set 05

O Santos nunca jogou tão desfalcado este ano como o fará logo mais, às 16 horas, sobre a areia do Maracanã. Sem Neymar, suspenso, o time enfrentará o Flamengo, atual campeão brasileiro, que estréia o ex-santista Deivid.

Se comparado ao time que venceu a Copa do Brasil, o Santos está bem diferente, pois Robinho, Wesley, André, Paulo Henrique Ganso e Neymar não jogarão – ou seja, os responsáveis pela magia que encantou o país no primeiro semestre, estão fora da partida de hoje.

O jovem Alan Patrick, requisitado pela Seleção Brasileira sub-19, também não jogará. Com isso, o jogo será mais uma ótima oportunidade para alguns jogadores se firmarem recuperarem o seu lugar no time, casos de Zezinho, Keirrison, Marquinhos e Madson.

Dorival Junior deverá escalar o time com Rafael; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Arouca, Danilo, Marquinhos e Zezinho (Madson); Zé Eduardo e Keirrison (Marcel). Espero que opte por Zé Eduardo e arme um time baseado na velocidade, única forma de vencer hoje.

Silas, o falador técnico do Flamengo que até agora não venceu no time carioca, provavelmente colocará em campo uma equipe com Lomba; Leonardo Moura, Welinton (David), Ronaldo Angelim e Juan; Corrêa, Willians, Renato Abreu e Petkovic; Diogo (Diego Maurício) e Deivid.

A arbitragem será de Leandro Pedro Vuaden (Fifa-RS), auxiliado por Carlos Berkenbrock (Fifa-SC) e Tiago Gomes Brigido (CE).

Flamengo tem mais experiência, mas Santos é mais rápido

Uma qualidade que o Flamengo sempre teve ao jogar diante de sua torcida foi o jogo ofensivo, rápido, envolvente, em que se destacavam os alas Leonardo Moura pela direita e Juan pela esquerda.

Hoje ambos jogam, mas o Flamengo não é mais o mesmo. O fôlego de Petkovic, o cérebro do time, está cada vez mais curto. Bem marcado, o sérvio pouco faz. Corrêa e Renato Abreu ainda não se firmaram na equipe e Deivid estreará sem ao menos cumprir um período de adaptação.

A melhor arma ofensiva do rubro-negro carioca parece ser o recém-contratado Diogo, ex-Portuguesa de Desportos (aliás, é um fenômeno como um time tão endividado consegue fazer tantas contratações).

Ao Santos, como já disse, resta a possibilidade de imprimir um ritmo forte ao jogo, o que deverá desgastar boa parte dos jogadores do Flamengo – alguns veteranos e outros ainda fora de forma. Até porque o gramado, cheio de buracos, foi coberto com areia, o que torna o jogo mais amarrado e cansa mais os jogadores.

Juventude e ousadia deram a primeira vitória ao Santos no Maracanã

Como se sabe, o Maracanã foi construído para a Copa do Mundo de 1950. E a primeira vez que o Santos jogou no estádio, pelo Rio-São Paulo de 1952, ocorreu em 3 de fevereiro daquele ano, quando perdeu para o Botafogo por 2 a 1. O Santos jogou aquela partida com Manga, Hélvio e Olavo; Nenê, Formiga e Pascoal; Alemãozinho (depois 109), Antoninho, Nicácio, Odair e Tite. Pascoal fez o gol santista, o primeiro de muitos e antológicos gols que o Santos faria no maior estádio do mundo.

A primeira vitória do Santos no Maracanã foi um gesto de ousadia. O técnico interino Luis Alonso Peres, o Lula, assumia a equipe depois de quatro derrotas consecutivas sob o comando do italiano Giuseppe Ottina (América, 1 a 2; Fluminense, 1 a 2; Palmeiras, 3 a 4 e São Paulo, 1 a 2).

O adversário daquele 5 de junho de 1954 era o temido Botafogo de Garrincha, mas Lula, adepto do jogo ofensivo, escalou o time com Manga, Hélvio e Feijó; Urubatão, Formiga e Zito; Joel, Walter, Álvaro, Vasconcelos (depois Hugo) e Tite. E assim, com cinco no ataque, entre eles o garoto Álvaro, o Santos venceu por 3 a 2, com dois gols de Tite e um de Joel, contra gols de Dino e Garrincha para o alvinegro carioca.

Na partida seguinte veio uma derrota contra a Portuguesa (0 a 3), mas nos três últimos jogos do torneio a equipe voltou a vencer, goleando o Flamengo por 4 a 0, batendo o Vasco no Maracanã por 1 a 0 (gol de Tite) e, em um Pacaembu lotado, acabando com uma série de seis vitórias consecutivas do Corinthians, vencendo-o por 2 a 0 (os dois de Vasconcelos). Assim, Lula, que logo de início mostrou personalidade e alguma sorte, assegurou o cargo onde permaneceria por 13 anos ininterruptos e colecionaria a maior quantidade de títulos de um técnico na mesma equipe.

Contei esta história – e peço que você, santista, a guarde com carinho – porque ela pode ser inspiradora. Foi jogando ofensivamente contra o melhor time do Rio de Janeiro à época, que o Santos conseguiu sua primeira vitória no Maracanã. Não digo que ele deva partir desordenadamente pra cima do Flamengo, hoje, mas uma coisa é certa: se jogar recuado, no ritmo do adversário, dificilmente evitará a derrota.

Como este desfalcado Santos deve jogar contra o Flamengo para se manter na luta pela tríplice coroa? Fechado no meio campo, ou com três atacantes?

— Reveja agora dois momentos felizes do Santos contra o Flamengo, no Maracanã —

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , , , , , , ,

set 04

O Corinthians continua comemorando o seu Centenário e prossegue a bajulação da mídia ao alvinegro da capital em busca das migalhas do ibope. Mas há muito exagero em que tudo que se escreve e fala. Como o currículo corintiano é bem inferior ao de muitos outros, os bajuladores concentram-se, então, na força da torcida “que é uma religião” e outras baboseiras que não resistem a uma análise mais fria. E se eu provar, por exemplo, que a torcida do Santos é mais fiel?

Na verdade, não dá para dizer que torcida é mais fanática ou mais maluca. Toda torcida tem a sua cota de malucos e fanáticos. O que importa mesmo são os números, as façanhas, as provas de grandiosidade, como a do Corinthians em 1974, ao invadir o Maracanã, mas também como a do Santos em 2004, quando lotou estádios na caminhada pelo título brasileiro.

Se os corintianos são em tão maior número, por que os santistas dividiam o Morumbi com eles entre os anos 70 e 80, e por que o Santos ainda chega a levar mais público nos jogos do Pacaembu, que são a casa do Corinthians? Será que é porque a torcida do Santos, mesmo menor, é mais participativa? E se é mais participativa, ou seja, se uma porcentagem maior de santistas vai aos jogos, então ela não é mais fiel?

Na verdade, antes que eu mostre que os números comprovam a superioridade da torcida do Santos em São Paulo, eu só gostaria de lembrar que torcida fiel mesmo é a do Bahia, que continua lotando estádios e mantendo uma média de público maior do que qualquer outro time no país, apesar de o tricolor baiano estar há anos longe da Série A do Brasileiro.

Santos detém os recordes de público em São Paulo

Como prometi, vamos aos recordes de público do Santos em São Paulo. Se você não é santista e não acompanha a história do futebol, deve estar estranhando este post, pois pelo que a imprensa esportiva diz o Santos tem a quarta torcida do Estado, não é mesmo?

Pra que time você torce? O Palmeiras? Bem, se você torce para o glorioso Alviverde, fique sabendo que o jogo de maior público já disputado pelo seu Palmeiras ocorreu em 15 de outubro de 1978, no Morumbi. O Palmeiras ganhou do Santos por 2 a 0, diante de 123.318 pessoas, a maioria santistas.

Você é são-paulino? Ótimo. Pois fique sabendo que o jogo do São Paulo com maior público, em toda a história do bravo tricolor, aconteceu em 16 de novembro de 1980, no Morumbi, válido pela decisão do Campeonato Paulista daquele ano. O São Paulo venceu por 1 a 0, gol de Serginho, diante de 122.209 pessoas, a maior parte delas torcedoras do Santos.

Ah, você é torcedor da Portuguesa? Ótimo. Então já deve saber que, em toda a sua história, o jogo de maior público do qual fez parte a valente Lusa ocorreu em 23 de agosto de 1973, na decisão do Campeonato Paulista. Nada menos do que 116.156 pessoas, 90% santistas, superlotaram o Morumbi naquele dia. Eu, meu irmão Marcos, os amigos Paulinho Alemão, Plínio, Junior, estávamos naquela partida que por muitos anos foi o recorde de público em São Paulo – e olhe que o Morumbi já tinha tido decisões de título entre São Paulo e Palmeiras.

E se você é corintiano já conhece a força da torcida do Santos, pois este é o clássico de São Paulo que mais vezes atingiu um público de 100 mil pessoas ou mais. Em sete oportunidades Santos e Corinthians jogaram para um público superior a 100 mil pessoas. Corinthians e São Paulo jogaram seis vezes e Corinthians e Palmeiras, tido pela mídia como o jogo de maior rivalidade, só em quatro oportunidades ultrapassou a marca dos 100 mil.

Na lista dos 20 maiores públicos de jogos entre times brasileiros, o Santos aparece quatro vezes, mesma quantidade do Corinthians. O jogo de maior público é Flamengo 3, Santos 0, no Maracanã, pela decisão do Campeonato Brasileiro de 1983. No mesmo ano o Santos atraiu mais de 110 mil pessoas, 90 santistas, nos dois jogos que fez contra o Flamengo no Morumbi: Santos 2 114.481 em 12 de maio, quando venceu por 2 a 1, e 111.111 em 27 de fevereiro, quando também venceu, por 3 a 2. Ainda em 1983 Atlético Mineiro e Santos jogaram para 113.479 espectadores no Mineirão, em 15 de maio de 1983.

Quem já foi o mais popular, pode voltar a ser

Quando se trata de torcidas, nada é definitivo – por mais que boa parte da mídia tente fazer com que o público acredite que há reservas de mercado para determinados times. Assim como o Santos foi o de maior torcida no país no final dos anos 60, nada impede que possa voltar a ser.

A lista dos 10 maiores públicos do Torneio Rio-São Paulo, aquele que reunia os maiores times do país na era de ouro do futebol brasileiro, mostra bem como o Santos era popular e como seus jogos atraiam muito mais público do que as outras equipes, principalmente as de São Paulo. Perceba que dos 10 jogos de maior público, o Santos este presente em seis deles, enquanto Corinthians e São Paulo só aparecem em uma partida:

10 maiores públicos do Torneio Rio-São Paulo

1.Flamengo 3 x 2 Santos (132.500 espectadores) – Maracanã – 01/05/1964
2.Flamengo 1 x 1 Vasco (120.165) – Maracanã – 29/03/1958.
3.Botafogo 3 x 1 Santos (102.260) – Maracanã – 31/03/1963 (*)
(*) Jogo válido também para a Taça Brasil de 1962
4.Flamengo 1 x 7 Santos (87.868) – Maracanã – 11/03/1961
5.Vasco 3 x 1 Santos (81.421) – Maracanã – 28/02/1999 (público total: 94.500)
6.Vasco 1 x 0 Corinthians (77.881) – Maracanã – 31/05/1953
7.Vasco 2 x 1 Santos (74.155) – Maracanã – 13/04/1961
8.São Paulo 2 x 1 Botafogo (71.668) – Morumbi – 07/03/2001
9.Flamengo 2 x 2 Santos (70.729) – Maracanã – 06/02/1997
10.Botafogo 3 x 0 Vasco (69.960) – Maracanã – 27/03/1966

E você, duvida da força da torcida do Santos, ou os números provam que ela é muito maior do que parece?

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , , , , , ,

set 03

Nós, santistas, temos a mania de dizer que a imprensa persegue o nosso time, pois, entre outras coisas, não reconhece as grandes conquistas do Santos. Bem, não é bem assim. Há jornalistas muito bem informados e extremamente profissionais, que sabem, por exemplo, que a Taça Brasil dava ao seu vencedor o título de campeão brasileiro, e por isso o Santos é o maior campeão nacional do país, com oito títulos nacionais de primeira grandeza, além desta recém-conquistada Copa do Brasil.

Um destes jornalistas esclarecidos se chama Sérgio Quintanilha e era o proprietário da revista FourFourTwo, edição em português, da qual eu era o editor-chefe. Há cerca de um mês a FourFourTwo deixou de ser publicada no Brasil e agora o Quintanilha está lançando a revista FUT, já que esta marca lhe pertence há muitos anos.

Na primeira edição, especial, de 16 páginas, Quintanilha resolveu retratar o título da Copa do Brasil conquistado pelos Meninos da Vila e me deu a honra de escrever as matérias. A publicação traz as súmulas completas dos jogos do Santos na Copa, a ficha dos jogadores, perfis do Quarteto Santástico e o ranking atualizado de 51 anos de campeonatos nacionais no país – com a liderança do Santos, seguido por Palmeiras e Flamengo.

Outra informação importante trazida pela revista – e que ainda não vi em nenhum lugar – é que assim como o Santos bateu o recorde de gols em uma edição da Copa do Brasil (39 gols), ele já tinha batido o recorde do Campeonato Brasileiro (103 gols em 2004), do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (44 gols em 1968) e teve as três melhores médias de gols na Taça Brasil (3,75 em 1963, 3,60 em 1961 e 3,33 em 1964). Ou seja, o Santos é recordista de gols em todas as competições nacionais já disputadas no país.

Estas informações são relevantes e ao menos o santista tem a obrigação de sabe-las e guardá-las com carinho. Por isso, sem nenhum interesse, a não ser o de difundir e preservar a rica história do Santos, faço um apelo para que você, amigo santista e leitor deste blog, adquira esta revista e a guarde.

O sucesso desta edição da FUT representa o início de uma publicação que tratará os times de maneira justa e de acordo com seus méritos esportivos, sem levar em conta fatores subjetivos, como o tamanho das torcidas. Não falo por mim, mas o Quintanilha merece essa força pela seriedade com que trata o jornalismo esportivo.

O jornalismo esportivo nacional precisa de uma revista realmente neutra, isenta, que não faça média com ninguém e que se baseie, repito, apenas no mérito esportivo. O Sérgio Quintanilha é o empresário certo para torcar uma revista assim. E, olhe, ele nem é santista. É corintiano, mas consegue ver o futebol como ele é, dando o devido valor a quem merece.

A seguir, a capa e duas matérias da edição número 1 da revista FUT, que pode ser encontrada já neste sábado em bancas de todo o Brasil. Agradeço desde já.

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , , ,

set 03

Ontem foram só 7.000 pagantes. Até quando?

Os sete mil pagantes do jogo de ontem, contra o Avaí, trouxeram de novo à tona um dilema ainda não resolvido. Vale a pena para o Santos continuar jogando na Vila Belmiro para públicos que estão aquém do seu prestígio e de suas necessidades mercadológicas?

É inegável que o Santos atrai mais público em seus jogos em São Paulo, onde tem 1,5 milhão de torcedores, do que na Baixada Santista, onde possui 500 mil aficionados e de menor poder aquisitivo.

Mas a questão não é tão simples e mexe com a paixão dos santistas, chegando a dividir os torcedores em dois grandes blocos: os adeptos dos jogos na Vila Belmiro e aqueles que preferem que o time atue mais em São Paulo. Vejamos os aspectos positivos de cada opção.

O lado bom de se jogar na Vila Belmiro

É menos desgastante para os jogadores, que saem do CT, ali do lado, direto para o estádio.
A pressão sobre o time e a torcida adversária é maior.
O time costuma ter um índice de vitórias excelente quando joga na Vila, principalmente nos clássicos contra outros grandes de São Paulo.

O lado bom de se jogar no Pacaembu

As rendas são maiores. O clube fatura mais.
A exposição na mídia é um pouco maior, já que há uma cobertura mais completa dos veículos de comunicação.
O Pacaembu lotado por um time que não tem sede em São Paulo sempre causa uma impressão muito boa, ótima para o marketing.
Nos últimos anos o time vem mantendo um índice de vitórias tão alto ou maior do que na Vila Belmiro.

Chapa “O Santos pode mais” prometia mais jogos em São Paulo

Uma das promessas da chapa “O Santos Pode mais”, eleita no final do ano passado, é a de que o Santos jogaria mais vezes em São Paulo, onde tem uma torcida maior e, naturalmente, atrai mais público aos seus jogos.

Estudava-se até a possibilidade de o time atuar em regiões onde mantém um número expressivo de torcedores, como o Interior de São Paulo e o Norte do Paraná. Era consenso que o clube deveria evitar os prejuízos causados pelos jogos na Vila Belmiro, onde manteve uma das piores médias de público nas últimas edições do Campeonato Brasileiro.

Porém, há uma resistência muito grande de boa parte dos santistas de Santos com relação ao time trocar a Vila Belmiro pelo Pacaembu, ou outro estádio paulistano. Em suas últimas campanhas para presidente do clube, Marcelo Teixeira disseminou a idéia de que a oposição queria tirar o Santos de Santos, e com isso obteve o apoio geral dos santistas da cidade.

Na verdade, bairrismos à parte, o que se quer é que o Santos jogue para públicos compatíveis com sua grandeza. Se tiver de escolher, a maioria dos santistas parece preferir que o time continue mandando seus jogos em Santos.

Enquete pede estádio em Santos

Veja que o resultado parcial da enquete sobre o estádio do Santos, mostra que mais da metade dos internautas (54%) prefere que o Santos tenha um estádio maior e moderno em Santos ou que a Vila Belmiro seja ampliada. Apenas 31% preferem um estádio santista em São Paulo ou em Diadema, enquanto 14% quer que se mantenha o rodízio entre Vila e Pacaembu.

Uma coisa, porém, é amar a Vila Belmiro e reconhecer sua importância para a história do Santos. Outra é querer que ela continue sendo o eterno estádio do clube, mesmo ultrapassada e deficitária.

Menor que o Parque São Jorge

Com as últimas mudanças para a construção dos camarotes, a Vila Belmiro teve sua capacidade diminuída para 15 mil pessoas. Ou seja, ela se tornou ainda menor do que o obsoleto Parque São Jorge, que comporta 17.900 pessoas.

Grandeza veio em ganhar fora

É muito importante ter um bom índice de vitórias em casa, mas isso até times médios e pequenos conseguem. O grande diferencial, que fez do Santos um dos melhores do mundo, foi sua incrível capacidade de vencer no campo do adversário, ou longe de sua cidade.

Quase todos os títulos importantes do Santos foram obtidos longe da Vila Belmiro. Vejamos:

Libertadores de 1962: Buenos Aires.
Libertadores de 1963: Buenos Aires.
Mundial de 1962: Lisboa.
Mundial de 1963: Rio de Janeiro.
Recopa Mundial, em 1969: Milão.
Taça Brasil de 1962: Rio de Janeiro.
Taça Brasil de 1963: Salvador.
Taça Brasil de 1964: Rio de Janeiro.
Taça Brasil de 1965: Rio de Janeiro.
Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata de 1968: Rio de Janeiro.
Campeonato Brasileiro de 2002: São Paulo.
Campeonato Brasileiro de 2004: São José do Rio Preto.
Copa Brasil de 2010: Salvador.

A única conquista relevante na Vila Belmiro foi a Taça Brasil de 1961, ganha com uma goleada de 5 a 1 sobre o Bahia.

Indecisão atrapalha o marketing

Esta indecisão do Santos com relação ao seu estádio certamente atrapalha vôos mais altos de seu marketing. Daqui a dois anos o Corinthians terá um estádio grande e moderno, o Palmeiras a sua arena, o São Paulo continuará com o maior estádio do Estado. E o Santos? Continuará jogando para sete mil pessoas em uma Vila Belmiro acanhada e ultrapassada?

O Pacaembu é uma opção pronta, barata, tradicional e bem localizada. O santista gosta de ir ao Pacaembu e o considera a sua casa em São Paulo. Mas para ser uma alternativa permanente o Santos teria de assinar uma parceria com a prefeitura de São Paulo, pois um estádio só pode ser um grande negócio se o clube puder explorá-lo mercadologicamente, com publicidade, eventos, merchandising.

Se o Santos tem os dois pés fincados na cidade mais progressista da América Latina, para muitos fica difícil entender porque não toma posse logo desta conquista e ergue seu estádio na metrópole.

Mas há a questão das raízes, e com o crescimento da cidade de Santos – acelerado pelo Pré-Sal e as obras de modernização do Porto – provavelmente o poder aquisitivo e, consequentemente, a média de público em um estádio na cidade também tenderá a crescer.

A prefeitura de Santos deveria apoiar mais o time

Não há dúvida de que o time do Santos é a entidade que mais divulga a cidade pelo mundo.Assim, não entendo por que a prefeitura santista e o clube não se aproximam em uma parceria duradoura, benéfica para ambas.

Já ouvi que a prefeitura não ajudava o Santos porque o prefeito era palmeirense. Recusei-me a acreditar em tal sandice. Em primeiro lugar, mesmo que isso fosse verdade, o Palmeiras não tem sede na cidade, não paga impostos em Santos e o número de palmeirenses no município não deve chegar a 10%.

Se eu fosse o presidente do Santos e tivesse dificuldades com um prefeito que torcesse por um clube de São Paulo, eu simplesmente lhe diria: está bem, você não vai nos ajudar porque torce para outro time, ok. Mas então vamos pedir aos santistas da cidade – e há 54% de torcedores do Santos em Santos, segundo pesquisa de A Tribuna – que não votem no senhor.

O Santos pode ser decisivo em qualquer eleição na cidade, e deveria usar essa força política para conseguir bons acordos para o clube. Esta é a forma de o Santos continuar em Santos e usar a ser favor todo o potencial da cidade.

Outra desculpa que ouvi é que o prefeito não poderia ajudar o Santos, pois na cidade também há outros clubes tradicionais, como a Portuguesa Santista e o Jabaquara. Ora, mas quanto representam os torcedores de cada clube? Novamente o Santos deveria ter uma posição política e usar a força esmagadora de seus torcedores para influir na política da cidade.

Até porque o que impediria que a prefeitura e os clubes da cidade se unissem para a construção de uma grande e moderna arena municipal, que poderia ser usada tanto pelo Santos, como por outros clubes que disputassem divisões principais do futebol brasileiro?

O espaço imobiliário em Santos se valoriza rapidamente, mas ainda há muito clube abandonado, há muito terreno que poderia ser usado para consolidar esta parceria que tornaria o Santos o maior time – também em patrimônio – do litoral brasileiro. Se ainda não pensaram, que a diretoria do clube e o prefeito pensem seriamente sobre isso.

Se uma decisão não for tomada rapidamente, só restará ao Santos dois caminhos: sair da cidade, em busca de campos mais férteis e de públicos mais reconhecidos ao seu futebol, ou apequenar-se agarrado à sua tímida e romântica Vila Belmiro.

E você, o que acha que o Santos deve fazer a curto e médio prazo para resolver seu problema de falta de público na Vila?

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , , , ,

set 02

Não sei se dá pra dizer que o Santos mereceu vencer o Avaí. Creio que não. O resultado mais justo seria o empate. Se alguma coisa fez a diferença em favor do Santos foi a garra. Além da sorte.

Sim, sorte também influi no futebol, e não fosse ela o time de Santa Catarina teria ao menos obtido o empate na Vila Belmiro. Aquela bola que bateu no pé da trave e não entrou é típica de goleiro sortudo, como este Rafael.

Mas, como eu já disse, os deuses do futebol costumam compensar alguns azares. Perder o Ganso, machucado, por seis meses, dá ao Santos um duradouro bilhete da fortuna.

Fazer um gol logo aos 50 segundos, através de Neymar, deu a impressão de que o time poderia vencer com facilidade, mas, como se previa, este Avaí é atrevido e também buscou o ataque, mesmo fora de casa. Time jovem, parece ter uma energia inesgotável.

Como havia muita juventude em campo e pouca maturidade, o jogo foi um corre-corre terrível. Marquinhos não conseguiu controlar a partida no meio-campo e só mesmo a habilidade de Neymar e a versatilidade de Zé Eduardo seguraram o Avaí um pouco mais atrás no primeiro tempo. Keirrison, mais uma vez, ajudou pouco.

Na segunda etapa, o gol dos visitantes parecia favas contadas, até que as entradas de Alan Patrick e Zezinho deram um pouco mais de precisão nas trocas de bola e tornaram o Santos novamente perigoso.

Por sorte o gol de Marcel saiu justamente no curto período de tempo que o Santos voltou a dominar, aos 38 minutos. Depois, o Avaí assumiu o controle do jogo novamente, diminuiu com Válber, aos 42, e manteve o torcedor santista com o coração na mão até o fim.

Lições do jogo

A determinação, a disposição de marcar o adversário foi um aspecto positivo desta vitória que coloca o Santos na terceira posição do campeonato. Mas a partida mostrou também aspectos preocupantes, que merecem melhor análise.

É notório que o poder ofensivo do time caiu muito devido aos desfalques da janela de transferências. Marquinhos não está conseguindo substituir Ganso à altura no meio-campo e Zé Eduardo e Keirrison estão longe de preencherem as lacunas deixadas por Robinho e André.

O Santos passou a ser um time cuja única reserva de arte está nos pés de Neymar e, em menor proporção, nos de Alan Patrick e Zezinho quando estes entram no segundo tempo. Parece pouco para chegar ao título, mas o espírito de luta tem compensado a falta de beleza.

Esta garra será decisiva domingo, no Maracanã, na última rodada do primeiro turno (sem contar o jogo adiado, com o Internacional). Contra o campeão Flamengo, os Meninos da Vila terão de ter o mesmo espírito guerreiro que tiveram contra o humilde Avaí.

O que você achou do jogo com o Avaí? O que viu de positivo e negativo no Santos?

Escrito por Odir Cunha \\ tags: , , , , , , ,