Blog do Odir Cunha

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Para ser o primeiro, Santos precisa vencer a Ponte hoje. Mesmo sem Robinho

Ricardo Oliveira
Sem Robinho, Ricardo Oliveira será a referência do ataque santista hoje, em Campinas (Ricardo Saibun/ Santos FC).

O técnico Marcelo Fernandes e os jogadores não escondem que o objetivo do Santos é terminar esta fase de classificação do Campeonato Paulista em primeiro lugar e assim ter a vantagem de fazer os jogos decisivos no estádio que quiser. Porém, como a vantagem do Santos sobre o Corinthians é apenas nos gols marcados (23 contra 17), é essencial uma vitória sobre a boa Ponte Preta, hoje, às 21 horas, em Campinas. Mesmo sem Robinho.

Sem a grande personagem do time, a serviço da Seleção Brasileira que hoje, às 17 horas, enfrentará a França, esta noite Marcelo Fernandes escalará Thiago Ribeiro ou Gabriel para completar o ataque que ainda terá Geuvânio e Ricardo Oliveira. No mais, a equipe será a mesma que vem jogando, pois os laterais Caju e Chiquinho ainda não se recuperaram de lesões.

Na última partida, após um primeiro tempo arrasador, o Santos teve dificuldades no segundo, mas mesmo assim superou o Audax, no Pacaembu, por 1 a 0, golaço de Ricardo Oliveira. A Ponte está no mesmo Grupo B do Audax, mas tem apenas dois pontos ganhos a mais do que o time de Osasco, que ontem venceu ao Capivariano por 3 a 0. Portanto, a Ponte deverá ser um adversário bastante aguerrido contra o Santos.

O time de Campinas, entretanto, terá mais problemas para ser escalado. O técnico Guto Ferreira não poderá contar com Rodrigo Biro, suspenso, e nem com Dedé, Juninho, Paulinho e João Paulo, machucados. Para completar, o goleiro Matheus torceu o tornozelo no último treino e deverá ser substituído por João Carlos, o terceiro goleiro da Ponte, já que o titular, Marcelo Lomba, fraturou uma costela e não jogará mais no Paulista.

Diante das dificuldades para armar o time, Ferreira improvisará o jovem Jeferson na lateral-esquerda e povoará o meio-campo com quatro jogadores, sendo três volantes. No ataque, a Ponte irá com Biro-Biro e Rildo (aquele).

Liderança será decidida no Itaquerão

Todos sabemos que vencer a Ponte, em Campinas, é uma tarefa difícil, e que o Santos não costuma jogar tão bem longe de sua torcida. Entretanto, se não conseguir os três pontos hoje, provavelmente se verá na situação de ter de vencer o Corinthians, no Itaquerão, na penúltima rodada do Campeonato, se quiser terminar esta fase na liderança. Por outro lado, se chegar com vantagem no jogo de Itaquera, um empate contra o Alvinegro da Capital já será suficiente para deixá-lo em uma ótima situação para a última rodada, diante Rio Claro, na Vila Belmiro ou Pacaembu.

Além da Ponte, o Santos enfrentará o São Bento, em casa, dia 29 de março; o Corinthians, fora, dia 5 de abril, e fechará a competição diante do Rio Claro, em casa, dia 8 de abril. O rival paulistano joga hoje diante do Penapolense, em casa; com o Bragantino, fora; com o Santos, em casa, e termina esta fase diante do XV de Piracicaba, fora.

Técnico da Ponte diz que time fará seu grande jogo no Paulistão. Clique aqui para ler:

Se vencer mais uma, Marcelo Fernandes baterá recorde como técnico do Santos. Clique aqui e leia.

No rachão, mesmo sem Robinho, time branco ganhou mais uma. Veja:

Veja a coletiva de Marcelo Fernandes, ontem:

Veja uma boa vitória do SANTOS, EM Campinas, pelo Paulista de 2007:

Santos x Ponte Preta
Estádio Moisés Zucarelli, Campinas, 21 horas
Ponte Preta: João Carlos, Rodinei, Tiago Alves, Pablo e Jeferson; Josimar, Bruno Silva, Fernando Bob e Renato Cajá; Biro-Biro e Rildo. Técnico: Guto Ferreira.
Santos: Vanderlei, Cicinho, Werley, David Braz e Vitor Ferraz; Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Gabriel (Thiago Ribeiro) e Ricardo Oliveira.
Técnico: Marcelo Fernandes.
Arbitragem: Luiz Vanderlei Martinucho, auxiliado por Gustavo Rodrigues de Oliveira e Renata Ruel Xavier de Brito.

E você, o que espera do Santos hoje, em Campinas?


Ingressos gratuitos explicam as “Despesas Diversas”

Na reunião do Conselho Deliberativo, o presidente Modesto Roma disse que Alex Fernandes deixou as funções de gerente de marketing por problemas de saúde e assegurou que Paulo César Verardi ainda não foi contratado e não é o nome preferido do CEO Dagoberto Fernando dos Santos. Eu, como o prometido, falei das malfadadas “Despesas Diversas”, lebre cantada neste blog pelo colega Douglas Aluisio e, baseado em um estudo preliminar, conclui que elas se devem à farta distribuição de ingressos gratuitos para torcidas organizadas e patrocinadores.

O Conselho Fiscal apresentou um trabalho no qual concluiu que as “Despesas Diversas” se devem a quatro fatores: Monitoramento (das torcidas organizadas), Autônomos (Gandulas, Monitores, Mascotes baleiinha e Baleião etc), Controladores de Acesso e “Ingressos Cedidos.”

Deu para perceber que, excluindo-se os “Ingressos Cedidos”, o custo fixo das “Despesas Diversas” fica em torno de 23 mil reais. Portanto, em um jogo contra o Linense, em que essas Despesas chegaram a absurdos 173 mil reais, pode-se imaginar a fortuna em ingressos que foi distribuída a patrocinadores e às torcidas organizadas.

Ponderei que seria necessário especificar que patrocinadores são esses, quantos ingressos recebem cada um, que torcidas são essas, quantos ingressos recebem cada uma, e, no final de tudo, perguntei se era mesmo necessário distribuir tantos ingressos gratuitos.

Comparei o jogos entre Mogi Mirim e Santos, com mando de jogo do Mogi Mirim, e Santos e Linense, com mando do Santos, no Pacaembu. No primeiro, mesmo com uma renda bruta de apenas 78.960 reais, o Mogi teve uma receita líquida de 38 mil reais. Suas “despesas diversas” foram de apenas 2 mil reais. A partida contra o Linense teve renda bruta de 324 mil reais e gerou um prejuízo de 19 mil reais. As “Despesas Diversas” foram de 173 mil reais e as despesas gerais alcançaram 343 mil reais!

Tinha muitos outros exemplos a dar, mas o presidente da mesa, Fernando Bonavides, pressionou-me para não ultrapassar o limite de quatro minutos. Deu tempo, entretanto, para colocar uma questão no ar: se o associado de uma torcida organizada paga uma mensalidade para ser sócio da mesma, mas não é sócio do Santos e ainda ganha ingresso de graça para ver os jogos do time, o que o clube ganha com isso? Enquanto o Santos está no vermelho, as organizadas estão no azul. Será que não está na hora de rever essa relação?

O presidente Modesto Roma concordou que o clube distribui muitos ingressos e que isso tem de ser revisto. Disse ainda que esse tema poderá ser debatido e votado no Conselho. Seria importante se isso se concretizasse. Nada como ouvir todos os lados envolvidos e tomar uma decisão justa, que seja melhor para o clube. Se esta for secar a fonte dos ingressos gratuitos, que assim seja.

Após a sessão, conversando com colegas do Conselho, fiquei sabendo que alguns deles, em jogos decisivos, já compraram ingressos de torcidas organizadas. Fica mais uma pergunta no ar: todos esses ingressos distribuídos pelos clubes às organizadas são mesmo utilizados para levar seus integrantes ao estádio, ou alguns são vendidos clandestinamente? Isso, obviamente, seria lesar o clube, pois o dinheiro não entraria nos cofres do Santos.

Tenho conhecidos em todas as torcidas organizadas do Santos e sei que a grande maioria de seus integrantes é gente boa e honesta, tão apaixonada pelo time como nós. Sei também que a maioria não se opõe a pagar seu ingresso, como qualquer outro torcedor. Acho que chegou a hora de repensar essa prática que está sangrando o clube. Esse assistencialismo não combina com profissionalismo.

A confecção de ingressos gera despesas, assim como a taxa de monitoramento, que visa justamente vigiar os torcedores organizados. Portanto, se os torcedores organizados não pagarem ingresso, a realidade é que o clube pagará para que eles assistam aos jogos.

Os ingressos distribuídos gratuitamente entram no borderô do jogo, mas são descontados como essas “Despesas Diversas”. Isso explica porque clubes de torcidas bem menores do que o Santos, com públicos e rendas igualmente menores nos estádios, estão tendo maior lucro nas arrecadações do que o Alvinegro Praiano.

O exemplo mais palpável, como o companheiro Khayat postou aqui neste blog, é o do São Bernardo, que mesmo gerando metade da arrecadação total do Santos (800 mil contra 1,7 milhão de reais), obteve até aqui uma renda líquida de 568 mil reais, enquanto o Santos tem 413 mil reais.

Todo mundo pagando ingresso já

Depois da minha fala, o conselheiro Reinaldo, ligado a uma torcida organizada, lembrou que nós, conselheiros, também não pagamos ingresso. Sim, ele está certo. Se bem que o número de conselheiros que vai ao estádio não se compare ao de torcedores organizados, eu concordo que conselheiros também deveriam pagar ingressos para ver o Santos.

O clube está vivendo um momento financeiro delicado e creio que nenhum santista se sinta confortável de assistir ao time sem pagar nada. Que se estude ao menos um valor especial para todos os que até este momento vem sendo agraciados com ingressos de cortesia. Não é hora de perguntar o que o Santos pode fazer por nós, mas sim o que podemos fazer pelo Santos.

Você não acha que todo santista deveria pagar ingresso?


Intransigência do Flamengo pode provocar um racha entre os clubes brasileiros


Presidente do Flamengo não quer discutir divisão de cotas: “a negociação é feita pelo clube com a TV e valem os interesses da TV”.

Todo mundo sabe que a evolução do futebol brasileiro passa pela criação de uma Liga Nacional, que dê aos clubes o comando do futebol no País, hoje nas mãos da Rede Globo de Televisão. Porém, conhecendo o caráter imediatista e individualista do dirigente brasileiro, já se sabia também que seria utópico esperar que os clubes privilegiados pelo atual sistema desigual de divisão de cotas de tevê ao menos concordassem discutir a situação. A entrevista do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, à Agência Estado, confirma as piores previsões.

Duas das perguntas feitas pela Agência Estado se referem às divisões das cotas de tevê, que hoje privilegiam desmesuradamente a Flamengo e Corinthians. Nas duas, Eduardo Bandeira mostra sua intransigência, colocando as ambições de seu clube acima dos interesses gerais dos clubes brasileiros. Leia e analise a primeira:

AE – Há espaço para os clubes discutirem cotas de TV em conjunto?
Eduardo – A questão das cotas de TV não foi discutida nem vai ser. Não está em pauta. A negociação é feita pelo clube com a TV e valem os interesses da TV. A gente não imagina que esse caminho seja com todo mundo junto. Senão, vamos ter de chamar todos os 680 clubes brasileiros. Aí o Calouros do Acre vai dizer que quer ganhar que nem o Flamengo.

Perceba que o dirigente do Flamengo defende “os interesses da TV”. Ou seja, ele é presidente de um clube de futebol, mas como a decisão da TV favorece tremendamente ao seu clube, abandona a sua categoria para apoiar a liderança da TV. Este seu argumento de que seria preciso “chamar todos os 680 clubes brasileiros” evidentemente é furado. O que se estará em pauta, principalmente, é a transmissão do Campeonato Brasileiro da Série A, que conta com apenas 20 clubes.

Agora leia a resposta do presidente do Flamengo quando a pergunta se refere à Espanholização comandada pela Rede Globo:

AE – Alguns clubes consideram que o Brasil passa por um processo de “espanholização” de seu futebol, numa alusão a valores que Flamengo e Corinthians recebem da TV. O que acha disso?
Eduardo – Não concordo. O Flamengo sempre foi a maior torcida. Quando não tinha direito de televisão, a receita era de bilheteria. Hoje, a receita de TV é maior, o patrocínio também é maior porque a torcida do Flamengo é maior e nem por isso se está a assistindo à “espanholização” do futebol brasileiro. Há clubes que têm outras vantagens comparativas. O São Paulo, por exemplo, tem um estádio há mais de quatro décadas. Por competência, eles conseguiram fazer um trabalho de base. O do Flamengo se deteriorou. A nossa receita de venda de jogadores é ridícula. Nós nunca tivemos estádio, o nosso centro de treinamento está sendo construído agora e está ainda em uma situação precária em relação ao de outros clubes. Ou seja, eu não estou propondo que ninguém divida seu centro de treinamento nem estádio com o Flamengo. Cada um com suas vantagens.

Nesta resposta, o presidente flamenguista junta alhos com bugalhos para justificar o injustificável. Se outros clubes têm estádios ou um bom trabalho de base é porque tiveram méritos para isso. Nada, a não ser sua incompetência histórica, impediu o Flamengo de conseguir as mesmas coisas. E isso de torcida ser monetarizada em forma de cota de tevê merece uma longa e detalhada discussão.

Em primeiro lugar, o ibope se transforma em dinheiro à medida em que os horários das transmissões de futebol são vendidos a patrocinadores. Esses patrocinadores anunciam para um público que pode comprar seus produtos. Onde está esse público e onde estão esses patrocinadores? Estão, em 80% dos casos, na Capital e no Interior do Estado de São Paulo, justamente os mercados produtor e consumidor mais ricos do Brasil. Pois bem, qual é a dimensão da audiência do Flamengo nesses dois mercados? Nula! Isso mesmo: Nula!

Times do Interior de São Paulo, como Ponte Preta, Guarani e Ituano talvez despertem mais interesse no telespectador paulista do que equipes do Rio de Janeiro, como o Flamengo. Essa é uma questão cultural e jamais vai mudar. Assim como os comunistas soviéticos tentaram, em vão, acabar com o cristianismo nos países do Leste Europeu, usando para isso todos os recursos de propaganda, a Globo pode ficar até a eternidade tentando semear o interesse pelo futebol carioca em São Paulo e não conseguirá.

Portanto, é inegável que o Flamengo tenha maior torcida no Rio de Janeiro e no Norte/Nordeste do País, mas se estamos falando em converter essa audiência em dinheiro, o poder aquisitivo de cada mercado tem de ser levado em conta – e neste aspecto, São Paulo, Palmeiras e Santos vendem mais no rico mercado paulista do que o Flamengo ou qualquer outro time carioca.

Mas o que a Liga Nacional deve pretender, entretanto, não é mudar os nomes dos privilegiados, e sim acabar com os privilégios. Como já ocorre na Alemanha e Inglaterra, em que a divisão de cotas é justa e permite a estabilidade de todos os clubes da divisão principal e a competitividade obrigatória para o sucesso de suas competições internas, da mesma forma o Brasil pode ter um futebol mais rico e promissor caso mais clubes tenham plenas condições de serem incluídos no espetáculo.

Como todo dirigente de clube de futebol no Brasil, o presidente do Flamengo quer manter as vantagens que o sistema desproporcional dá à sua agremiação e mudar apenas as situações em que o Flamengo se sente prejudicado, como no Campeonato Carioca, cuja Federação cobra 10% da receita bruta de cada jogo do Estadual, o que é realmente é abusivo. Mas lutar contra as injustiças que nos prejudicam e apoiar as que nos favorecem nunca foi a política de um bom estadista, pois é evidente que ela provoca nos concorrentes uma reação igualmente radical, o que leva a situação a um impasse.

A intransigência do Flamengo no caso da divisão de cotas de tevê e da criação da Liga Nacional de Clubes certamente levará também à radicalização dos clubes adversários. A não ser que julgue viável participar de um eterno Rio-São Paulo com o Corinthians, o presidente do rubro-negro terá de mudar sua postura e entender que os interesses do futebol brasileiro devem se sobrepor aos interesses de seu clube.

E você, o que acha da intransigência do presidente do Flamengo?


Se fosse só o futebol, o Santos estaria muito bem


Paulo Cesar Verardi, que já passou por Umbro e Grêmio, é o novo gerente de marketing do Santos. Ele foi anunciado para o lugar de Alex Fernandes nesta segunda-feira. Com um perfil mais agressivo, Verardi vem para conseguir patrocínios e turbinar a campanha de sócios do clube. Que os céus o iluminem.

Lucas Lima

Adversário no chão, Lucas Lima segue com a bola. Diante das dificuldades financeiras provocadas pela última gestão, não era para o Santos estar jogando tão bem dentro do campo. O problema continua sendo fora dele (Ivan Storti/ Santos FC).

Mesmo com dispensas de tantos jogadores e contratações de outros a toque de caixa, o Santos tem feito um bom Campeonato Paulista e poderá brigar pelo título. Não digo que é o favorito, mas poderá lutar com boas chances. Agora, o que pega é o jogo fora de campo. Neste, o clube ainda tem muito a evoluir. E o problema é que se não agir rápido, não terá como segurar o elenco e seguirá depauperado para o Campeonato Brasileiro, com riscos até de rebaixamento.

Analisemos, com calma, a maneira como o Santos tem lidado com suas fontes de recursos e o que pode ser melhorado:

Sócios – O presidente Modesto Roma finalmente percebeu que esse contrato com a CSU é péssimo para o Santos. A terceirizada não é nada ágil para conseguir mais sócios e se mostra inepta para manter os que o clube já conquistou. O resultado é uma inadimplência enorme. De 60 mil, o clube só recebe mensalidades de 20 mil sócios. Como já escrevi aqui e já alertei no Conselho, o Santos só pode contar com seu torcedor, ele é o consumidor de sua marca. É preciso perdoar os inadimplentes, acelerar a captação de novos sócios e criar benefícios para eles. É possível, sim, chegar a 100 mil sócios, ou mais, mas para isso é indispensável criatividade, iniciativa e trabalho.

Rendas nos jogos – Dá para conseguir boas arrecadações jogando só na Vila Belmiro? Não! A não ser que todo jogo alcance a lotação máxima do estádio (pouco mais de 12 mil pessoas), sem muito ingresso de cortesia e com preços mais altos. Isso é plausível? Não! Então, o jeito é jogar em um estádio maior, certo? Óbvio! O Santos pode jogar no Pacaembu, sua casa em São Paulo, com capacidade para 39 mil pessoas. Trata-se de um estádio central, com muitas vias de acesso. Mas a diretoria não sabe se decide usar mais o Pacaembu, ou entra na onda dos que fazem campanha contra. Ou seja, a política rasteira e citadina está atrapalhando um plano evidente de marketing, que deveria incluir o agendamento de vários jogos no Pacaembu, com trabalho de hospitalidade e atrações para cativar o torcedor, principalmente as crianças. Por que não adotar a promoção do “Sócio mais Um”, dando ao associado a possibilidade de adquirir uma entrada para um amigo ou parente que não é sócio? Por que não resolver de vez o imbróglio que é comprar ingressos pela Internet?

Patrocínio – Não sabemos o que ocorre nesse departamento do clube, mas passar tanto tempo sem um patrocinador máster é de amargar. Creio que os quesitos anteriores – mais sócios e mais público nos jogos – seriam argumentos essenciais para convencer grandes empresas a usarem o Santos como divulgador de suas marcas. Por isso é que o aumento do quadro de sócios e mais jogos no Pacaembu são providências obrigatórias para dar ao Santos maiores possibilidades de conseguir um bom patrocinador. Quanto mais tempo o clube demorar para reconhecer isso, mais tempo sofrerá agruras financeiras e verá seus rivais dispararem na frente.

Cota de tevê – Como a audiência da tevê depende muito da qualidade do time, este é um item no qual o Santos vai bem no momento. Como o previsto, o seu jogo com o Palmeiras bateu o recorde de audiência no Campeonato Paulista, e o confronto com o Corinthians, que provavelmente decidirá o líder desta fase do Campeonato, dará um ibope ainda maior. Por mais que as equipes de jornalismo esportivo bajulem outros times, não se pode negar que o Santos é uma atração no futebol da tevê brasileira. Isso precisa ser capitalizado pela diretoria do clube. Mas enquanto, sem outras receitas significativas, o Santos seguir pedindo adiantamentos para a Globo, seu poder de negociação será nulo e continuará recebendo cotas menores do que clubes que têm tido piores resultados em campo e piores audiências nos últimos anos.

Clique no link abaixo para saber que o Santos teve R$ 122.388,00 de “Despesas Diversas” e R$ 269.943,00 de Despesas Totais no jogo contra o Audax, no sábado, o que gerou um prejuízo de R$ 5.878,65:
http://www.fpf.org.br/sumulas_2015/a1/3973-109f.pdf

Uma boa notícia: Leandro Damião está fazendo gols
Destaque do Cruzeiro na Copa Libertadores da América e no Campeonato Mineiro, Leandro Damião tem feito gols nas duas competições. Isso é ótimo, pois aumenta a chance de algum clube se interessar pela compra de seu passe. Acho muito difícil que o Santos recupere a fortuna paga pela administração de Odílio Rodrigues ao atacante (R$ 42 milhões, com aumento da dívida de 10% ao ano, em euros!!!). Mas ao menos poderá amenizar o prejuízo. Veja que golaço do LD:

E pra você, como o Santos esta jogando fora do campo?


Ricardo Oliveira e Vanderlei garantem liderança absoluta

Fotos do jogo, feitas por Ivan Storti, do Santos:

Ricardo Oliveira

Ricardo Oliveira recebe de Cicinho, corre e toca por cima do goleiro e…

Ricardo Oliveira

… cercado por dois zagueiros, cabeceia para marcar o gol da vitória.

Vanderlei

Em uma foto de treino, Vanderlei mostra sua elasticidade e firmeza.

Lucas Lima

Lucas Lima sempre arruma um espaço, mesmo muito marcado.

Robinho

Robinho se movimentou bastante, mas concluiu mal.

Renato

Renato está jogando como nos bons tempos. Atacou e defendeu bem.

Geuvânio

Geuvânio estava animado, mas se apagou ao perder o pênalti.

Quando, aos 16 minutos do primeiro tempo, Ricardo Oliveira recebeu o passe de Cicinho, tocou a bola por cima do bom goleiro Felipe Alves e cabeceou para fazer o golaço que abriu o marcador no Pacaembu, a impressão que se tinha era a de que aquele seria apenas o primeiro de muitos gols do Santos contra o Audax, pois o Alvinegro Praiano já tinha criado inúmeras oportunidades, enquanto o adversário se atrapalhava para sair de sua defesa e não conseguia passar do meio de campo.

Na verdade, o Audax mal conseguia chegar à sua intermediária, pois teimava em tentar sair jogando e era abafado e perdia a bola para os santistas. Marcelo Fernandes colocou o ataque e o meio de campo do Santos para marcar por pressão a saída de bola do Audax e isso não só gerou o lance do golaço de Ricardo Oliveira, como o pênalti sofrido por Renato – que Geuvânio não converteu – e outros lances de perigo.

Mas o primeiro tempo chegou ao fim com a vantagem mínima, e no segundo a coisa mudou. Não sei se o Santos começou a segunda etapa apenas estudando o adversário e especulando contra-ataques, mas o certo é que o Audax foi gostando do jogo e acabou por dominá-lo, só não empatando a partida porque Vanderlei fez grandes defesas.

Nos últimos 20 minutos o Santos voltou a encaixar bons contra-ataques e aí foi a vez de Robinho perder gols e Geuvânio distribuir mais alguns chutes sem rumo. No final, com as entradas de Gabriel no lugar de Geuvânio, Thiago Ribeiro no de Ricardo oliveira e Elano no de Robinho, o Santos conseguiu segurar a bola e garantir os preciosos três pontos que o mantém por mais uma rodada na liderança do Campeonato Paulista.

Por um momento imaginei que a maior parte das minhas nove previsões se realizariam. Lucas Lima e Geuvânio chegavam com perigo ao ataque e arrematavam para o gol sempre que possível. Mas as bolas de Geuvânio não entraram, nem mesmo o pênalti, e Lucas Lima, no máximo, acertou o travessão em uma cobrança de falta.

Tudo indicava que o Santos faria dois gols ou mais, assim como o Audax merecia um gol pelo seu segundo tempo. Mas os zagueiros David Braz e Werley, preocupados com o contra-ataque do Audax, não foram tanto à área para os cruzamentos. E, quando foram, acabaram bem marcados pelos zagueiros do time de Osasco.

Acertei na qualidade do jogo, preferencialmente jogado com a bola no chão e sem retrancas ostensivas; acertei também no campo pesado e na entrega dos dois times em busca da vitória. Acertei na boa quantidade de mulheres e crianças. Errei no público, mas não imaginava que a chuva persistiria o tempo todo. Para ser sincero, quando eu e Suzana chegamos ao Pacaembu, às 15h20, imaginamos que a platéia não passaria de quatro mil pessoas. O movimento era pequeno. De repente, muita gente começou a chegar. Creio que, pelo tempo ruim, que nos obrigou a usar a capa de chuva o tempo todo (pois no Pacaembu, como se sabe, 95% dos lugares são descobertos), 11.107 pessoas no total foi um público bom.

Desta vez, porém, a não ser as cheerleaders e as Baleiinha e Baleião, não houve atração alguma para o torcedor. Se jogar no Pacaembu é uma opção séria do clube, e não uma satisfação à maioria de sócios descontentes com o monopólio da Vila Belmiro, então o clube tem de organizar melhor os jogos na Capital. Não basta só marcar o jogo, colocar apenas dois pontos de venda de ingresso em São Paulo, e esperar que o torcedor se vire. Onde entra a chamada “hospitalidade”?

Atuação dos Santistas

Vanderlei – Quando exigido, foi muito bem e salvou o Santos, garantindo os três pontos. 9.
Cicinho – De bom, deu o passe para Ricardo Oliveira e fez um ou outro corte. No todo, porém, falhou na defesa e no ataque. 3.
David Braz – Discreto, mas eficiente. 7.
Werley – O mesmo que David Braz. 7.
Victor Ferraz – Participou de algumas boas jogadas de ataque. 6.
Lucas Otávio – Marca bem, rouba bolas, mas se tenta algo diferente, erra. 5.
Renato – Outra grande atuação. Marca com consciência e sabe aproveitar as oportunidades no ataque, como na jogada em que penetrou e sofreu pênalti. 8.
Lucas Lima – A bola parece grudar no seu pé. E o faz-tudo do Santos. Habilidoso e incansável. 8.
Geuvânio – Começou muito bem. Perder o pênalti parece tê-lo desanimado. 7.
Ricardo Oliveira – Seu golaço definiu a partida. Ótimo no primeiro tempo, cansou no segundo. 8.
Robinho – Participou de muitas jogadas, mas concluiu muito mal a gol, perdendo várias oportunidades. 7

Dos três que entraram no transcorrer do jogo, eu direi apenas que ao menos Elano e Thiago Ribeiro se esforçaram para segurar a vitória. A decepção foi Gabriel. Muito desligado, nada fez no ataque e pouco ajudou na marcação, pelo lado de Cicinho. com esse espírito o garoto não sairá do banco.

Marcelo Fernandes – Primeiro tempo de Pep Guardiola, segundo tempo de Muricy Ramalho. Colocou o Santos em cima do Audax e matou a saída de bola do adversário. Mas esperou demais para fazer as substituições. 7

Agora veja os melhores momentos pela lente da SantosTV:

Santos 1 x 0 Audax
Pacaembu, 21/03/2015, 16 horas
Público Pagante: 9.113 pessoas. Público Total: 11.107 pessoas. Renda: R$ 264.065,00
Público pagante e renda: 9113 torcedores (11107 total) e R$ 264.065,00
Santos: Vanderlei, Cicinho, Werley, David Braz e Victor Ferraz; Lucas Otávio, Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Gabriel), Robinho (Thiago Ribeiro) e Ricardo Oliveira (Elano). Técnico: Marcelo Fernandes.
Audax: Felipe Alves; Didi, André Castro e Francis; Leo Bahia, Camacho, Marquinhos e Matheus (Rondinelly); Rafael Longuine (Thiago Silvy) e Gilsinho (Bruno Paulo). Técnico: Fernando Diniz.
Gol: Ricardo Oliveira, aos 16 minutos do primeiro tempo.
Arbitragem: José Claudio Rocha Filho, auxiliado por Eduardo Vequi Marciano e Luciano Silva, todos de São Paulo.
Gol: Ricardo Oliveira, aos 16min do primeiro tempo
Cartões amarelos: Cicinho e André Castro

eu e suzana tomando chuva no pacaembu - 21-03-2015
Eu e Suzana tomando chuva no Pacaembu. Mas valeu a pena. Como sempre.

E para você, por que o Santos caiu tanto no segundo tempo?


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