do Presidente é o segundo grande problema do Santos, que evidentemente também resulta das lacunas do sistema eleitoral do seu Estatuto.

5-A REFORMA DO ESTATUTO

Os santistas não deveriam se distrair com a decisão acertada e desejada por quase todos de assinar com o Esporte Interativo, com as boas atuações do time e com a administração parcimoniosa do futebol pelo Dagoberto, que com menos dinheiro vem obtendo melhores resultados. Não há tempo a perder para aprimorar o Estatuto. A meu ver, qualquer reforma do Estatuto deverá incorporar:

Obrigação do voto à distância, atualmente apenas opcional, mas não exigida pelo Artigo N° 30.

Obrigação de maioria absoluta nas eleições a presidência, seja por um segundo turno, seja por votos preferenciais.

Ampliar o Estatuto para que nos casos em que a chapa vencedora obtiver mais que 80% dos votos, a que obteve o segundo maior número de votos, não importa com qual porcentagem, possa nomear os seus representantes a conselheiros, guardadas as porcentagens do resultado eleitoral, a fim de evitar efeitos nefastos do monopólio do CD da chapa vencedora, como no caso da chapa Resgate após a reeleição do Laor com 87% dos votos.

Obrigação do P-CG em submeter qualquer transação de vulto à aprovação prévia do CD, (fixando limites mínimos para os diversos tipos de transação).

Obrigação do P-CG em submeter qualquer venda de direitos econômicos de jovens promessas à aprovação prévia do CD (limitada a jovens que jogaram um certo número de partidas no time profissional ou que foram convocados para as Seleções Brasileiras sub).

Imposição da assinatura dupla, inclusive para o presidente dos Santos, tal como exige o clube lusitano Porto (artigos 120 e 121 do seu Estatuto) e o Grêmio para algumas transações (Artigo 83 VIII b “sempre em conjunto”).

Se fosse conselheiro do Santos, investiria todo o meu tempo articulando a introdução voto à distância obrigatório para as próximas eleições.

E você, o que acha do artigo de Tana Blaze?


Existe bobo no futebol…

garfiel no brasileiro de 2016
Ou os bobos somos nós, os torcedores do Santos?

EXISTE BOBO NO FUTEBOL…

A meia frase é do meu irmão, Marcos, que assistiu ao jogo comigo. E ela se completa com as palavras… “quando o Santos joga fora”.

Realmente, tivemos a impressão, principalmente no primeiro tempo, de que os reservas do Atlético Mineiro formavam uma equipe de Champions League, enquanto o Santos era um aparvalhado time amador, que não segurava a bola no meio-campo ou no ataque e tinha uma defesa de jogadores limitados, mal distribuídos e totalmente atrapalhados.

Aos 10 minutos o Atlético já tinha dado três chutes a gol; o Santos, nenhum. Aos 13 minutos, ao tentar sair jogando, David Braz serviu o ataque adversário e Vanderlei teve de se esticar todo para espalmar uma bola que entraria no ângulo. Um minuto depois um chutão da defesa atleticana encontrou Cazares livre, entre David Braz e Renato, e o equatoriano teve tempo de matar a bola e escolher o ângulo, para fazer aquele que seria o único gol do jogo.

Descrever a partida, lance a lance, só vai mostrar o quanto os santistas se mostraram desnorteados durante todo o tempo, a ponto de aos 33 minutos da segunda etapa Gustavo Henrique, sem prestar atenção, cobrar uma falta curta para Renato, que estava de costas, e entregar mais uma bola ao ataque adversário, que por pouco não chega ao segundo gol.

Enfim, o que nós, santistas, temíamos, aconteceu: o time campeão paulista, jogando joga fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro, mostrou-se mais uma vez disperso, apatetado, como se só os jogos na Vila Belmiro contassem. Com essa derrota, completaram-se 11 anos que o Santos não estréia no Brasileiro com uma vitória.

Estreias do Santos nos Campeonatos Brasileiros desde 2006

2006 – Goiás 0 x 0 Santos
2007 – Sport 4 x 1 Santos
2008 – Flamengo 3 x 1 Santos
2009 – Grêmio 1 x 1 Santos
2010 – Botafogo 3 x 3 Santos
2011 – Santos 1 x 1 Internacional
2012 – Bahia 0 x 0 Santos
2013 – Santos 0 x 0 Flamengo
2014 – Santos 1 x 1 Sport
2015 – Avaí 1 x 1 Santos
2016 – Atlético/MG 1 x 0 Santos

A última vitória santista em estreia no Campeonato Brasileiro ocorreu em 2005, quando derrotou o Paysandu, no Estádio Anacleto Campanella, por 4 a 1.

A habilidade e a visão de jogo de Lucas Lima e o oportunismo de Ricardo Oliveira fizeram uma falta incrível. Gabriel é jogador para completar jogadas, não para criá-las. Sua deficiência de não chutar, não driblar, não fazer nada com a perna direita, é irritante.

O miolo de zaga do Santos está numa fase muito ruim. Os inseguros e atrapalhados David Braz e Gustavo Henrique não passam um jogo sem entregar, ao menos uma vez, o ouro ao bandido. Faz tempo que David Braz defende e sai jogando com deficiência. Está na hora de ir pro banco.

Quanto a Gustavo Henrique, sugiro que esqueça o desânimo por não ter sido chamado para a Olimpíada. Jogando assim, lento e desconcentrado, não será titular e nem continuará no Santos. Precisa ser mais esperto e mais rápido, garoto. Pare de fazer beicinho e jogue futebol.

Os laterais Zeca e Victor Ferraz foram mal dessa vez. Ferraz parece sem forças até para cobrar escanteios e faltas. Na armação, ambos não deveriam deixar o atacante dominar a bola, pois depois não conseguem roubá-la e têm péssima recuperação.

No meio de campo, não basta voluntariedade. É preciso ter um cérebro, um articulador de jogadas. Sem Lucas Lima, o jeito é insistir com Serginho, pois nenhum outro consegue segurar a bola. Renato está lento e perdendo reflexos. Em todo jogo sai jogando errado e cochila na marcação e na cobertura.

E no ataque, o Santos não teve ninguém. Gabriel tentou resolver tudo sozinho, mas não tem categoria e nem cabeça para tal. O rapaz está à beira de um ataque de nervos. Virou a prima dona do Santos. Ele deveria deixar de acreditar nos que dizem que ele será titular da Seleção Brasileira. Jogando assim, não será titular nem do Santos.

Uma pergunta que o Marcos e a Suzana fizeram, e eu não soube responder: “Se no final do jogo o Santos teve tanta energia para lutar em busca do empate, por que não mostrou a mesma determinação desde o começo?”. Eu complemento: por que esperar ficar atrás do marcador para só depois tentar jogar futebol?

A visão geral que tivemos do jogo é a de que o time experiente, superior, vitorioso, era o dos reservas do Atlético Mineiro. Após mais essa estréia desastrosa em um Brasileiro, além de rever a titularidade de muitos jogadores que não têm futebol e nem autoconfiança para jogar no Santos, o técnico Dorival Junior precisa, ele também, se dedicar mais ao seu ofício. Descansou os reservas durante a semana para quê? Que novidade tática o time apresentou? Que jogada ensaiada pudermos ver? (mais uma vez ficou provado que após um bom descanso, o Santos joga mal).

Enfim, nos acostumamos a ouvir que “não há mais bobo no futebol”, pois quando menos se espera somos surpreendidos com um resultado inesperado, em que um time considerado inferior, com garra e astúcia, supera um favorito. Porém, se é o Santos que joga fora de casa no Brasileiro, pode ter a certeza de que o jogo terá, sim, um bobo em campo.

As autuações dos santistas estão entre parênteses, sendo o sinal = para os mais ou menos: Vanderlei (=), Victor Ferraz (-), David Braz (–), Gustavo Henrique (-) e Zeca (=); Thiago Maia (=), Renato (-)(Maxi Rolón, aos 32 do 2º (=)), Vitor Bueno (=) e Ronaldo Mendes (=) (Matheus Nolasco, aos 19 do 2º (+)); Paulinho (-) (Serginho, no intervalo (=)) e Gabriel (=). Técnico: Dorival Júnior (-).

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Atlético Mineiro 1 x 0 Santos
Estádio Independência, Belo Horizonte, 14/05/2016, 18h30
Atlético Mineiro: Uilson, Gabriel, Edcarlos, Tiago e Carlos César; Lucas Cândido, Eduardo, Carlos Eduardo (Pablo aos 11 do 2º) e Cazares; Hyuri (Yago aos 41 do 2º) e Clayton. Técnico: Treinador: Diego Aguirre.
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato (Maxi Rolón, aos 32 do 2º), Vitor Bueno e Ronaldo Mendes (Matheus Nolasco, aos 19 do 2º); Paulinho (Serginho, no intervalo) e Gabriel. Técnico: Dorival Júnior.
Gol: Cazares, aos 14 min do primeiro tempo.
Arbitragem: Jailson Macedo Freitas (BA), auxiliado por Eduardo Gonçalves da Cruz (MS) e Elicarlos Franco de Oliveira (BA) (marcou dois impedimentos errados que poderiam dar ao Santos a chance de ao menos empatar a partida. Tirando isso, não comprometeu).
Cartões amarelos: Cazares e Carlos Eduardo (Atlético/MG) David Braz e Gustavo Henrique (Santos).

Um jogo de valentes

Para ser campeão no tênis é preciso trabalhar todos os dias, às vezes em dois períodos. Quando não se joga, se treina ou se viaja. As partidas podem demorar três, quatro horas, e se o jogador quiser tirar uns dias de folga, perde por WO e cai no ranking. Para manter os patrocínios é preciso vencer e permanecer entre os melhores do mundo. Os astros não têm moleza. A cada torneio começam da primeira rodada, como os outros. O fato de o sérvio Novak Djokovic, número um do mundo, e o britânico Andy Nurray, número dois, chegaram às finais de Madrid e Roma, em semanas consecutivas, mostra como o tênis é justo e o mérito prevalece. É um esporte de quem tem talento e trabalha, mas também exige muita garra e inteligência. Veja os melhores lances da final de Roma e diga se não tenho razão:

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E você, acha que o Santos ainda pode fazer uma boa campanha no Brasileiro?


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